sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A eleição que me deu razão (parte 1)

Adorei a campanha eleitoral deste ano. Ela comprovou muitas ideias que eu tinha sobre nosso sistema eleitoral. Especialmente aquelas que indicam nossa forma de eleger os representantes. Vamos às considerações:
1 - O sistema de quocioente eleitoral (somar os votos válidos e dividir pelo números de cadeiras a serem ocupadas) desrespeita os eleitores. Com os partidos cada vez mais desacreditados, não faz sentido os votos dados a uma legenda serem somados. Por exemplo: 90% dos 480 mil eleitores que elegeram Manuela D’Ávila (PcdoB) nunca ouviram falar em Assis Melo, que fez pouco mais de 20 mil votos, ou mais de 100 mil a menos do que Luciana Genro (PSOL), cuja sigla não atingiu o tal quociente por 13 mil votos. Essa regra é uma das responsáveis por coligações muito estranhas, em que a ideologia está abaixo da “cooperação” na busca da maior quantidade possível de cadeiras nos Legislativos. Sem falar que isso favorece a opção por fenômenos eleitorais como Tiririca, pessoas com pouca afinidade com a Política, mas capazes de angariar “nojeiras” de votos.
Também favorece o desequilíbrio econômico dentro do partido (uma sigla pode apostar fazer a campanha com ênfase muito maior em um candidato e destinar muito mais recursos para um em detrimento dos outros, assim como o tempo de tv, como ocorreu com os dois já citados e também com Beto Albuquerque, do PSB) e a opção por candidatos milionários ou com grande capacidade de buscar investidores (como Paulo Ferreira, tesoureiro do PT, campeão em arrecadação de investidores na própria campanha), justamente porque... deixa que esse é o segundo ponto;
2 – O poder econômico tomou conta desta campanha. Basta dizer que os maiores partidos estimaram gastos máximos para deputados federais, por exemplo, com sete dígitos. Basta dizer que muitos concorrentes à Câmara dos Deputados bancaram postulantes desconhecidos na busca de uma cadeira ao Legislativo, em troca de trabalho por votos. Esta estratégia é muito clara na campanha petista, que elegeu 14 deputados estaduais e ampliou para oito seu time federal. Claro que muito se deve também ao fato de a sigla provocar uma disputa acirrada entre os próprios “companheiros”, quando manteve os sete federais e incentivou outros cinco estaduais a concorrer. O resultado – não acho isso ruim, e foi mérito dos estrategistas petistas, não fosse o alto custo ($$$) para tanto - foi que muitos candidatos desconhecidos garantiram um gabinete na AL;
3 – A eleição de Manuela com um recorde histórico de votos reflete menos o trabalho desenvolvido pela gata e mais o desconhecimento, a despolitização e o desinteresse das pessoas pela Política. A opção por Danrlei, com seus vários títulos pelo Tricolor Gaúcho, segue na mesma linha.
Temos até o final do ano para fazer novas considerações. Deixa a poeira baixar para isso poder ficar mais visível – e também mais digerível.

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