terça-feira, 19 de outubro de 2010

A eleição que me deu razão (parte dois)

PT e PMDB estão juntinhos na eleição para presidente. No Rio Grande do Sul, contudo, os partidos (leia-se, a maioria dos caciques), continuam sendo oposição um ao outro. E, neste round, o PT goleou o PMDB (as outras grandes siglas também). Explicarei o que eu já imaginava que poderia ocorrer antes do pleito.
1) Fritura de líderes: nada mais, nada menos do que as quatro principais lideranças peemedebistas do RS afundaram. Fogaça, que repetiu Tarso há oito anos ao sair da prefeitura de POA no meio do mandato, sequer atingiu o segundo turno; Rigotto, que seria um candidato natural ao governo, por já ter sido chefe do Executivo estadual e por, em tese, ter ficado fora do segundo turno no último pleito por “descuido” dos correligionários (ele também tem parcela de culpa quando decidiu se lançar ao Senado sozinho, sendo que nomes de peso, os deputados federais Eliseu Padilha e Ibsen Pinheiro, poderiam ter contribuído para que o segundo voto dos simpatizantes do PMDB fossem para Ana Amélia e Paim); Eliseu Padilha, detentor de quatro mandatos seguidos como deputado federal, que acabou na primeira suplência para a Câmara; e Pedro Simon, que após os maus resultados do pleito renunciou à presidência da sigla.
2) Murismo: evitar se posicionar entre Serra (favorito da maioria dos caciques gaúchos) e Dilma (PMDB indicou o vice da chapa), deixou os eleitores confusos. Esse posicionamento reflete a crise que o PMDB vive depois de passar tantos anos governando com qualquer sigla, andando em cima do muro como uma lesma consegue andar sobre o fio da navalha sem se cortar. Até o Rigotto atribuiu, após a derrota, o adjetivo “murismo” à sigla.
3) Falta de renovação: esse é um mal que atinge a quase todos os partidos, e será novamente objeto em futuras colunas. Mas, se compararmos esse pleito para o outro, foram perdidas uma cadeira na Câmara dos Deputados e outra na Assembleia. Ibsen e Schirmer, que em 2006 foram o quinto e o sexto mais votados do PMDB, não concorreram. Biolchi pai e outros suplentes com boa votação também não deram as caras. Para ajudar a bancada federal a não fazer feio, Alceu Moreira e Záchia tentaram trocar a AL pela CD. Não adiantou. De cinco deputados, baixou para quatro. Na AL, de nove agora são oito. Além de Moreira e Záchia, Alberto Oliveira desistiu de concorrer porque considerou as campanhas “caras demais”, segundo palavras dele mesmo que ouvi em corredores desta vida. As (nem tão) novidades foram Giovani Feltes e Maria Helena Sartori, ambos com mais de 50 anos.
4) O PT de Tarso não pretende, pelo menos num primeiro momento, convidar o PMDB para participar do Governo. Caso faça, e se a sigla aceitar, poderá manter alguns CC’s trabalhando e contribuindo com a caixinha mensal do partido, mas perderá a identidade. Se ficar na Oposição, e se souber fazer oposição como o PT fez (o que é improvável, porque do centro do país deve vir a ordem para “maneirar” - haverá cargos federais em jogo), terá de fazer à míngua, o que não deixa de ser muito complicado.
5) Daqui a quatro anos, Simon não concorrerá mais. Fogaça, Rigotto e Padilha perderam força. Renovar, desde as lideranças até o eleitorado, é a palavra de ordem. Se o maior partido do Brasil não conseguir aprender com os próprios erros, deixará ainda mais o protagonismo da política nacional. Quem perde, é a base do partido, porque os figurões saberão manter os próprios interesses...

publicada em FN no dia 15 de outubro de 2010

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