Tenho escrito bastante sobre reforma política neste espaço. E hoje vou me arriscar de novo. E é provável que eu escreva sobre isso muitas e muitas vezes. Funciona como a tabela do Brasileirão: pouca coisa muda após cada rodada, mas eu insisto em olhar várias vezes e fazer projeções que nunca se concretizam. Mas vamos ao ponto: a fundação do Partido Social Democrata (PSD) sob a liderança do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Gostaria de mostrar que essa é uma grande prova de que está tudo errado, de que é urgente uma reforma política. Vamos aos fatos.
A Justiça Eleitoral autorizou a criação da legenda poucos dias antes do prazo para que tivesse condições de participar das eleições municipais do ano que vem. Isso depois de impedir porque o número de assinaturas (em torno de 228 mil) foi forjado, constando nomes duplicados e também de pessoas mortas.
Passada essa fase, enfim surge o PSD, que já nasce como o terceiro em representação na Câmara dos Deputados, com 54 parlamentares, atrás apenas de PT e PMDB, e a frente do PSDB. Por que foi tão fácil? Além da maestria de Kassab e seus escudeiros na articulação política, a criação do partido foi uma baita manobra. Como a legislação diz que a pessoa que trocar de sigla por outra já existente perderá o mandato, sobrou apenas o PSD para abrigar os descontentes. Assim, quem não concordava com as diretrizes da sigla anterior, saiu para engrossar o exército kassabista. Por exemplo: o jornalista e ex-deputado federal Celso Russomano, descontente com Maluf e com a falta de espaço no PP, se entrincheirou na esperança de concorrer à prefeitura de São Paulo. Talvez não tenha sido avisado que terá que disputar a preferência com, entre outros, Guilherme Afif Domingos, vice-governador paulista e que deixou o DEM com o mesmo intuito, e com o ex-peemedebista e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que inclusive transferiu o título do Estado de Goiás para a capital paulista. Talvez, ninguém consiga nada, pois o novo partido ainda pode se aliar a Serra, caso este concorra.
Apesar de, teoricamente, ser uma facção do DEM, o PSD já abriga políticos de todos os lados. Alguns deixaram as siglas de oposição do governo para correr para os braços de Dilma e receber dinheiro de emendas parlamentares, cruciais para quem visa a próxima eleição. No RS, o principal líder é Danrlei, que ao que parece utilizou o PTB como barriga de aluguel para chegar ao Congresso Nacional. Liberais, conservadores, esquerda e direita, governistas e oposicionistas desfizeram o beiço que tinham em outros partidos ao encontrar abrigo na barraca do Kassab.
O prefeito de São Paulo disse que a sigla é de centro, e anunciou que os próprios parlamentares poderão escolher entre ser governista ou oposição. “É um partido plural”. Fala em ideologia, mas não diz qual é. Apenas bandeiras vagas, como “a defesa dos interesses nacionais”. Afirma que a prioridade é lutar por uma Assembléia Constituinte para fazer as reformas necessárias, porque julga que os atuais políticos não têm capacidade para tanto (!!!).
Já são 28 siglas na sopa de letrinhas da política brasileira. E ainda há pedidos para a criação de outros 40. Lembra do Chavez, que vendia um suco de tamarindo, com sabor de laranja e cor de limão? O Kassab fez um partido de direita, que diz ser de centro, mas que vai se aliar com a esquerda para se beneficiar dos recursos do governo. É a prova de que os políticos brasileiros não têm ideologia, não são democráticos e que sonham em ser um grande cacique, donos de um a sigla.
14-10-11
Espaço destinado a publicar as colunas que escrevo desde 01-05-09 no jornal Folha do Noroeste, de Frederico Westphalen. E eventualmente para qualquer outra coisa. Sobretudo, para expôr minha visão das coisas, o que na maioria das vezes não quer dizer muita coisa. Ps: São todos textos do Thiago Buzatto.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Cobrando uma fatia do bolo
Esta semana, depois de percorrer alguns sites de notícias, lembrei de uma música do Raul Seixas. “O comandante não saiu para o quartel, pois sabia que o soldado também não tava lá/ E o soldado não saiu pra ir pra guerra, pois sabia que o inimigo também não tava lá/ E o paciente não saiu pra se tratar, pois sabia que o doutor também não tava lá”, etc...
Claro que a canção, “O dia em que a terra parou”, tem um sentido místico, mas ao ler tanto sobre greves acabei associando a letra com os fatos. Imaginei-me na seguinte situação: vou ao banco para pagar uma conta que chegou atrasada por causa da paralisação dos Correios. Mas os bancos também estão em greve, então não consigo fazer o acerto, que se referia a uma contribuição ao Círculo de Pais e Mestres de uma escola que também está paralisada. E para piorar, acabei assaltado, porque não havia policiais para me proteger. Sim, porque bandido – tirando alguns eleitos pelo voto – não param...
Já mencionei há algumas colunas que considero greve como um modo pouco eficaz de conseguir algo. Isso porque ela tira da zona de conforto as pessoas que necessitam dos serviços cancelados, e com isso conquistam muita antipatia, pouca compreensão e pressão para retomem os serviços antes mesmo das negociações. Mas desta vez não vou criticar. Como não aceitar o argumento de um bancário que pede participação nos lucros, já que a cada balanço há recordes de arrecadação engordando o bolso de acionistas? Como vou exigir um serviço razoável de um policial que recebe menos de mil reais e está sujeito a todos os tipos de suborno e tentação de aceitar bicos para aumentar a renda? E vocês sabem quanto ganham os funcionários dos Correios? Uma vergonha! Bem que aquele dinheiro desviado da estatal para pagar mensalão poderia ser usado como abono para essa classe!
Cansei de ver, em outras ocasiões, greves esvaziadas, que encerravam com nenhum ganho e muitos foguetes para maquilar a derrota. Desta vez, em alguns casos vejo ofertas que outrora seriam muito bem-vindas. Mas os trabalhadores querem mais. Pensa comigo: o cidadão liga a tv e ouve todos os dias que o país está bem, que crise só existe fora de nossas fronteiras, que o Brasil está crescendo. E percebe que os nossos deputados, ministros, governantes, vereadores, magistrados aumentam os vencimentos e vantagens em margens inimagináveis para qualquer classe. É lógico que ele vai querer uma fatia desse bolo. Está feita a bola de neve!
Correios, bancos, professores, policia militar e civil, agentes carcerários, funcionários públicos de todas as esferas. É no Brasil todo! E ainda vem mais. Parece que foi convencionado que chegou a hora de cobrar a conta das farras de certos gabinetes. Diante desses argumentos, como tirar a razão de quem recebe R$ 500,00 todo o mês para se virar com as necessidades básicas da família?
Mas não será fácil. O patronato pensa assim: se dermos tudo o que eles pedem hoje, amanhã vão querer mais. Eu sugiro outra coisa: dêem o exemplo. Gostaria que essas manifestações fossem interpretadas pelas nossas lideranças como recado de que chegou a hora de maneirar. Está em crise? Que se corte na própria carne, reduza gastos e pare de aumentar vencimentos que já são superiores a 15, 20 mil reais.
E os trabalhadores? Devem fiscalizar, usar o poder do voto, pressionar seus representantes. Mas também devem ter bom senso. Se for no setor privado, devem buscar representação no conselho das empresas e unir a categoria para evitar caça as bruxas. Paralisações são ruins. Afetam diretamente a economia. Por isso não pode faltar é bom senso. De nenhuma das partes. Se ninguém pensar no próprio umbigo, por descaso ou peleguismo – e essa é a grande utopia – todos, patronato e trabalhadores saem ganhando.
Essa é do dia 7-10-11
Claro que a canção, “O dia em que a terra parou”, tem um sentido místico, mas ao ler tanto sobre greves acabei associando a letra com os fatos. Imaginei-me na seguinte situação: vou ao banco para pagar uma conta que chegou atrasada por causa da paralisação dos Correios. Mas os bancos também estão em greve, então não consigo fazer o acerto, que se referia a uma contribuição ao Círculo de Pais e Mestres de uma escola que também está paralisada. E para piorar, acabei assaltado, porque não havia policiais para me proteger. Sim, porque bandido – tirando alguns eleitos pelo voto – não param...
Já mencionei há algumas colunas que considero greve como um modo pouco eficaz de conseguir algo. Isso porque ela tira da zona de conforto as pessoas que necessitam dos serviços cancelados, e com isso conquistam muita antipatia, pouca compreensão e pressão para retomem os serviços antes mesmo das negociações. Mas desta vez não vou criticar. Como não aceitar o argumento de um bancário que pede participação nos lucros, já que a cada balanço há recordes de arrecadação engordando o bolso de acionistas? Como vou exigir um serviço razoável de um policial que recebe menos de mil reais e está sujeito a todos os tipos de suborno e tentação de aceitar bicos para aumentar a renda? E vocês sabem quanto ganham os funcionários dos Correios? Uma vergonha! Bem que aquele dinheiro desviado da estatal para pagar mensalão poderia ser usado como abono para essa classe!
Cansei de ver, em outras ocasiões, greves esvaziadas, que encerravam com nenhum ganho e muitos foguetes para maquilar a derrota. Desta vez, em alguns casos vejo ofertas que outrora seriam muito bem-vindas. Mas os trabalhadores querem mais. Pensa comigo: o cidadão liga a tv e ouve todos os dias que o país está bem, que crise só existe fora de nossas fronteiras, que o Brasil está crescendo. E percebe que os nossos deputados, ministros, governantes, vereadores, magistrados aumentam os vencimentos e vantagens em margens inimagináveis para qualquer classe. É lógico que ele vai querer uma fatia desse bolo. Está feita a bola de neve!
Correios, bancos, professores, policia militar e civil, agentes carcerários, funcionários públicos de todas as esferas. É no Brasil todo! E ainda vem mais. Parece que foi convencionado que chegou a hora de cobrar a conta das farras de certos gabinetes. Diante desses argumentos, como tirar a razão de quem recebe R$ 500,00 todo o mês para se virar com as necessidades básicas da família?
Mas não será fácil. O patronato pensa assim: se dermos tudo o que eles pedem hoje, amanhã vão querer mais. Eu sugiro outra coisa: dêem o exemplo. Gostaria que essas manifestações fossem interpretadas pelas nossas lideranças como recado de que chegou a hora de maneirar. Está em crise? Que se corte na própria carne, reduza gastos e pare de aumentar vencimentos que já são superiores a 15, 20 mil reais.
E os trabalhadores? Devem fiscalizar, usar o poder do voto, pressionar seus representantes. Mas também devem ter bom senso. Se for no setor privado, devem buscar representação no conselho das empresas e unir a categoria para evitar caça as bruxas. Paralisações são ruins. Afetam diretamente a economia. Por isso não pode faltar é bom senso. De nenhuma das partes. Se ninguém pensar no próprio umbigo, por descaso ou peleguismo – e essa é a grande utopia – todos, patronato e trabalhadores saem ganhando.
Essa é do dia 7-10-11
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Voto Distrital
Está em pauta no Brasil o voto distrital. Ah, como eu gostaria de vislumbrar no
horizonte uma reforma política! Entidades como a Fecomércio aos poucos entram em
campo para pressionar o Congresso a favor dessa forma de eleger nossos representantes.
Infelizmente, não creio que a matéria tenha qualquer possibilidade de entrar em vigor. O
motivo: afetaria muitos caciques por esse Brasil a fora.
Vamos pensar um pouco sobre as eleições para deputado, federal ou estadual.
Ganha quem consegue se ramificar mais pelo Estado. Isso exige recursos financeiros,
estrutura e fama. Ou seja: quem já ocupa um cargo, além da visibilidade intrínseca à
atividade, consegue cooptar mais lideranças locais, forma bastante eficiente de captar
votos. E quem é que deve decidir se um projeto de lei com tal teor pudesse vigorar? Os
cidadãos que se beneficiam do atual sistema eleitoral (tenho certeza que usariam o voto
secreto para o veto).
Sou favorável ao voto distrital. Além de deixar a disputa um pouco mais igual,
obriga os parlamentares a estreitar ainda mais os laços com seu “distrito”. É mais fácil
de fiscalizar. É mais difícil de mentir. E isso não impediria o envolvimento dos
deputados com assuntos de interesse do Estado e do país.
Tem mais: as legendas teriam menor força. Por exemplo: se um distrito tem três
vagas, apenas três candidatos por sigla (ou coligação) poderiam concorrer, e a soma dos
votos contaria apenas para o distrito. Talvez diminuiria o número de “celebridades”
envolvidas no pleito para não ameaçar as vagas de “políticos de carreira”.
Abaixo, deixarei para você refletir dados sobre a atual divisão territorial de
nossos deputados eleitos em 2010. Há regiões importantes sem representantes. E outras
com excesso. Para isso, segui alguns critérios. Não inclui os mais votados, mas os
eleitos. Levei em conta os redutos onde os políticos iniciaram a vida pública. Utilizei as
microrregiões como referência. Considerei Porto Alegre como um único “distrito”.
Como tempos 31 deputados federais e 36 microrregiões (37 se destacarmos Porto
Alegre), o provável é que num sistema distrital haja fusão de regiões, e algumas teriam
mais representantes por causa do contingente populacional.
Deputados Federais: Porto Alegre, 7 (Fontana, Marchezan, Manuela, Mendes
Ribeiro, Danrlei, Vieira da Cunha, Onyx); Região Metropolitana, 6 (Canoas: Marco
Maia, Luiz C. Busato; São Leopoldo: Ronaldo Zulke, Alexandre Roso; Cachoeirinha:
Stédile; Sapiranga: Molling); Caxias do Sul, 2 (Pepe Vargas, Assis Mello); Passo
Fundo, 2 (Beto Albuquerque; Ronda Alta: Marcon); Ijui, 2 (Perondi; Santo Augusto:
Goergen); Santa Rosa, 2 (Osmar Terra; Santo Cristo: Bohn Gass); Pelotas (Marroni);
Santa Maria (Pimenta); Santa Cruz do Sul (Sergio Moraes); Campanha Ocidental
(São Borja: Heinze); Frederico Westphalen (Covatti); Osório (Alceu Moreira);
Cachoeira do Sul (José O. Germano); Uruguaiana (Bagé: Afonso Hamm); Soledade
(Cherini); Lajeado (Bacci).
Deputados Estaduais: Porto Alegre, 9 (Raul Pont, Villaverde, Odone, Carlos
Gomes, Juliana Brizola, Mano Changes, Carrion, Paulo Borges, Cassiá); Região
Metropolitana, 11 (Alvorada: Stela Farias; Gravataí: Bordignon, Miki Breier, Marco
Alba; São Leopoldo: Ana Afonso; Canoas: Nelsinho; Sapiranga: Fixinha; Campo Bom:
Giovani Feltes; Novo Hamburgo: Lucas Redecker; Guaíba: Sperotto; Ivoti:
Lauermann); Caxias do Sul, 4 (Marisa Formolo; Maria H. Sartori; Barbosa Velho;
Farroupilha: Álvaro Boessio); Passo Fundo, 4 (Basegio, Capoani, Luciano Azevedo;
Tapejara: Sossela); Pelotas, 3 (Miriam Marroni; Catarina; Canguçu: Pedro Pereira);
Santa Cruz do Sul, 3 (Schuch; Marcelo Moraes; Sobradinho: Adolfo Brito); Rio
Grande, 2 (Lindenmeyer, Adilson Troca); Santa Maria, 2 (Valdeci, Pozzobom);
Carazinho, 2 (Edegar Pretto, Marcio Biolchi); Três Passos, 2 (Zilá; Campo Novo:
Clasmann); Bagé, 2 (Lara; Mainardi); Guaporé (Alexandre Postal); Cachoeira do Sul
(Rio Pardo: Edson Brum); Erechim (Altemir Torteli); Ijuí (Burmann); Santo Ângelo
(Adroaldo Loureiro); Frederico Westphalen (Silvana Covatti); Cruz Alta (Pedro
Westphalen); Uruguaiana (Frederico Antunes); Santiago (Chicão); Osório (Ciro
Simoni); Vacaria (Lagoa Vermelha: Santini).
publicada em 30-09-11
horizonte uma reforma política! Entidades como a Fecomércio aos poucos entram em
campo para pressionar o Congresso a favor dessa forma de eleger nossos representantes.
Infelizmente, não creio que a matéria tenha qualquer possibilidade de entrar em vigor. O
motivo: afetaria muitos caciques por esse Brasil a fora.
Vamos pensar um pouco sobre as eleições para deputado, federal ou estadual.
Ganha quem consegue se ramificar mais pelo Estado. Isso exige recursos financeiros,
estrutura e fama. Ou seja: quem já ocupa um cargo, além da visibilidade intrínseca à
atividade, consegue cooptar mais lideranças locais, forma bastante eficiente de captar
votos. E quem é que deve decidir se um projeto de lei com tal teor pudesse vigorar? Os
cidadãos que se beneficiam do atual sistema eleitoral (tenho certeza que usariam o voto
secreto para o veto).
Sou favorável ao voto distrital. Além de deixar a disputa um pouco mais igual,
obriga os parlamentares a estreitar ainda mais os laços com seu “distrito”. É mais fácil
de fiscalizar. É mais difícil de mentir. E isso não impediria o envolvimento dos
deputados com assuntos de interesse do Estado e do país.
Tem mais: as legendas teriam menor força. Por exemplo: se um distrito tem três
vagas, apenas três candidatos por sigla (ou coligação) poderiam concorrer, e a soma dos
votos contaria apenas para o distrito. Talvez diminuiria o número de “celebridades”
envolvidas no pleito para não ameaçar as vagas de “políticos de carreira”.
Abaixo, deixarei para você refletir dados sobre a atual divisão territorial de
nossos deputados eleitos em 2010. Há regiões importantes sem representantes. E outras
com excesso. Para isso, segui alguns critérios. Não inclui os mais votados, mas os
eleitos. Levei em conta os redutos onde os políticos iniciaram a vida pública. Utilizei as
microrregiões como referência. Considerei Porto Alegre como um único “distrito”.
Como tempos 31 deputados federais e 36 microrregiões (37 se destacarmos Porto
Alegre), o provável é que num sistema distrital haja fusão de regiões, e algumas teriam
mais representantes por causa do contingente populacional.
Deputados Federais: Porto Alegre, 7 (Fontana, Marchezan, Manuela, Mendes
Ribeiro, Danrlei, Vieira da Cunha, Onyx); Região Metropolitana, 6 (Canoas: Marco
Maia, Luiz C. Busato; São Leopoldo: Ronaldo Zulke, Alexandre Roso; Cachoeirinha:
Stédile; Sapiranga: Molling); Caxias do Sul, 2 (Pepe Vargas, Assis Mello); Passo
Fundo, 2 (Beto Albuquerque; Ronda Alta: Marcon); Ijui, 2 (Perondi; Santo Augusto:
Goergen); Santa Rosa, 2 (Osmar Terra; Santo Cristo: Bohn Gass); Pelotas (Marroni);
Santa Maria (Pimenta); Santa Cruz do Sul (Sergio Moraes); Campanha Ocidental
(São Borja: Heinze); Frederico Westphalen (Covatti); Osório (Alceu Moreira);
Cachoeira do Sul (José O. Germano); Uruguaiana (Bagé: Afonso Hamm); Soledade
(Cherini); Lajeado (Bacci).
Deputados Estaduais: Porto Alegre, 9 (Raul Pont, Villaverde, Odone, Carlos
Gomes, Juliana Brizola, Mano Changes, Carrion, Paulo Borges, Cassiá); Região
Metropolitana, 11 (Alvorada: Stela Farias; Gravataí: Bordignon, Miki Breier, Marco
Alba; São Leopoldo: Ana Afonso; Canoas: Nelsinho; Sapiranga: Fixinha; Campo Bom:
Giovani Feltes; Novo Hamburgo: Lucas Redecker; Guaíba: Sperotto; Ivoti:
Lauermann); Caxias do Sul, 4 (Marisa Formolo; Maria H. Sartori; Barbosa Velho;
Farroupilha: Álvaro Boessio); Passo Fundo, 4 (Basegio, Capoani, Luciano Azevedo;
Tapejara: Sossela); Pelotas, 3 (Miriam Marroni; Catarina; Canguçu: Pedro Pereira);
Santa Cruz do Sul, 3 (Schuch; Marcelo Moraes; Sobradinho: Adolfo Brito); Rio
Grande, 2 (Lindenmeyer, Adilson Troca); Santa Maria, 2 (Valdeci, Pozzobom);
Carazinho, 2 (Edegar Pretto, Marcio Biolchi); Três Passos, 2 (Zilá; Campo Novo:
Clasmann); Bagé, 2 (Lara; Mainardi); Guaporé (Alexandre Postal); Cachoeira do Sul
(Rio Pardo: Edson Brum); Erechim (Altemir Torteli); Ijuí (Burmann); Santo Ângelo
(Adroaldo Loureiro); Frederico Westphalen (Silvana Covatti); Cruz Alta (Pedro
Westphalen); Uruguaiana (Frederico Antunes); Santiago (Chicão); Osório (Ciro
Simoni); Vacaria (Lagoa Vermelha: Santini).
publicada em 30-09-11
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Filie-se
Ainda falta mais de um ano para a eleição municipal de 2012, mas preciso falar sobre isso hoje. Para quem não sabe, para concorrer é preciso estar filiado a um partido político pelo menos um ano antes da data do pleito (e também ter domicílio eleitoral no município em questão). Como estamos quase em outubro, preciso dar hoje minha contribuição para incentivar novas candidaturas, independentemente da sigla.
Antes, um alerta: só leia as linhas abaixo se você for no mínimo bem-intencionado. Isso é apenas para pessoas de boa índole, comprometidas com as comunidades, que não pensam apenas em usufruir do dinheiro público. Aqueles que já se envolvem com associações, clubes, instituições e não cobram um centavo para isso já têm um bom currículo, suficiente para ocupar uma cadeira no Legislativo.
Bom, eu quero caras novas na disputa. Creio que você possa pensar assim. Então pense no assunto. Não tenha medo de ser motivo de risos, ou de fazer feio. Vou provar que só perde quem não concorre. Tirando alguns reais que precisam ser investidos, claro, pois nada é de graça.
1) Qualquer um que trabalha um pouquinho nos dois meses do período eleitoral consegue juntar alguns votos de amigos e parentes. Se o esforço for um pouco maior, consegue atingir gente antes desconhecida. E ser mais conhecido é um capital que abre portas. As pessoas olham para o candidato, mesmo que não se eleja, com outros olhos. Isso traz convites para participar de grupos que pedem pessoas comprometidas – e como faltam pessoas comprometidas no mundo;
2) Mesmo que não se eleja, os partidos não costumam abandonar seus líderes – pelo menos as siglas mais organizadas. Isso, no mínimo, porque não querem perder os votos conquistados, afinal, todos foram computados para a legenda. E, se a sigla ganhar a prefeitura, haverá trabalhos importantes para desenvolver junto à sociedade diretamente dos órgãos. Ainda pode acontecer o mesmo em âmbito regional, caso haja aproximação com o atual governo estadual ou federal. Que tal uma coordenadoria?
3) Se o partido abandonar o candidato à própria sorte, sempre é possível trocar, já que não há mandato para perder. Obviamente, é preciso o cuidado para não sair direto para o arquirrival, ou para uma sigla com ideologia muito diferente daquilo que você defende. Em tempo de pouca fidelidade e ideologia, buscar uma estrutura melhor não é pecado. Pecado é fazer joguinho político.
4) Em todos os casos, sempre há novo pleito em quatro anos. E a pessoa que já concorreu tem vantagem sobre quem vai pela primeira vez. E ainda carrega o título de trazer a mudança, o que sempre ajuda.
5) Nas eleições para deputado estadual e federal, os candidatos precisam ramificar suas forças por todos os cantos em busca dos eleitores. Mesmo quem não ocupa cargo, mas que tem um bom reduto eleitoral, é lembrado. Isso significa poder de barganha junto aos parlamentares para conquistar benefícios para as comunidades defendidas por você (e em votos).
6) Não preciso falar do que acontece no caso do candidato se eleger. Se manter no cargo é mais fácil do que chegar nele. Mas, por favor, seja diferente e trabalhe, não fique pensando já na próxima eleição.
Enfim, não custa nada se expor. Não há demérito em buscar uma vaga para um cargo, desde que seja com o objetivo de ajudar o seu município. Pior é se omitir e deixar apenas gente de moral duvidosa concorrendo. Pare de reclamar e vá se filiar!
23-09-11
Antes, um alerta: só leia as linhas abaixo se você for no mínimo bem-intencionado. Isso é apenas para pessoas de boa índole, comprometidas com as comunidades, que não pensam apenas em usufruir do dinheiro público. Aqueles que já se envolvem com associações, clubes, instituições e não cobram um centavo para isso já têm um bom currículo, suficiente para ocupar uma cadeira no Legislativo.
Bom, eu quero caras novas na disputa. Creio que você possa pensar assim. Então pense no assunto. Não tenha medo de ser motivo de risos, ou de fazer feio. Vou provar que só perde quem não concorre. Tirando alguns reais que precisam ser investidos, claro, pois nada é de graça.
1) Qualquer um que trabalha um pouquinho nos dois meses do período eleitoral consegue juntar alguns votos de amigos e parentes. Se o esforço for um pouco maior, consegue atingir gente antes desconhecida. E ser mais conhecido é um capital que abre portas. As pessoas olham para o candidato, mesmo que não se eleja, com outros olhos. Isso traz convites para participar de grupos que pedem pessoas comprometidas – e como faltam pessoas comprometidas no mundo;
2) Mesmo que não se eleja, os partidos não costumam abandonar seus líderes – pelo menos as siglas mais organizadas. Isso, no mínimo, porque não querem perder os votos conquistados, afinal, todos foram computados para a legenda. E, se a sigla ganhar a prefeitura, haverá trabalhos importantes para desenvolver junto à sociedade diretamente dos órgãos. Ainda pode acontecer o mesmo em âmbito regional, caso haja aproximação com o atual governo estadual ou federal. Que tal uma coordenadoria?
3) Se o partido abandonar o candidato à própria sorte, sempre é possível trocar, já que não há mandato para perder. Obviamente, é preciso o cuidado para não sair direto para o arquirrival, ou para uma sigla com ideologia muito diferente daquilo que você defende. Em tempo de pouca fidelidade e ideologia, buscar uma estrutura melhor não é pecado. Pecado é fazer joguinho político.
4) Em todos os casos, sempre há novo pleito em quatro anos. E a pessoa que já concorreu tem vantagem sobre quem vai pela primeira vez. E ainda carrega o título de trazer a mudança, o que sempre ajuda.
5) Nas eleições para deputado estadual e federal, os candidatos precisam ramificar suas forças por todos os cantos em busca dos eleitores. Mesmo quem não ocupa cargo, mas que tem um bom reduto eleitoral, é lembrado. Isso significa poder de barganha junto aos parlamentares para conquistar benefícios para as comunidades defendidas por você (e em votos).
6) Não preciso falar do que acontece no caso do candidato se eleger. Se manter no cargo é mais fácil do que chegar nele. Mas, por favor, seja diferente e trabalhe, não fique pensando já na próxima eleição.
Enfim, não custa nada se expor. Não há demérito em buscar uma vaga para um cargo, desde que seja com o objetivo de ajudar o seu município. Pior é se omitir e deixar apenas gente de moral duvidosa concorrendo. Pare de reclamar e vá se filiar!
23-09-11
Mais do mesmo sobre educação
O ministro da Educação Fernando Haddad acena com a possibilidade de aumentar de 200 para 220 os dias letivos nas escolas brasileiras. Ou, pelo menos, ampliar a carga horária diária. Atualmente, cada criança passa – ou deveria passar – 800 horas por ano dentro de uma sala de aula. Mas, se depender do que disse o senhor ministro, esse tempo poderá aumentar pelo menos 10%, numa implantação gradativa que levaria quatro anos.
Seria a alegria de muitos pais ter onde deixar as crianças por mais 80 horas num ano. Mas nosso secretário da Educação, José Clovis de Azevedo já afirmou que, embora a favor, será preciso melhorar a infraestrutura das escolas do gaúchas para cumprir essa possível determinação. E isso requer INVESTIMENTO.
É óbvio que o ideal seria deixar os alunos oito e não quatro horas na escola, estudando, brincando, aprendendo atividades esportivas e artísticas, etc. Teoricamente, seria uma forma de melhorar a formação das próximas gerações, além de mantê-las em local seguro e convivendo socialmente. Então tentei me colocar no lugar de Haddad. Segue o mínimo que (acho) seria necessário para que isso se materializar.
1) Como há cada vez menos crianças no mundo – cada vez mais as famílias têm menos filhos, isso quando há família ou quando há filhos – é possível que as estruturas das instituições existentes não precisem ser muito ampliadas. Precisariam sim ser adaptadas para o desenvolvimento de atividades extraclasse. Não dá para oferecer esportes sem quadra, leitura sem biblioteca. E de recursos: não existe banda marcial sem instrumentos, aulas de inglês sem material didático, dança sem equipamento de som.
2) O mesmo vale para os quadros de professores e funcionários. O próprio secretário Azevedo, estima que para mais três horas-aula diárias teriam que ser contratados mais 10% de professores. Pouco, se levarmos em conta que o tempo de aula diário subiria 75%. Mas... e bibliotecária? Instrutor de banda? Professora de dança? Professores de educação física? Monitores de laboratórios de ciência e de computação?
3) E a merenda? Como segurar a gurizada na escola sem dar comida? O sistema de distribuição de alimentos está longe do ideal e faltam profissionais que preparem refeições (sem essa de distribuir bolacha!). Como resolver isso?
4) Já há poucos professores dispostos a assumirem escolas estaduais. Imagina com ampliação de dias letivos e manutenção de salário, além da falta de tempo para desenvolver uma proposta pedagógica. E não adianta falar em piso nacional se os Estados não cumprem...
5) Segurança. As escolas não são mais lugares seguros. Há poucos funcionários para cuidar quem entra e sai das instituições. A polícia vigia praticamente só quando as aulas começam e terminam. Se a tela ao redor da instituição de ensino tiver um único buraco, é um deusnosacuda. Como fazer?
Haddad cogita aumentar o orçamento destinado a Educação. "Estamos prevendo aumentar o investimento de 7% do PIB", disse ao Estado de SP. Eu pago pra ver. Torcerei muito para morder essa minha língua pessimista. Mas eu quero ver se o Governo Federal vai realmente ajudar financeiramente ou se vai jogar tudo no colo dos falidos Estados e municípios. Se for só para segurar as crianças na escola, sem crescimento nos índices de ensino, deixa em casa jogando vídeo game. Porque haja notinhas fiscais para serem coletadas e suprirem o básico que as autoridades sonegam.
publicado em 16-09-11
Seria a alegria de muitos pais ter onde deixar as crianças por mais 80 horas num ano. Mas nosso secretário da Educação, José Clovis de Azevedo já afirmou que, embora a favor, será preciso melhorar a infraestrutura das escolas do gaúchas para cumprir essa possível determinação. E isso requer INVESTIMENTO.
É óbvio que o ideal seria deixar os alunos oito e não quatro horas na escola, estudando, brincando, aprendendo atividades esportivas e artísticas, etc. Teoricamente, seria uma forma de melhorar a formação das próximas gerações, além de mantê-las em local seguro e convivendo socialmente. Então tentei me colocar no lugar de Haddad. Segue o mínimo que (acho) seria necessário para que isso se materializar.
1) Como há cada vez menos crianças no mundo – cada vez mais as famílias têm menos filhos, isso quando há família ou quando há filhos – é possível que as estruturas das instituições existentes não precisem ser muito ampliadas. Precisariam sim ser adaptadas para o desenvolvimento de atividades extraclasse. Não dá para oferecer esportes sem quadra, leitura sem biblioteca. E de recursos: não existe banda marcial sem instrumentos, aulas de inglês sem material didático, dança sem equipamento de som.
2) O mesmo vale para os quadros de professores e funcionários. O próprio secretário Azevedo, estima que para mais três horas-aula diárias teriam que ser contratados mais 10% de professores. Pouco, se levarmos em conta que o tempo de aula diário subiria 75%. Mas... e bibliotecária? Instrutor de banda? Professora de dança? Professores de educação física? Monitores de laboratórios de ciência e de computação?
3) E a merenda? Como segurar a gurizada na escola sem dar comida? O sistema de distribuição de alimentos está longe do ideal e faltam profissionais que preparem refeições (sem essa de distribuir bolacha!). Como resolver isso?
4) Já há poucos professores dispostos a assumirem escolas estaduais. Imagina com ampliação de dias letivos e manutenção de salário, além da falta de tempo para desenvolver uma proposta pedagógica. E não adianta falar em piso nacional se os Estados não cumprem...
5) Segurança. As escolas não são mais lugares seguros. Há poucos funcionários para cuidar quem entra e sai das instituições. A polícia vigia praticamente só quando as aulas começam e terminam. Se a tela ao redor da instituição de ensino tiver um único buraco, é um deusnosacuda. Como fazer?
Haddad cogita aumentar o orçamento destinado a Educação. "Estamos prevendo aumentar o investimento de 7% do PIB", disse ao Estado de SP. Eu pago pra ver. Torcerei muito para morder essa minha língua pessimista. Mas eu quero ver se o Governo Federal vai realmente ajudar financeiramente ou se vai jogar tudo no colo dos falidos Estados e municípios. Se for só para segurar as crianças na escola, sem crescimento nos índices de ensino, deixa em casa jogando vídeo game. Porque haja notinhas fiscais para serem coletadas e suprirem o básico que as autoridades sonegam.
publicado em 16-09-11
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Utopia desequilibrada
O 4º Congresso Nacional do PT, ocorrido no último final de semana, trouxe uma
pauta interessante para o debate. Refiro-me à moção aprovada pelos participantes para
que deputados federais e senadores sejam pressionados a promover a regulamentação
das mídias.
Muitos na grande imprensa chamaram essa moção de “controle da mídia”. Digo
de antemão que considero o termo muito forte. Isso porque concordo em dois pontos
do que foi batizado “marco regulatório das comunicações”: a restrição da propriedade
cruzada de meios de comunicação (evitar que um mesmo grupo domine o mercado
de rádio, jornal e televisão) e a proibição de que parlamentares sejam proprietários de
mídias.
Penso que não é saudável que um mesmo grupo domine o mercado de
informações de um país. Acredito que a concorrência é sempre mais saudável,
sobretudo no que se refere à formação de opinião. É preciso saber dos fatos por vários
ângulos. Quanto a políticos serem proprietários de qualquer tipo de mídia, então nem se
fala. É impossível acreditar que um veículo de comunicação será isento sendo ligado a
um político.
O problema que vejo nisso tudo é o da motivação que trouxe a moção à tona.
É público e notório o descontentamento de dirigentes do PT contra alguns veículos,
sobretudo a revista Veja, os jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, e a Rede
Globo. Dirigentes petistas vêem nesses veículos uma “conspiração” para derrubar a
presidente Dilma, por exemplo.
Não vou entrar nesse mérito. Tenho a dizer apenas que a Rede Globo sempre foi
governo, sempre será, tem uma relação histórica com o poder (ninguém me convence
de que Lula teria sido presidente se as organizações Roberto Marinho quisessem mesmo
intervir). E quanto ao Estadão, a Folha ou o Grupo Abril (responsável pela Veja), bem,
não tem ligações com outras mídias. A questão aqui é de política editorial. E tentar
intervir em política editorial de qualquer mídia, aí sim, é censura.
Outra questão: conforme afirma o próprio presidente da sigla Rui Falcão, as
medidas – caso passassem pelo Congresso – não mexeriam com o que já existe: nem
parlamentares teriam que optar ou pela concessão de rádio e tv, ou pelo mandato, nem
os grandes grupos teriam que se desfazer de algumas de suas mídias. Serviria apenas
para o que vem pela frente. Mas... não seria contraditório políticos que já detêm mídias
permanecerem com elas e outros não? E porque a Folha do Noroeste não poderá ter uma
rádio e um canal de TV, se a Globo já tem? Que democratização da informação é essa?
Não seria, pelo contrário, uma forma de manter monopólios?
Se é para termos democratização de verdade, a receita é essa: pega os grandes
grupos e esquarteja suas mídias. Retira as concessões de rádio e tv de quem é hoje
parlamentar. Ou não se mexe em nada é continuemos com a utopia.
Esse é o maior problema da nossa política. As motivações para as leis são
pessoais ou partidárias, e não ideológicas. Reconheço que, apesar da maioria dos
partidos se considerarem de centro-esquerda (PT, PMDB, PSDB, PTB, PDT, etc), as
mídias dominantes tem sim um lado puxado para a direita. Não há um equilíbrio, o
que mexe inclusive no comportamento de nossos políticos. Mas acho mais fácil que se
criem canais mais fortes de esquerda do que mexer nesse vespeiro. Até porque, do jeito
que foi exposto, é balela.
Teoricamente, publicada nesse dia 09-09-11 (não tem como prever o futuro)
pauta interessante para o debate. Refiro-me à moção aprovada pelos participantes para
que deputados federais e senadores sejam pressionados a promover a regulamentação
das mídias.
Muitos na grande imprensa chamaram essa moção de “controle da mídia”. Digo
de antemão que considero o termo muito forte. Isso porque concordo em dois pontos
do que foi batizado “marco regulatório das comunicações”: a restrição da propriedade
cruzada de meios de comunicação (evitar que um mesmo grupo domine o mercado
de rádio, jornal e televisão) e a proibição de que parlamentares sejam proprietários de
mídias.
Penso que não é saudável que um mesmo grupo domine o mercado de
informações de um país. Acredito que a concorrência é sempre mais saudável,
sobretudo no que se refere à formação de opinião. É preciso saber dos fatos por vários
ângulos. Quanto a políticos serem proprietários de qualquer tipo de mídia, então nem se
fala. É impossível acreditar que um veículo de comunicação será isento sendo ligado a
um político.
O problema que vejo nisso tudo é o da motivação que trouxe a moção à tona.
É público e notório o descontentamento de dirigentes do PT contra alguns veículos,
sobretudo a revista Veja, os jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, e a Rede
Globo. Dirigentes petistas vêem nesses veículos uma “conspiração” para derrubar a
presidente Dilma, por exemplo.
Não vou entrar nesse mérito. Tenho a dizer apenas que a Rede Globo sempre foi
governo, sempre será, tem uma relação histórica com o poder (ninguém me convence
de que Lula teria sido presidente se as organizações Roberto Marinho quisessem mesmo
intervir). E quanto ao Estadão, a Folha ou o Grupo Abril (responsável pela Veja), bem,
não tem ligações com outras mídias. A questão aqui é de política editorial. E tentar
intervir em política editorial de qualquer mídia, aí sim, é censura.
Outra questão: conforme afirma o próprio presidente da sigla Rui Falcão, as
medidas – caso passassem pelo Congresso – não mexeriam com o que já existe: nem
parlamentares teriam que optar ou pela concessão de rádio e tv, ou pelo mandato, nem
os grandes grupos teriam que se desfazer de algumas de suas mídias. Serviria apenas
para o que vem pela frente. Mas... não seria contraditório políticos que já detêm mídias
permanecerem com elas e outros não? E porque a Folha do Noroeste não poderá ter uma
rádio e um canal de TV, se a Globo já tem? Que democratização da informação é essa?
Não seria, pelo contrário, uma forma de manter monopólios?
Se é para termos democratização de verdade, a receita é essa: pega os grandes
grupos e esquarteja suas mídias. Retira as concessões de rádio e tv de quem é hoje
parlamentar. Ou não se mexe em nada é continuemos com a utopia.
Esse é o maior problema da nossa política. As motivações para as leis são
pessoais ou partidárias, e não ideológicas. Reconheço que, apesar da maioria dos
partidos se considerarem de centro-esquerda (PT, PMDB, PSDB, PTB, PDT, etc), as
mídias dominantes tem sim um lado puxado para a direita. Não há um equilíbrio, o
que mexe inclusive no comportamento de nossos políticos. Mas acho mais fácil que se
criem canais mais fortes de esquerda do que mexer nesse vespeiro. Até porque, do jeito
que foi exposto, é balela.
Teoricamente, publicada nesse dia 09-09-11 (não tem como prever o futuro)
O segredo do voto secreto
A absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz no Plenário da Câmara
ocorrido na noite da última terça-feira trouxe à tona novamente o debate sobre o
voto secreto dos parlamentares. Filha do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim
Roriz, Jaqueline se envolveu no chamado “Mensalão do DEM”, esquema de desvio
de dinheiro público ocorrido durante o governo de José Roberto Arruda (que sucedeu
Roriz), e cujas evidências indicam ter começado no governo anterior. Tudo foi
descoberto pela operação “Caixa de Pandora”, da Polícia Federal em novembro de
2009 e se baseou nos depoimentos de Durval Barbosa, que foi secretário de Relações
Institucionais dos governos Roriz e Arruda.
O dinheiro teria pelo menos três finalidades: enriquecimento pessoal,
compra da “conscientização” de deputados candangos para a aprovação de projetos
e financiamento de campanha. A própria Jaqueline admitiu posteriormente que o
dinheiro recebido foi utilizado na campanha que a conduziu à Câmara dos Deputados.
Jaqueline Roriz foi absolvida por 265 votos contra 166. Houve 20 abstenções (outros 61
parlamentares roeram a corda e não compareceram à votação). O argumento principal
é de que Jaqueline não poderia ser cassada porque o fato ocorreu quando ela não
era deputada federal. Resumindo: a corrupção na Assembleia do DF não deveria ser
levada em conta, apesar da parlamentar ter sido eleita graças ao dinheiro desviado. Mas
voltando ao assunto: os parlamentares optaram por salvar a filha de Joaquim Roriz
com voto secreto. O que é muito fácil, já que os eleitores não podem identificar quem
foram os responsáveis por essa barbaridade. Quem assistiu a sessão pela TV Câmara
nota a cara constrangida de alguns deputados ao receberem um afetuoso abraço de
agradecimento de Jaqueline Roriz.
***
Antes de prosseguir, preciso relembrar um outro escândalo, conhecido
como “Violação do Painel eletrônico”. Em 2000, o finado cacique baiano, Antonio
Carlos Magalhães (então presidente do Senado) foi gravado em uma conversa em cujo
teor afirmava ter acesso às informações sobre como cada parlamentar votou no Senado
na sessão que cassou Luiz Estevão (PMDB-DF). Ao lado de ACM estava Arruda
(coincidentemente, o mesmo que governava o DF durante o “Mensalão do DEM”). Para
evitar a cassação, ambos renunciaram aos mandatos e voltaram na eleição subsequente.
O que a dupla queria com as informações? Simples! Coagir os deputados que foram
orientados a absolver Estevão. Mas... na realidade esses senadores temiam o quê?
Teriam o rabo preso?
***
O voto secreto surgiu durante a Ditadura Militar como uma (acanhada)
ferramenta para contrariar os militares. Assim, quem era contra as medidas do governo,
não precisava se expor ao manter uma posição – o que poderia evitar perseguições
políticas. Contudo, mais de 20 anos depois da redemocratização, essa ferramenta não
tem mais uso.
O voto aberto permite saber quais são os congressistas que aumentam
abusivamente os próprios salários; deixa transparente quem foi que absolveu políticos
corruptos; clareia aos eleitores quem é a favor e quem é contra os anseios do povo. Seja
no caso Roriz, seja na violação do painel, é preciso que fique claro como vota cada
parlamentar. É bom para o eleitor, é bom para a democracia. Quem se sente pressionado
pelos colegas, ou teme a opinião pública tem a consciência pesada. Quem se esconde
não merece ser deputado ou senador. Não é conduta de quem se diz representante dos
anseios do povo.
publicada em 02-09-11
ocorrido na noite da última terça-feira trouxe à tona novamente o debate sobre o
voto secreto dos parlamentares. Filha do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim
Roriz, Jaqueline se envolveu no chamado “Mensalão do DEM”, esquema de desvio
de dinheiro público ocorrido durante o governo de José Roberto Arruda (que sucedeu
Roriz), e cujas evidências indicam ter começado no governo anterior. Tudo foi
descoberto pela operação “Caixa de Pandora”, da Polícia Federal em novembro de
2009 e se baseou nos depoimentos de Durval Barbosa, que foi secretário de Relações
Institucionais dos governos Roriz e Arruda.
O dinheiro teria pelo menos três finalidades: enriquecimento pessoal,
compra da “conscientização” de deputados candangos para a aprovação de projetos
e financiamento de campanha. A própria Jaqueline admitiu posteriormente que o
dinheiro recebido foi utilizado na campanha que a conduziu à Câmara dos Deputados.
Jaqueline Roriz foi absolvida por 265 votos contra 166. Houve 20 abstenções (outros 61
parlamentares roeram a corda e não compareceram à votação). O argumento principal
é de que Jaqueline não poderia ser cassada porque o fato ocorreu quando ela não
era deputada federal. Resumindo: a corrupção na Assembleia do DF não deveria ser
levada em conta, apesar da parlamentar ter sido eleita graças ao dinheiro desviado. Mas
voltando ao assunto: os parlamentares optaram por salvar a filha de Joaquim Roriz
com voto secreto. O que é muito fácil, já que os eleitores não podem identificar quem
foram os responsáveis por essa barbaridade. Quem assistiu a sessão pela TV Câmara
nota a cara constrangida de alguns deputados ao receberem um afetuoso abraço de
agradecimento de Jaqueline Roriz.
***
Antes de prosseguir, preciso relembrar um outro escândalo, conhecido
como “Violação do Painel eletrônico”. Em 2000, o finado cacique baiano, Antonio
Carlos Magalhães (então presidente do Senado) foi gravado em uma conversa em cujo
teor afirmava ter acesso às informações sobre como cada parlamentar votou no Senado
na sessão que cassou Luiz Estevão (PMDB-DF). Ao lado de ACM estava Arruda
(coincidentemente, o mesmo que governava o DF durante o “Mensalão do DEM”). Para
evitar a cassação, ambos renunciaram aos mandatos e voltaram na eleição subsequente.
O que a dupla queria com as informações? Simples! Coagir os deputados que foram
orientados a absolver Estevão. Mas... na realidade esses senadores temiam o quê?
Teriam o rabo preso?
***
O voto secreto surgiu durante a Ditadura Militar como uma (acanhada)
ferramenta para contrariar os militares. Assim, quem era contra as medidas do governo,
não precisava se expor ao manter uma posição – o que poderia evitar perseguições
políticas. Contudo, mais de 20 anos depois da redemocratização, essa ferramenta não
tem mais uso.
O voto aberto permite saber quais são os congressistas que aumentam
abusivamente os próprios salários; deixa transparente quem foi que absolveu políticos
corruptos; clareia aos eleitores quem é a favor e quem é contra os anseios do povo. Seja
no caso Roriz, seja na violação do painel, é preciso que fique claro como vota cada
parlamentar. É bom para o eleitor, é bom para a democracia. Quem se sente pressionado
pelos colegas, ou teme a opinião pública tem a consciência pesada. Quem se esconde
não merece ser deputado ou senador. Não é conduta de quem se diz representante dos
anseios do povo.
publicada em 02-09-11
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Cegueira política
As exonerações de ministros de Dilma criaram um mal estar muito grande entre os petistas. Isso porque a presidente ganha fama de ser linha dura contra a corrupção. Os elogios que partem da opinião nesse sentido, que deveriam ser louvados, estão ganhando outra interpretação: a de que Dilma está fazendo o que Lula não fez ou, num sentido mais amplo, a de que as faxinas dão a entender de que o governo do ex-presidente era corrupto.
É uma questão de lógica: se os ministros, ou os assessores diretamente ligados a eles, são os mesmos, alguns fatos aconteceram no governo passado. Se levarmos em conta que a presidente assumiu há pouco mais de oito meses, e que as operações que desbarataram esquemas fraudulentos não foram feitas do dia para noite, fica claro que o Governo Lula não foi um símbolo de honestidade, com Lula tendo conhecimento das falcatruas ou não.
Aqui não vai uma crítica diretamente, ou exclusivamente, ao maior ícone petista. Aceito os argumentos de que apenas nos últimos anos órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União ganharam corpo e maturidade suficiente para fazer operações que não tinham tanta força na época de FHC, Itamar, Collor, Sarney e muito menos durante a Ditadura (queria ver quem teria peito de investigar os generais...). O problema nisso tudo é que vejo não apenas a tentativa de tornar Lula um santo pelas conquistas sociais, mas sim para trazê-lo de volta em 2014.
Leitor, não me entenda mal. Lula sempre será visto como o homem humilde que chegou à presidência e que, bem ou mal, manteve a economia no eixo do crescimento apesar de forte crise, que diminuiu o número de miseráveis do Brasil, que ampliou as vagas nas universidades federais, etc, etc, etc. Mas, infelizmente, é impossível negar que sua gestão alcançou tudo isso a partir do inchaço da máquina pública e de alianças com pessoas de moral duvidosa para manter a tal “governabilidade”, alianças estas bastante heterogêneas, e não ideológicas, que serviram de sustentação para fazer com que ele alcança-se a maior popularidade “nunca antes na história desse país” vista. Lula pagou um preço. Assim como Dilma pagará o inverso se continuar mexendo na posição dessa gente.
***
Uma das coisas que mais me irrita quando converso sobre política é quando o interlocutor é apaixonado o suficiente para não enxergar defeitos naquilo que defende, no caso, em Lula. Eu não agüento esta barreira que se criou ao redor da imagem do ex-presidente, que transforma ele em algo acima de tudo e de todos, como se fosse mais do que humano. É uma defesa cega, de quem aceita que coisas ruins possam ser compensadas por coisas boas e vice-versa. Se você tentar discutir mensalão, dificilmente não será alvejado por uma chuva de argumentos do tipo “ele fez isso, ele fez aquilo, ele é o cara”, etc. É irritante. Tão irritante como discutir futebol com um torcedor do time que está por baixo, pois ele sempre puxará títulos do passado para justificar que seu clube é o melhor.
Entendam: ninguém é perfeito. Essa necessidade de se criar um herói (sobretudo entre alguns militantes xiitas de esquerda, se é que o termo “esquerda” ainda possa ser aplicado) é uma bobagem, é aceitar viver de ilusão, é simpatizar com um assaltante que levou a carteira, mas que deixou os documentos (isto é apenas uma metáfora, não estou chamando Lula de assaltante, apenas criticando aqueles que fecham os olhos para “probleminhas” de sua gestão). É cegueira política!
26-08-11
É uma questão de lógica: se os ministros, ou os assessores diretamente ligados a eles, são os mesmos, alguns fatos aconteceram no governo passado. Se levarmos em conta que a presidente assumiu há pouco mais de oito meses, e que as operações que desbarataram esquemas fraudulentos não foram feitas do dia para noite, fica claro que o Governo Lula não foi um símbolo de honestidade, com Lula tendo conhecimento das falcatruas ou não.
Aqui não vai uma crítica diretamente, ou exclusivamente, ao maior ícone petista. Aceito os argumentos de que apenas nos últimos anos órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União ganharam corpo e maturidade suficiente para fazer operações que não tinham tanta força na época de FHC, Itamar, Collor, Sarney e muito menos durante a Ditadura (queria ver quem teria peito de investigar os generais...). O problema nisso tudo é que vejo não apenas a tentativa de tornar Lula um santo pelas conquistas sociais, mas sim para trazê-lo de volta em 2014.
Leitor, não me entenda mal. Lula sempre será visto como o homem humilde que chegou à presidência e que, bem ou mal, manteve a economia no eixo do crescimento apesar de forte crise, que diminuiu o número de miseráveis do Brasil, que ampliou as vagas nas universidades federais, etc, etc, etc. Mas, infelizmente, é impossível negar que sua gestão alcançou tudo isso a partir do inchaço da máquina pública e de alianças com pessoas de moral duvidosa para manter a tal “governabilidade”, alianças estas bastante heterogêneas, e não ideológicas, que serviram de sustentação para fazer com que ele alcança-se a maior popularidade “nunca antes na história desse país” vista. Lula pagou um preço. Assim como Dilma pagará o inverso se continuar mexendo na posição dessa gente.
***
Uma das coisas que mais me irrita quando converso sobre política é quando o interlocutor é apaixonado o suficiente para não enxergar defeitos naquilo que defende, no caso, em Lula. Eu não agüento esta barreira que se criou ao redor da imagem do ex-presidente, que transforma ele em algo acima de tudo e de todos, como se fosse mais do que humano. É uma defesa cega, de quem aceita que coisas ruins possam ser compensadas por coisas boas e vice-versa. Se você tentar discutir mensalão, dificilmente não será alvejado por uma chuva de argumentos do tipo “ele fez isso, ele fez aquilo, ele é o cara”, etc. É irritante. Tão irritante como discutir futebol com um torcedor do time que está por baixo, pois ele sempre puxará títulos do passado para justificar que seu clube é o melhor.
Entendam: ninguém é perfeito. Essa necessidade de se criar um herói (sobretudo entre alguns militantes xiitas de esquerda, se é que o termo “esquerda” ainda possa ser aplicado) é uma bobagem, é aceitar viver de ilusão, é simpatizar com um assaltante que levou a carteira, mas que deixou os documentos (isto é apenas uma metáfora, não estou chamando Lula de assaltante, apenas criticando aqueles que fecham os olhos para “probleminhas” de sua gestão). É cegueira política!
26-08-11
Rifas e mais rifas
“Tio, tio, quer comprar uma rifa?”. É para ajudar na compra de equipamentos
para o grupo de jovens A, para a cobertura da quadra esportiva da escola municipal B,
para a compra de livros para a escola estadual Y, para mandar fazer os trajes do grupo
de danças TAL, para custear parte da viagem da escolhinha Z. Um real o número, dois
reais, cinco, dez, 20. Concorre a um ferro elétrico, um DVD, um computador, uma
camiseta. Mas um muito obrigado sempre é garantido.
Quem nunca teve que vender uma rifa atire a primeira pedra. Eu perdi as contas
de quantas rifas tive que vender. Foi para a escolhinha de futebol, para o CTG, para a
escola, para o grupo de danças étnicas. E geralmente vendia muito poucos números,
sempre para os mesmos tios e vizinhos. Tinha vergonha. Fazia aquilo sempre porque
os “tios” das entidades mandavam, mesmo sendo beneficiado de alguma forma com
aquilo achava que as pessoas ficariam ofendidas com o oferecimento de um número.
Acabava que mais da metade do bloco ficava para meus pais venderem para alguns
amigos e comprassem o restante. Foram muitos os números comprados por eles, e não
lembro de terem conseguido algum prêmio...
Lembrei de tudo isso nessa semana, em que participei de uma reunião de pais.
Vem mais rifa por aí. Como tantas outras que devem estar circulando na praça. Mas
hoje eu já penso diferente de quando era mais novo. Até porque já não estou mais do
lado daqueles que vendem, e sim daqueles que compram os números. Por mais que às
vezes a vontade seja de dizer não, sou a favor das ações entre amigos.
Claro que há rifas e rifas. As entidades também precisam ter “desconfiômetro”
e não pôr praça bloquinhos por qualquer coisa. Mas eu entendo as dificuldades pelas
quais esses grupos passam. E além do mais, julgo que essas mordidinhas, que nos
incomodam um pouco, somadas a todas as outras mordidas, trazem benefícios. Se for
para cobrir uma quadra, é porque teremos mais uma opção de lazer para os jovens
praticarem esportes. Se for para a confecção de trajes, é porque na próxima promoção
na praça veremos os grupos ainda mais bonitos. E toda essa beleza nos representará
nos municípios fora daqui. O mesmo ocorre com escolhinhas de futebol. Essa gurizada
vai divulgar nossos clubes em outras querências. Além de tudo, vão conhecer lugares
novos, sair da rotina, confraternizar com pessoas de outros cantos. Mas, principalmente,
os trocados usados para comprar um número de rifa vão incentivar a molecada a
manter uma atividade saudável, a conviver socialmente, e afastar em parte o perigo da
criminalidade ou drogadição. E mesmo quando a rifa é coisa de “adulto”, geralmente há
intenções altruístas por trás dos blocos.
Solidariedade, essa é a característica da ação entre amigos. O mesmo vale para
almoços, jantar baile, pedágios, etc. O importante não é levar para o lado da “mordida”
– tente nunca somar tudo o que você já investiu em rifas e não ganhou sequer um
relógio de parede. Pense que você está ajudando a viabilizar atividades saudáveis no seu
município.
Eu mesmo já pensei várias vezes em desviar a rua para fugir da gurizada dos
bloquinhos. Mas mudei de ideia no momento em que percebi porque alguém compra
um bilhete por cinco pila correndo o risco de ganhar uma tábua de passar roupa. É
só olhar nos olhos das crianças que chegam com uma rifa e pronto, não tem saída.
Aqueles “petebês” que estavam perdidos no bolso acham novo dono na hora.
19-08-11
para o grupo de jovens A, para a cobertura da quadra esportiva da escola municipal B,
para a compra de livros para a escola estadual Y, para mandar fazer os trajes do grupo
de danças TAL, para custear parte da viagem da escolhinha Z. Um real o número, dois
reais, cinco, dez, 20. Concorre a um ferro elétrico, um DVD, um computador, uma
camiseta. Mas um muito obrigado sempre é garantido.
Quem nunca teve que vender uma rifa atire a primeira pedra. Eu perdi as contas
de quantas rifas tive que vender. Foi para a escolhinha de futebol, para o CTG, para a
escola, para o grupo de danças étnicas. E geralmente vendia muito poucos números,
sempre para os mesmos tios e vizinhos. Tinha vergonha. Fazia aquilo sempre porque
os “tios” das entidades mandavam, mesmo sendo beneficiado de alguma forma com
aquilo achava que as pessoas ficariam ofendidas com o oferecimento de um número.
Acabava que mais da metade do bloco ficava para meus pais venderem para alguns
amigos e comprassem o restante. Foram muitos os números comprados por eles, e não
lembro de terem conseguido algum prêmio...
Lembrei de tudo isso nessa semana, em que participei de uma reunião de pais.
Vem mais rifa por aí. Como tantas outras que devem estar circulando na praça. Mas
hoje eu já penso diferente de quando era mais novo. Até porque já não estou mais do
lado daqueles que vendem, e sim daqueles que compram os números. Por mais que às
vezes a vontade seja de dizer não, sou a favor das ações entre amigos.
Claro que há rifas e rifas. As entidades também precisam ter “desconfiômetro”
e não pôr praça bloquinhos por qualquer coisa. Mas eu entendo as dificuldades pelas
quais esses grupos passam. E além do mais, julgo que essas mordidinhas, que nos
incomodam um pouco, somadas a todas as outras mordidas, trazem benefícios. Se for
para cobrir uma quadra, é porque teremos mais uma opção de lazer para os jovens
praticarem esportes. Se for para a confecção de trajes, é porque na próxima promoção
na praça veremos os grupos ainda mais bonitos. E toda essa beleza nos representará
nos municípios fora daqui. O mesmo ocorre com escolhinhas de futebol. Essa gurizada
vai divulgar nossos clubes em outras querências. Além de tudo, vão conhecer lugares
novos, sair da rotina, confraternizar com pessoas de outros cantos. Mas, principalmente,
os trocados usados para comprar um número de rifa vão incentivar a molecada a
manter uma atividade saudável, a conviver socialmente, e afastar em parte o perigo da
criminalidade ou drogadição. E mesmo quando a rifa é coisa de “adulto”, geralmente há
intenções altruístas por trás dos blocos.
Solidariedade, essa é a característica da ação entre amigos. O mesmo vale para
almoços, jantar baile, pedágios, etc. O importante não é levar para o lado da “mordida”
– tente nunca somar tudo o que você já investiu em rifas e não ganhou sequer um
relógio de parede. Pense que você está ajudando a viabilizar atividades saudáveis no seu
município.
Eu mesmo já pensei várias vezes em desviar a rua para fugir da gurizada dos
bloquinhos. Mas mudei de ideia no momento em que percebi porque alguém compra
um bilhete por cinco pila correndo o risco de ganhar uma tábua de passar roupa. É
só olhar nos olhos das crianças que chegam com uma rifa e pronto, não tem saída.
Aqueles “petebês” que estavam perdidos no bolso acham novo dono na hora.
19-08-11
Pobre Dilma
Ando com pena da presidente Dilma. A cada escândalo envolvendo gente de seus ministérios, imagino o que ela deve estar pensando. “Onde é que fui me meter?”, é a frase que acho mais adequada ao momento vivido. Será que não bate um certo arrependimento de ter aceitado ser indicada por Lula como sucessora?
Sabemos que nossa presidente nunca chegaria ao cargo não fossem os esforços e a popularidade de Lula. Há quem diga que ela foi a escolhida justamente para fazer um mandato tampão, para preparar a volta do nosso “bom velhinho”. Só que, independentemente de como Dilma chegou ao governo, o “presente” só trouxe dores de cabeça. Mais ou menos como o netinho que ganha do avô um bonitão e luxuoso Ford Galaxie de mais de 40 anos e que pouco consegue andar porque consome muito combustível e porque está toda hora no conserto, a presidente se vê com uma herança indesejável.
Quando pegou o governo, teve que manter a estrutura do seu antecessor, especialmente para agradar a base aliada e ter “governabilidade”. Mas em menos de um ano à frente do governo, viu que precisará de muito sacrifício para acabar com algumas práticas que vinham sendo adotadas há anos. Não pense você, caro leitor, que são de hoje os problemas nos ministérios dos Transportes, das Cidades, da Agricultura, do Turismo. Apenas estouraram nos últimos dias. E estão mandando também para o espaço a popularidade da presidente. Segundo pesquisa do Ibope (*) divulgada na última quarta-feira, o governo é aprovado por 67% dos eleitores, ante 73% de março. O pior índice é o de desaprovação, que saltou de 12% para 25% em cinco meses. E aqueles que consideram o governo ótimo ou bom caíram de 56% ara 48%. Também devemos levar em conta que os escândalos no Ministério do Turismo ainda não haviam chegado às páginas dos jornais.
Pior é que Dilma se obriga a não desamparar os envolvidos. Para não macular ainda mais o governo, ela já exonerou alguns. Mas quem sai, tenta levar mais gente junto para a fogueira. Para evitar CPIs, o governo manda os envolvidos “espontaneamente” para Congresso. Os partidos, para não arcarem sozinhos com o ônus, incriminam o máximo de dirigentes de outras siglas. Parlamentares que são dos partidos envolvidos, mas que não estão ligados aos escândalos, se voltam contra os colegas para não ficarem queimados junto aos eleitores. É fogo amigo, fogo inimigo, uma briga de foice no escuro entre aqueles que amam o poder e se agarram aos cargos como se fosse um bote no oceano durante um tsunami. Tsunami, é isso mesmo que o governo Dilma está enfrentando.
A “pobre” presidente não pode confiar em ninguém. Dá para notar o embaraço cada vez que se vê obrigada a amainar os fatos. Deve estar se sentindo como o aluno que foi para a secretaria porque estava perto da turma dos bagunceiros. Como não tem cintura política como tinha Lula, e com uma paciência de ralo pavio, imagino Dilma socando diariamente as paredes do recém reformado Palácio do Planalto.
Em defesa da presidente, tenho a dizer que sei que muito não é culpa dela. E que torço para que sua popularidade baixe ainda mais, que todas as falcatruas sejam descobertas, e que ela tenha forças para exonerar ainda mais ministros e assessores de segundo e terceiro escalão. Enfim, que ela troque as peças do Galaxie caindo aos pedaços que ela recebeu e finalmente o coloque para andar.
(*) Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias, realizada entre 28 e 31 de julho, com 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 141 municípios de todas as regiões do país. Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
publicada em 12-08-11
Sabemos que nossa presidente nunca chegaria ao cargo não fossem os esforços e a popularidade de Lula. Há quem diga que ela foi a escolhida justamente para fazer um mandato tampão, para preparar a volta do nosso “bom velhinho”. Só que, independentemente de como Dilma chegou ao governo, o “presente” só trouxe dores de cabeça. Mais ou menos como o netinho que ganha do avô um bonitão e luxuoso Ford Galaxie de mais de 40 anos e que pouco consegue andar porque consome muito combustível e porque está toda hora no conserto, a presidente se vê com uma herança indesejável.
Quando pegou o governo, teve que manter a estrutura do seu antecessor, especialmente para agradar a base aliada e ter “governabilidade”. Mas em menos de um ano à frente do governo, viu que precisará de muito sacrifício para acabar com algumas práticas que vinham sendo adotadas há anos. Não pense você, caro leitor, que são de hoje os problemas nos ministérios dos Transportes, das Cidades, da Agricultura, do Turismo. Apenas estouraram nos últimos dias. E estão mandando também para o espaço a popularidade da presidente. Segundo pesquisa do Ibope (*) divulgada na última quarta-feira, o governo é aprovado por 67% dos eleitores, ante 73% de março. O pior índice é o de desaprovação, que saltou de 12% para 25% em cinco meses. E aqueles que consideram o governo ótimo ou bom caíram de 56% ara 48%. Também devemos levar em conta que os escândalos no Ministério do Turismo ainda não haviam chegado às páginas dos jornais.
Pior é que Dilma se obriga a não desamparar os envolvidos. Para não macular ainda mais o governo, ela já exonerou alguns. Mas quem sai, tenta levar mais gente junto para a fogueira. Para evitar CPIs, o governo manda os envolvidos “espontaneamente” para Congresso. Os partidos, para não arcarem sozinhos com o ônus, incriminam o máximo de dirigentes de outras siglas. Parlamentares que são dos partidos envolvidos, mas que não estão ligados aos escândalos, se voltam contra os colegas para não ficarem queimados junto aos eleitores. É fogo amigo, fogo inimigo, uma briga de foice no escuro entre aqueles que amam o poder e se agarram aos cargos como se fosse um bote no oceano durante um tsunami. Tsunami, é isso mesmo que o governo Dilma está enfrentando.
A “pobre” presidente não pode confiar em ninguém. Dá para notar o embaraço cada vez que se vê obrigada a amainar os fatos. Deve estar se sentindo como o aluno que foi para a secretaria porque estava perto da turma dos bagunceiros. Como não tem cintura política como tinha Lula, e com uma paciência de ralo pavio, imagino Dilma socando diariamente as paredes do recém reformado Palácio do Planalto.
Em defesa da presidente, tenho a dizer que sei que muito não é culpa dela. E que torço para que sua popularidade baixe ainda mais, que todas as falcatruas sejam descobertas, e que ela tenha forças para exonerar ainda mais ministros e assessores de segundo e terceiro escalão. Enfim, que ela troque as peças do Galaxie caindo aos pedaços que ela recebeu e finalmente o coloque para andar.
(*) Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias, realizada entre 28 e 31 de julho, com 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 141 municípios de todas as regiões do país. Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
publicada em 12-08-11
Criaturas de hábitos noturno
Há cerca de oito meses, montei um bar em Porto Alegre. Muitos amigos acharam que eu estava ficando louco, outros me diziam que eu estava realizando o sonho deles. Sem dúvida, era uma experiência completamente nova. E um tanto diferente do que eu esperava.
Sempre gostei da noite. E sempre tive a certeza de que as pessoas mais interessantes, inteligentes, cultas, com opinião também gostassem. Esperava isso porque meus principais ídolos, seja da literatura, do jornalismo, da política ou da música, foram (ou são) grandes boêmios. Não é necessário enumera-los, basta pensar no século ou década que se encontram dúzias de grandes personalidades que gostava de um bar. O que não levava em conta é que, infelizmente, para cada pessoa diferenciada que se encontra na noite, há milhares de outras com um “currículo” não tão bom.
Não que não esperasse não conviver com essas “criaturas”. Meu sócio já havia advertido por conhecer a freguesia (na verdade eu mesmo era cliente do antigo bar dele, que ficava na esquina de casa), que ele chama de “diabedo”. Com o tempo, eu também adotei o termo de forma “carinhosa”. Até porque a quantidade de viciados, traficantes, vigaristas, desocupados e corruptos (sobretudo policiais!) que se conhece não é pequena. E todos têm histórias de vida semelhantes de qualquer conhecido seu.
Nesses meses, perdi mais minha inocência do que quando descobri que não tinha sido a cegonha que me trouxe para esse mundo. Não que tenha me envolvido nas práticas escusas de cada uma dessas pessoas. Mas porque, efetivamente, descobri que essas atividades marginais não escolhem cor, idade, classe social, etc. Para quem convivia mais tempo geralmente com pessoas sem essas práticas, foi um choque. Especialmente por causa das drogas: o que antigamente chamava-se de exceções, já virou regra há muito tempo.
E o pior: as pessoas chegam perto de você sem causar medo algum. São sujeitos “boa praça”, de fala mansa, divertidos, que não botam banca, e que são respeitosos. Na rua em que eu morava, e onde montei o estabelecimento, ninguém assaltava, roubava carros ou praticava qualquer crime. Caso acontecesse, os traficantes mostravam poder de polícia. No meu bar mesmo, a ordem era comportamento, porque os traficantes gostavam do ambiente e não queriam problemas, especialmente porque sabiam que nem eu nem meu sócio éramos do “metiê”. Um sujeito que quase chegou às vias de fato com a própria mulher no meu bar foi impedido, não por mim, mas pelos traficantes de freqüentar o local.
Vocês acham que eu iria impedir eles de freqüentar o bar? Só se eu quisesse perder 90% da freguesia. E não era porque era o meu bar: conversando com outros proprietários, inclusive de bares de classe A, o resultado é o mesmo. O uso de drogas, assim como alarma por atingir tanta gente, é silencioso porque quem deve teme. Não há conflitos. E é assim que o tráfico avança. Na “manha”, de cara limpa e com um sorriso no rosto, ocupando os lugares que menos se espera. Foi dessa maneira que se foram os resquícios da minha idéia de que os traficantes e usuários fossem pessoas do mal, como eu pensava quando tinha 15 anos. E acho que, por pensarem da mesma forma de quando eu tinha uma década e meia de vida, que as autoridades não conseguem acabar com essa doença da nossa sociedade. Mas isso é assunto para outra coluna...
05-08-11
Sempre gostei da noite. E sempre tive a certeza de que as pessoas mais interessantes, inteligentes, cultas, com opinião também gostassem. Esperava isso porque meus principais ídolos, seja da literatura, do jornalismo, da política ou da música, foram (ou são) grandes boêmios. Não é necessário enumera-los, basta pensar no século ou década que se encontram dúzias de grandes personalidades que gostava de um bar. O que não levava em conta é que, infelizmente, para cada pessoa diferenciada que se encontra na noite, há milhares de outras com um “currículo” não tão bom.
Não que não esperasse não conviver com essas “criaturas”. Meu sócio já havia advertido por conhecer a freguesia (na verdade eu mesmo era cliente do antigo bar dele, que ficava na esquina de casa), que ele chama de “diabedo”. Com o tempo, eu também adotei o termo de forma “carinhosa”. Até porque a quantidade de viciados, traficantes, vigaristas, desocupados e corruptos (sobretudo policiais!) que se conhece não é pequena. E todos têm histórias de vida semelhantes de qualquer conhecido seu.
Nesses meses, perdi mais minha inocência do que quando descobri que não tinha sido a cegonha que me trouxe para esse mundo. Não que tenha me envolvido nas práticas escusas de cada uma dessas pessoas. Mas porque, efetivamente, descobri que essas atividades marginais não escolhem cor, idade, classe social, etc. Para quem convivia mais tempo geralmente com pessoas sem essas práticas, foi um choque. Especialmente por causa das drogas: o que antigamente chamava-se de exceções, já virou regra há muito tempo.
E o pior: as pessoas chegam perto de você sem causar medo algum. São sujeitos “boa praça”, de fala mansa, divertidos, que não botam banca, e que são respeitosos. Na rua em que eu morava, e onde montei o estabelecimento, ninguém assaltava, roubava carros ou praticava qualquer crime. Caso acontecesse, os traficantes mostravam poder de polícia. No meu bar mesmo, a ordem era comportamento, porque os traficantes gostavam do ambiente e não queriam problemas, especialmente porque sabiam que nem eu nem meu sócio éramos do “metiê”. Um sujeito que quase chegou às vias de fato com a própria mulher no meu bar foi impedido, não por mim, mas pelos traficantes de freqüentar o local.
Vocês acham que eu iria impedir eles de freqüentar o bar? Só se eu quisesse perder 90% da freguesia. E não era porque era o meu bar: conversando com outros proprietários, inclusive de bares de classe A, o resultado é o mesmo. O uso de drogas, assim como alarma por atingir tanta gente, é silencioso porque quem deve teme. Não há conflitos. E é assim que o tráfico avança. Na “manha”, de cara limpa e com um sorriso no rosto, ocupando os lugares que menos se espera. Foi dessa maneira que se foram os resquícios da minha idéia de que os traficantes e usuários fossem pessoas do mal, como eu pensava quando tinha 15 anos. E acho que, por pensarem da mesma forma de quando eu tinha uma década e meia de vida, que as autoridades não conseguem acabar com essa doença da nossa sociedade. Mas isso é assunto para outra coluna...
05-08-11
Bola pro mato, Dilma!
Está no www.folha.com de quarta-feira, mais especificamente no blog do Josias de Souza. Dirigentes do PMDB e do PT (“os dois sócios majoritários da aliança governista”, segundo o colunista) já começam a dar como certa a volta de Lula em 2014. Dirigentes de ambas as siglas, que pediram para não ter o nome publicado para não se incomodarem, citaram uma série de motivos para isso.
Apesar de Lula negar que vá concorrer e garantir que é a favor de que Dilma concorra à reeleição, ninguém parece levar isso a sério. Alguns apontaram as constantes aparições de Lula (cedo demais, na opinião de alguns), como comportamento de candidato. Um governador petista alega, inclusive, que em 2018 Lula estará 73 anos, e seria melhor antecipar seu retorno ao comando do país. Outro entrevistado apontam que o comportamento de Dilma faz com que os partidos que apóiam o governo exijam Lula, sob a ameaça de trocar de lado.
Este é o ponto: porque estão incomodados com o comportamento da presidente? Como adiantei ainda no ano passado, Dilma está mais para a ex-governadora Yeda Crusius do que para Lula, ou seja, é muito mais técnica do que política. O estilo “zagueirão” como a presidente agiu no escândalo do Ministério dos Transportes, por exemplo, passando o rodo, está sendo criticado por muitos aliados. O medo é que isso volte a acontecer, não afetando apenas o PR. Diferentemente de Lula, que segurou seus ministros o máximo que pode em cada escândalo, Dilma atendeu a opinião pública e fez uma limpa. E já tem gente com medo de que isso volte a se repetir.
Outro fato – isso não está na matéria referida - que vai contra a presidente é que os aliados ainda não digeriram a escolha de Gleisi Hoffman para substituir Palocci na Casa Civil. Isso porque Gleisi também é vista como “cintura dura” devido a sua atuação quando secretaria no Mato Grosso do Sul. Só para constar: como secretária extraordinária da Reforma Administrativa no governo Zeca do PT, no final dos anos 90, Gleisi foi exonerada por ser considerada “sargentão”. Em pouco menos de dois anos, ela cortou 30% dos cargos em comissão (cerca de 1.500 funcionários), extinguiu quatro secretarias (de 15 para 11), extinguiu e fundiu empresas públicas e controlou as despesas do governo. Diga-se de passagem que a situação do Estado exigia pulso firme no controle de gastos. Mas o trabalho desenvolvido, considerado administrativamente como muito bom, foi seu pecado. Mexeu com quem não devia.
No momento, a ministra estaria instruída pela presidente a nem receber os deputados e senadores que passam o pires atrás de emendas para não se dar o trabalho de dizer não. E adivinha: o povo da base não está satisfeito...
***
Pois, se é assim, torço muito para que Dilma fique indignada com os boatos de uma possível volta de Lula e haja com ainda mais firmeza. Que venham mais “faxinas” nos órgãos federais, tanto em Brasília como nos estados. Que ocorra controle nos gastos públicos. Com certeza ela vai perder muitos cabos eleitorais, e pode ser que nem concorra. Mas ficaria grato se ela moralizasse um pouco essa zona. E endossaria meu pensamento de que um bom gestor não consegue se reeleger. Bola pro mato, Dilma!
29-07-11
Apesar de Lula negar que vá concorrer e garantir que é a favor de que Dilma concorra à reeleição, ninguém parece levar isso a sério. Alguns apontaram as constantes aparições de Lula (cedo demais, na opinião de alguns), como comportamento de candidato. Um governador petista alega, inclusive, que em 2018 Lula estará 73 anos, e seria melhor antecipar seu retorno ao comando do país. Outro entrevistado apontam que o comportamento de Dilma faz com que os partidos que apóiam o governo exijam Lula, sob a ameaça de trocar de lado.
Este é o ponto: porque estão incomodados com o comportamento da presidente? Como adiantei ainda no ano passado, Dilma está mais para a ex-governadora Yeda Crusius do que para Lula, ou seja, é muito mais técnica do que política. O estilo “zagueirão” como a presidente agiu no escândalo do Ministério dos Transportes, por exemplo, passando o rodo, está sendo criticado por muitos aliados. O medo é que isso volte a acontecer, não afetando apenas o PR. Diferentemente de Lula, que segurou seus ministros o máximo que pode em cada escândalo, Dilma atendeu a opinião pública e fez uma limpa. E já tem gente com medo de que isso volte a se repetir.
Outro fato – isso não está na matéria referida - que vai contra a presidente é que os aliados ainda não digeriram a escolha de Gleisi Hoffman para substituir Palocci na Casa Civil. Isso porque Gleisi também é vista como “cintura dura” devido a sua atuação quando secretaria no Mato Grosso do Sul. Só para constar: como secretária extraordinária da Reforma Administrativa no governo Zeca do PT, no final dos anos 90, Gleisi foi exonerada por ser considerada “sargentão”. Em pouco menos de dois anos, ela cortou 30% dos cargos em comissão (cerca de 1.500 funcionários), extinguiu quatro secretarias (de 15 para 11), extinguiu e fundiu empresas públicas e controlou as despesas do governo. Diga-se de passagem que a situação do Estado exigia pulso firme no controle de gastos. Mas o trabalho desenvolvido, considerado administrativamente como muito bom, foi seu pecado. Mexeu com quem não devia.
No momento, a ministra estaria instruída pela presidente a nem receber os deputados e senadores que passam o pires atrás de emendas para não se dar o trabalho de dizer não. E adivinha: o povo da base não está satisfeito...
***
Pois, se é assim, torço muito para que Dilma fique indignada com os boatos de uma possível volta de Lula e haja com ainda mais firmeza. Que venham mais “faxinas” nos órgãos federais, tanto em Brasília como nos estados. Que ocorra controle nos gastos públicos. Com certeza ela vai perder muitos cabos eleitorais, e pode ser que nem concorra. Mas ficaria grato se ela moralizasse um pouco essa zona. E endossaria meu pensamento de que um bom gestor não consegue se reeleger. Bola pro mato, Dilma!
29-07-11
Muito além dos pênaltis
Já ouvi mais de um articulista falando que, se o brasileiro se preocupasse com política como se preocupa com futebol, o país seria a maior potência do mundo. Pois isso não é verdade. A preocupação do brasileiro em relação ao futebol é bem semelhante a que tem com a política.
Não basta ficar irritado com os quatro pênaltis perdidos pela seleção no último domingo, ou xingar Mano Menezes, Ganso, Pato e a Granja Comary toda. Essa é a parte “menos pior” do que ocorre no futebol brasileiro, sobretudo envolvendo a CBF. Perdoem-me a generalização, mas bons entendedores sabem do que estou falando. O mundo do futebol consegue ser tanto quanto ou mais corrupto que o da política (se é que existe mais ou menos corrupto; corrupção é corrupção). A massa se preocupa com os três pontos conquistados ou perdidos no campo, com troca de técnico, não quer nem saber do que há por trás disso tudo (falo com a autoridade de quem, em dias de jogos, enquadra-se nessa turma: esqueço dos bastidores e corro para o Olímpico). Assim como na política: de dois em dois anos, os cidadãos lembram que são eleitores e, na hora de votar, preferem não saber o que ocorreu durante tudo o que aconteceu durante o mandato.
O que já se sabia ficou ainda mais evidente com a declaração de guerra por parte da TV Record contra a CBF e seu presidente vitalício, Ricardo Teixeira. Insatisfeitos por serem preteridos pela entidade, que desde sempre protegeria e seria protegida pela Globo, os diretores da emissora da Universal resolveram descarregar a metralhadora. O que estava mascarado por uma fina cortina quase transparente, foi noticiado de maneira clara e cheia de comprovações. Quem ainda não viu as reportagens, divulgadas há mais de um mês, pode procurar no youtube.
Não vai caber tudo nestes 3 mil caracteres. Mas há denúncias de corrupção para mais de metro, em nível tupiniquim e em nível Fifa; há ameaças e demonstrações de arrogância, prepotência e certeza de impunidade por parte do ex-genro de João Havelange que eu achava incapaz de caber numa pessoa só.
Agora, porque a Record está divulgando tudo isso? Embora tente fazer parecer que é por “puro jornalismo”, sabe-se que o furo é mais embaixo. Mesmo oferecendo mais dinheiro do que a Globo, a emissora não consegue se incluir no grupo de amiguinhos de Teixeira. Tentou ganhar os direitos de transmissão do Brasileirão. Não fez proposta, pois sabia que ira perder. Apenas a RedeTV participou da “licitação” do Clube dos 13. A CBF contornou, e os clubes, um por um, venderam os direitos de transmissão para a Globo, fragilizando a entidade liderada por Fábio Koff. O mesmo ocorreu na disputa pela Copa do Mundo e pelos jogos da Seleção. Só deu Globo. A Record vai transmitir o Pan-Americano, mas a CBF decidiu colocar em campo, ao invés da seleção pré-olímpica com estrelas como Neymar, apenas o selecionado sub-17.
Quando se pensa nisso, dá vontade de jogar vôlei! Pior ainda é saber que a verdade vem à tona não porque a Record é boazinha, mas apenas porque está de beiço com a CBF; e que a Globo e as outras emissoras não fazem nada porque senão perdem as regalias. Tem muita coisa no armário que não é exposta porque queimaria muita, mas muita gente mesmo. É tudo bem mais feio do que a cobrança do Elano...
22-07-11
Não basta ficar irritado com os quatro pênaltis perdidos pela seleção no último domingo, ou xingar Mano Menezes, Ganso, Pato e a Granja Comary toda. Essa é a parte “menos pior” do que ocorre no futebol brasileiro, sobretudo envolvendo a CBF. Perdoem-me a generalização, mas bons entendedores sabem do que estou falando. O mundo do futebol consegue ser tanto quanto ou mais corrupto que o da política (se é que existe mais ou menos corrupto; corrupção é corrupção). A massa se preocupa com os três pontos conquistados ou perdidos no campo, com troca de técnico, não quer nem saber do que há por trás disso tudo (falo com a autoridade de quem, em dias de jogos, enquadra-se nessa turma: esqueço dos bastidores e corro para o Olímpico). Assim como na política: de dois em dois anos, os cidadãos lembram que são eleitores e, na hora de votar, preferem não saber o que ocorreu durante tudo o que aconteceu durante o mandato.
O que já se sabia ficou ainda mais evidente com a declaração de guerra por parte da TV Record contra a CBF e seu presidente vitalício, Ricardo Teixeira. Insatisfeitos por serem preteridos pela entidade, que desde sempre protegeria e seria protegida pela Globo, os diretores da emissora da Universal resolveram descarregar a metralhadora. O que estava mascarado por uma fina cortina quase transparente, foi noticiado de maneira clara e cheia de comprovações. Quem ainda não viu as reportagens, divulgadas há mais de um mês, pode procurar no youtube.
Não vai caber tudo nestes 3 mil caracteres. Mas há denúncias de corrupção para mais de metro, em nível tupiniquim e em nível Fifa; há ameaças e demonstrações de arrogância, prepotência e certeza de impunidade por parte do ex-genro de João Havelange que eu achava incapaz de caber numa pessoa só.
Agora, porque a Record está divulgando tudo isso? Embora tente fazer parecer que é por “puro jornalismo”, sabe-se que o furo é mais embaixo. Mesmo oferecendo mais dinheiro do que a Globo, a emissora não consegue se incluir no grupo de amiguinhos de Teixeira. Tentou ganhar os direitos de transmissão do Brasileirão. Não fez proposta, pois sabia que ira perder. Apenas a RedeTV participou da “licitação” do Clube dos 13. A CBF contornou, e os clubes, um por um, venderam os direitos de transmissão para a Globo, fragilizando a entidade liderada por Fábio Koff. O mesmo ocorreu na disputa pela Copa do Mundo e pelos jogos da Seleção. Só deu Globo. A Record vai transmitir o Pan-Americano, mas a CBF decidiu colocar em campo, ao invés da seleção pré-olímpica com estrelas como Neymar, apenas o selecionado sub-17.
Quando se pensa nisso, dá vontade de jogar vôlei! Pior ainda é saber que a verdade vem à tona não porque a Record é boazinha, mas apenas porque está de beiço com a CBF; e que a Globo e as outras emissoras não fazem nada porque senão perdem as regalias. Tem muita coisa no armário que não é exposta porque queimaria muita, mas muita gente mesmo. É tudo bem mais feio do que a cobrança do Elano...
22-07-11
O lado B da TV
Nos últimos tempos, contrai a mania de zapear com o controle remoto pelos canais mais obscuros da televisão. Mesmo não tendo tv a cabo, em Porto Alegre há uma gama de canais dos quais nunca havia ouvido falar (quem tem Parabólica pode fazer o mesmo em qualquer lugar). E descobri que, tirando o futebol, gosto mais desses pequenos canais.
Sem recursos para fazer novelas ou para adquirir direitos de transmissão de jogos ou de blockbusters, a programação geralmente oferece longas entrevistas com especialistas em todas as áreas (sobretudo professores universitários) e documentários que nunca serão mostrados em nenhum dos cinco poderosos canais. Graças a esse zapear, já aprendi desde o ciclo de vida da vespa até as grandes construções do mundo antigo, de como funciona o esôfago até as causas da apnéia, acompanhei discussões sobre aquecimento global e sobre a geração pós-moderna, etc... Na minha opinião (talvez não conte muito, porque já perdi horas assistindo as sessões das tvs Senado, Câmara, Assembleia e Justiça), tudo isso é bem mais interessante do que novelas ou fofocas de celebridades.
E tem também a sucateada TVE, que luta firmemente para ter uma programação de qualidade. Embora mantida pelo Estado, creio que por não ter tanta audiência, a emissora é de certa forma independente. E, de quebra, ainda retransmite os melhores programas da TV Cultura.
***
E foi numa dessas que, no último domingo, acabei assistindo a uma entrevista com o ex-governador Germano Rigotto. Era a reprise do programa da quinta-feira anterior (essas reprises são outra vantagem desses canais com menor audiência). Confesso que nunca fui um grande admirador do governo Rigotto, mas tive que dar o braço a torcer e reconhecer que o ex-chefe do Piratini deu um banho de conhecimento e inteligência política.
Sem ocupar cargos públicos, Rigotto atualmente ministra palestras e é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Ele deu explicações muito convincentes dos motivos pelos quais as reformas mais urgentes do país não saem do chão (Tributária, da Previdência, Política). “Sem a reforma política, nenhuma das outras vai acontecer”. Por quê? Porque há uma série de questões externas (como por exemplo a forma de arrecadação de verbas para campanha) que criam choque de interesses. Outro ponto interessante: Rigotto afirma que a Justiça toma decisões pelos parlamentares em vários casos, e citou o casamento entre homossexuais. “A Justiça acaba decidindo sobre o que o Congresso não dá conta por interesses políticos. A regulamentação de leis é responsabilidade de quem faz leis”, acrescenta.
***
A entrevista do ex-governador foi uma das tantas gratas surpresas que tive zapeando por vários outros canais. E cheguei a uma conclusão (ou fiz uma descoberta que para mim é grandiosa, por mais óbvia que pareça): essas pequenas emissoras informam mais do que as grandes redes. Você pode tirar a prova disso: assista no mesmo dia todos os principais telejornais de cada uma das emissoras e compare. As notícias são as mesmas, seja com o Boris, com o Willian ou com a Ana. Para as pessoas que gostam de estar bem informadas, fica essa dica.
publicada em 15-07-11
Sem recursos para fazer novelas ou para adquirir direitos de transmissão de jogos ou de blockbusters, a programação geralmente oferece longas entrevistas com especialistas em todas as áreas (sobretudo professores universitários) e documentários que nunca serão mostrados em nenhum dos cinco poderosos canais. Graças a esse zapear, já aprendi desde o ciclo de vida da vespa até as grandes construções do mundo antigo, de como funciona o esôfago até as causas da apnéia, acompanhei discussões sobre aquecimento global e sobre a geração pós-moderna, etc... Na minha opinião (talvez não conte muito, porque já perdi horas assistindo as sessões das tvs Senado, Câmara, Assembleia e Justiça), tudo isso é bem mais interessante do que novelas ou fofocas de celebridades.
E tem também a sucateada TVE, que luta firmemente para ter uma programação de qualidade. Embora mantida pelo Estado, creio que por não ter tanta audiência, a emissora é de certa forma independente. E, de quebra, ainda retransmite os melhores programas da TV Cultura.
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E foi numa dessas que, no último domingo, acabei assistindo a uma entrevista com o ex-governador Germano Rigotto. Era a reprise do programa da quinta-feira anterior (essas reprises são outra vantagem desses canais com menor audiência). Confesso que nunca fui um grande admirador do governo Rigotto, mas tive que dar o braço a torcer e reconhecer que o ex-chefe do Piratini deu um banho de conhecimento e inteligência política.
Sem ocupar cargos públicos, Rigotto atualmente ministra palestras e é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Ele deu explicações muito convincentes dos motivos pelos quais as reformas mais urgentes do país não saem do chão (Tributária, da Previdência, Política). “Sem a reforma política, nenhuma das outras vai acontecer”. Por quê? Porque há uma série de questões externas (como por exemplo a forma de arrecadação de verbas para campanha) que criam choque de interesses. Outro ponto interessante: Rigotto afirma que a Justiça toma decisões pelos parlamentares em vários casos, e citou o casamento entre homossexuais. “A Justiça acaba decidindo sobre o que o Congresso não dá conta por interesses políticos. A regulamentação de leis é responsabilidade de quem faz leis”, acrescenta.
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A entrevista do ex-governador foi uma das tantas gratas surpresas que tive zapeando por vários outros canais. E cheguei a uma conclusão (ou fiz uma descoberta que para mim é grandiosa, por mais óbvia que pareça): essas pequenas emissoras informam mais do que as grandes redes. Você pode tirar a prova disso: assista no mesmo dia todos os principais telejornais de cada uma das emissoras e compare. As notícias são as mesmas, seja com o Boris, com o Willian ou com a Ana. Para as pessoas que gostam de estar bem informadas, fica essa dica.
publicada em 15-07-11
A “morte” de Nascimento
Gostaria de ser psicanalista e atender algumas figuras de nossa política nacional. Sobretudo aquelas que se agarram ao poder como se fosse o último recurso. O que faz alguns seres humanos, que vêem tudo a sua volta afundar, agarrarem-se com todas as forças ao cargo, ao status, a medirem forças com o óbvio? Fazendo uma metáfora, o que faz com que, ao invés de pegar um bote e sumir, essas pessoas prefiram se agarrar ao barco e tentar tirar a água do convés com um copo furado, afogando o resto da tripulação?
Entro nesse assunto para entender a atitude do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Pois, segundo reportagem da revista Veja, o digníssimo ministro é acusado de envolvimento em um suposto esquema de corrupção, baseado na cobrança de propinas de 4% das empreiteiras e de 5% das empresas de consultoria que elaboram os projetos de obras em rodovias e ferrovias. Como é moda, Nascimento garantiu desde o início não saber de nada.
A presidente Dilma relutou em afastar o ministro. Até esta quarta-feira, ele permanecia no cargo. Caíram apenas o chefe de gabinete do ministro, um assessor, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot (que saiu de férias, ao invés de ser exonerado) e o presidente da Valec Engenharia (estatal ferroviária), José Francisco das Neves.
Nascimento poderia ter pedido o boné. Mas não queria sair pela porta dos fundos. Preferiu defender o posto, talvez para mostrar que nada o atingiria. Até que o jornal O Globo fez uma denúncia que fez o prédio do ministério tremer. A empresa do filho de Nascimento, que em 2005 foi aberta com um capital de R$ 60 mil, teria hoje um capital de R$ 52 milhões. Crescimento de módicos 86.500%. Cabe lembrar que Nascimento já era ministro no mandato de Lula, e só saiu para concorrer a deputado federal (sim, ele foi eleito).
Se o barco do ministro afundou, pode ter certeza de que mais gente ainda irá se afogar. Primeiro, divisão na própria base do governo, já que dirigentes do PMDB e do PT já fazem campanha nos corredores em busca da vaga que hoje é ocupada pelo PR. A coisa é tão óbvia, que até o Senado (cuja base governista é amplamente majoritária) aprovou requerimento para que Nascimento vá ao Congresso dar explicações (nem o requerimento convocando Palocci foi aprovado). Uma CPI no DNIT também está prestes a ser aprovada no Senado (faltam poucas assinaturas para confirmar a investigação parlamentar).
Disposto a “esclarecer” tudo, e mostrar “transparência”, ao invés do ministro se afastar até que tudo se esclareça, preferiu mandar suspender licitações de projetos, obras e serviços de sua pasta por 30 dias. E aí, adivinha quem é que toma (ops!), digo, quem paga o pato? Dou um naco de pão com banha para quem acertar. Uma pista: só no RS, no mínimo sete obras importantes terão o trâmite atrasado, inclusive parte de nossa pobre BR 386.
O amor ao poder de Nascimento, que poderia ter voltado para o Congresso Nacional, derrubou até o filho, causou complicações ao próprio partido e ao governo atual e ao anterior. Ele construiu o próprio túmulo. Diante de tudo, a presidente resolveu demitir o ministro. O que devia ter feito bem antes. Evitando se desgastar com um dos partidos da base, a presidente comprometeu o próprio governo. Que, diga-se de passagem, coleciona escândalos semelhantes. Mas isso é pra outra coluna.
08-07-11
Entro nesse assunto para entender a atitude do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Pois, segundo reportagem da revista Veja, o digníssimo ministro é acusado de envolvimento em um suposto esquema de corrupção, baseado na cobrança de propinas de 4% das empreiteiras e de 5% das empresas de consultoria que elaboram os projetos de obras em rodovias e ferrovias. Como é moda, Nascimento garantiu desde o início não saber de nada.
A presidente Dilma relutou em afastar o ministro. Até esta quarta-feira, ele permanecia no cargo. Caíram apenas o chefe de gabinete do ministro, um assessor, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot (que saiu de férias, ao invés de ser exonerado) e o presidente da Valec Engenharia (estatal ferroviária), José Francisco das Neves.
Nascimento poderia ter pedido o boné. Mas não queria sair pela porta dos fundos. Preferiu defender o posto, talvez para mostrar que nada o atingiria. Até que o jornal O Globo fez uma denúncia que fez o prédio do ministério tremer. A empresa do filho de Nascimento, que em 2005 foi aberta com um capital de R$ 60 mil, teria hoje um capital de R$ 52 milhões. Crescimento de módicos 86.500%. Cabe lembrar que Nascimento já era ministro no mandato de Lula, e só saiu para concorrer a deputado federal (sim, ele foi eleito).
Se o barco do ministro afundou, pode ter certeza de que mais gente ainda irá se afogar. Primeiro, divisão na própria base do governo, já que dirigentes do PMDB e do PT já fazem campanha nos corredores em busca da vaga que hoje é ocupada pelo PR. A coisa é tão óbvia, que até o Senado (cuja base governista é amplamente majoritária) aprovou requerimento para que Nascimento vá ao Congresso dar explicações (nem o requerimento convocando Palocci foi aprovado). Uma CPI no DNIT também está prestes a ser aprovada no Senado (faltam poucas assinaturas para confirmar a investigação parlamentar).
Disposto a “esclarecer” tudo, e mostrar “transparência”, ao invés do ministro se afastar até que tudo se esclareça, preferiu mandar suspender licitações de projetos, obras e serviços de sua pasta por 30 dias. E aí, adivinha quem é que toma (ops!), digo, quem paga o pato? Dou um naco de pão com banha para quem acertar. Uma pista: só no RS, no mínimo sete obras importantes terão o trâmite atrasado, inclusive parte de nossa pobre BR 386.
O amor ao poder de Nascimento, que poderia ter voltado para o Congresso Nacional, derrubou até o filho, causou complicações ao próprio partido e ao governo atual e ao anterior. Ele construiu o próprio túmulo. Diante de tudo, a presidente resolveu demitir o ministro. O que devia ter feito bem antes. Evitando se desgastar com um dos partidos da base, a presidente comprometeu o próprio governo. Que, diga-se de passagem, coleciona escândalos semelhantes. Mas isso é pra outra coluna.
08-07-11
Irreverência sem cabimento
Tive que ir ao meu mal-tratado dicionário buscar o real significado da palavra irreverência antes de começar a escrever essa coluna. Eu sempre gostei do termo, mas por um minuto me perguntei se sabia exatamente o significado dele.
Sempre associei “irreverência” aos Mamonas Assassinas. Um pouco porque a primeira vez que ouvi a palavra foi assistindo a uma apresentação da finada banda no Faustão. “Ô loco, os maiores sucessos da banda mais irreverente do Brasil”... Também associava o termo a humoristas em geral, achava que irreverência era pura e simplesmente fazer graça de fatos sérios, principalmente quando se tratava de paródias.
Mas o significado de “irreverência” me decepcionou um pouco. Quer dizer “falta de respeito, ato desrespeitoso, desacato, falta de reverência” (reverência para mim sempre foi o ato de beijar o anel do bispo, que os atores encenavam em filmes e novelas). Fiquei duplamente decepcionado. Mas por outro lado, fiquei satisfeito em ter achado uma palavra para o assunto que quero abordar, que é a atitude do Partido da República em colocar o deputado Francisco Everardo Oliveira Silva fantasiado do personagem Tiririca para fazer graça nas inserções gratuitas que o partido tem direito.
Acho que é a primeira vez que utilizo essa palavra como forma denotativa. Eu sempre achava o máximo alguém ser “irreverente”. Mas o que o PR está fazendo não pode levar um só adjetivo bom (o PR sim, pois a responsabilidade por este fenômeno se deve ao lema “crescer a qualquer custo”, entoado por dirigentes do partido). Vejamos: não contente por ter explorado a figura do palhaço Tiririca na campanha eleitoral para deputado federal, que fizeram dele o parlamentar mais votado do país – e que foi suficiente para “puxar” para Brasília outros quatro candidatos da sigla que não se elegeriam pelo própria votação – o PR agora recoloca a figura, desta vez em rede nacional, para fazer mais piadas. Para quem não viu, ao contar o que já aprendeu nestes seis meses de Câmara dos Deputados (clara referência à campanha), Tiririca diz: “Um deputado federal não pode empregar sua família. Por isso, pai continue catando latinha. Mãe, continue lavando roupa para fora”.
Vamos piorar um pouco a falta de respeito. Tiririca, que suspeitava-se ser analfabeto, hoje integra a Comissão de Educação e Cultura. Seus assessores com maiores salários ( R$ 8 mil) são dois humoristas de “A praça é nossa”, que não cumprem expediente nem em Brasília, nem em São Paulo.
Enfim, acho que os eleitores e o povo em geral, precisam é de reverência, de respeito, precisam ter a sensação de que suas reivindicações sejam tratadas de maneira séria. Criticar de forma humorística as atitudes de nossos políticos é válido, e alguns não merecem outra coisa senão serem alvos de piadas. Se alguns eleitores “irreverentes” elegeram políticos sem vocação, para dizer o mínimo, não vejo mérito em debochar de todos os demais. Posso parecer injusto, mas não vejo motivos para que todos os políticos não paguem por um mau elemento. Até porque eles têm recursos legais para punir os próprios colegas. Eu, infelizmente, não posso fazer nada contra aqueles que expressaram o próprio direito de votar “irreverentemente”. Na menos pior das hipóteses, é um castigo “irrevente” aos que defendem o “voto de protesto”.
01-07-11
Sempre associei “irreverência” aos Mamonas Assassinas. Um pouco porque a primeira vez que ouvi a palavra foi assistindo a uma apresentação da finada banda no Faustão. “Ô loco, os maiores sucessos da banda mais irreverente do Brasil”... Também associava o termo a humoristas em geral, achava que irreverência era pura e simplesmente fazer graça de fatos sérios, principalmente quando se tratava de paródias.
Mas o significado de “irreverência” me decepcionou um pouco. Quer dizer “falta de respeito, ato desrespeitoso, desacato, falta de reverência” (reverência para mim sempre foi o ato de beijar o anel do bispo, que os atores encenavam em filmes e novelas). Fiquei duplamente decepcionado. Mas por outro lado, fiquei satisfeito em ter achado uma palavra para o assunto que quero abordar, que é a atitude do Partido da República em colocar o deputado Francisco Everardo Oliveira Silva fantasiado do personagem Tiririca para fazer graça nas inserções gratuitas que o partido tem direito.
Acho que é a primeira vez que utilizo essa palavra como forma denotativa. Eu sempre achava o máximo alguém ser “irreverente”. Mas o que o PR está fazendo não pode levar um só adjetivo bom (o PR sim, pois a responsabilidade por este fenômeno se deve ao lema “crescer a qualquer custo”, entoado por dirigentes do partido). Vejamos: não contente por ter explorado a figura do palhaço Tiririca na campanha eleitoral para deputado federal, que fizeram dele o parlamentar mais votado do país – e que foi suficiente para “puxar” para Brasília outros quatro candidatos da sigla que não se elegeriam pelo própria votação – o PR agora recoloca a figura, desta vez em rede nacional, para fazer mais piadas. Para quem não viu, ao contar o que já aprendeu nestes seis meses de Câmara dos Deputados (clara referência à campanha), Tiririca diz: “Um deputado federal não pode empregar sua família. Por isso, pai continue catando latinha. Mãe, continue lavando roupa para fora”.
Vamos piorar um pouco a falta de respeito. Tiririca, que suspeitava-se ser analfabeto, hoje integra a Comissão de Educação e Cultura. Seus assessores com maiores salários ( R$ 8 mil) são dois humoristas de “A praça é nossa”, que não cumprem expediente nem em Brasília, nem em São Paulo.
Enfim, acho que os eleitores e o povo em geral, precisam é de reverência, de respeito, precisam ter a sensação de que suas reivindicações sejam tratadas de maneira séria. Criticar de forma humorística as atitudes de nossos políticos é válido, e alguns não merecem outra coisa senão serem alvos de piadas. Se alguns eleitores “irreverentes” elegeram políticos sem vocação, para dizer o mínimo, não vejo mérito em debochar de todos os demais. Posso parecer injusto, mas não vejo motivos para que todos os políticos não paguem por um mau elemento. Até porque eles têm recursos legais para punir os próprios colegas. Eu, infelizmente, não posso fazer nada contra aqueles que expressaram o próprio direito de votar “irreverentemente”. Na menos pior das hipóteses, é um castigo “irrevente” aos que defendem o “voto de protesto”.
01-07-11
Falta ventilador
É chato bater na mesma tecla, repetir o assunto e até certas frases. Mas, ao acompanhar o que aconteceu no PTB gaúcho no último final de semana, fiquei muito tentado a discorrer novamente sobre o tema. Tem a ver com tudo aquilo que causa repugnância na política: o fisiologismo, popularmente chamado de carguismo.
Durante um seminário da sigla, o deputado federal Sérgio “to melixando para a opinião pública” Moraes fez um discurso criticando o sistema de divisão de cargos que o PTB ocupa no governo do Estado (uma “recompensa” por fazer parte da base de Tarso Genro). A reclamação não foi no sentido de que isso é errado, mas sim porque um grupo estava sendo privilegiado. O deputado estadual, Ronaldo Santini, por sua vez, rebateu. Depois disso, as informações dão conta que Moraes acertou o colega com uma bofetada.
Enfim, foi um barraco dos grandes, e que acabou com o ex-prefeito de Santa Cruz do Sul atirando todo aquele produto não muito nobre no ventilador. E chegou à imprensa alguns dados interessantes. Moraes teria dito que o total de cargos de confiança do PTB no governo ganhariam juntos por mês cerca de R$ 2 milhões (digamos que, por baixo, cada CC contribua com 10% para o partido e podemos ter idéia do caixa que é feito já visando as próximas eleições). Santini, por sua vez, teria deixado escapar que, por deputado, a soma dos salários dos indicados por cada parlamentar não poderiam ultrapassar R$ 80 mil. Moraes completou depois dizendo que os cargos vão para uma “listinha de amigos”, e não para técnicos. O presidente estadual da sigla, Luis Augusto Lara (com quem Moraes teria realmente problemas) deu entrevistas que o que foi mencionado pelos parlamentares são critérios, que dito daquela maneira parecia errado, mas não era bem assim. Pouca água para apagar o tamanho do fogo.
Na segunda-feira, todos os caciques do PTB gaúcho se reuniram (quase todos, na verdade) e decidiram colocar os cargos à disposição de Tarso Genro, para não constranger o governo, mas isso não foi aceito pelo petista (eu entendi que Tarso lavou as mãos para não perder a base).
Legal é que nessas horas aparecem as verdadeiras preocupações dos políticos. Moraes criticou a sigla por se vender por meia dúzia de cargos, mas exigia que fosse melhor dividido. Jogou todos na frigideira porque sentiu que foi passado para trás. Ideologia, que é bom, está em último lugar na lista de prioridades. Alguém diria que Vargas se remexeu no caixão. Um circo! E pior é que não dá pra deixar escapar a piada de que os petebistas realmente se preocupam com o trabalhismo (dos CC`s).
Antes de terminar, peço que o pessoal do PTB na fiquem bravos comigo, porque isso acontece em todas as siglas, e amanhã ou depois será a vez dos demais. É apenas uma questão de sobrevivência na política atual, que infelizmente pouquíssimas vezes chegam ao nosso conhecimento. Afinal, política é a arte de contentar a todos, e por isso ser impossível, é uma arte imperfeita. E aí, haja ventilador...
publicado em 23-06-11
Durante um seminário da sigla, o deputado federal Sérgio “to melixando para a opinião pública” Moraes fez um discurso criticando o sistema de divisão de cargos que o PTB ocupa no governo do Estado (uma “recompensa” por fazer parte da base de Tarso Genro). A reclamação não foi no sentido de que isso é errado, mas sim porque um grupo estava sendo privilegiado. O deputado estadual, Ronaldo Santini, por sua vez, rebateu. Depois disso, as informações dão conta que Moraes acertou o colega com uma bofetada.
Enfim, foi um barraco dos grandes, e que acabou com o ex-prefeito de Santa Cruz do Sul atirando todo aquele produto não muito nobre no ventilador. E chegou à imprensa alguns dados interessantes. Moraes teria dito que o total de cargos de confiança do PTB no governo ganhariam juntos por mês cerca de R$ 2 milhões (digamos que, por baixo, cada CC contribua com 10% para o partido e podemos ter idéia do caixa que é feito já visando as próximas eleições). Santini, por sua vez, teria deixado escapar que, por deputado, a soma dos salários dos indicados por cada parlamentar não poderiam ultrapassar R$ 80 mil. Moraes completou depois dizendo que os cargos vão para uma “listinha de amigos”, e não para técnicos. O presidente estadual da sigla, Luis Augusto Lara (com quem Moraes teria realmente problemas) deu entrevistas que o que foi mencionado pelos parlamentares são critérios, que dito daquela maneira parecia errado, mas não era bem assim. Pouca água para apagar o tamanho do fogo.
Na segunda-feira, todos os caciques do PTB gaúcho se reuniram (quase todos, na verdade) e decidiram colocar os cargos à disposição de Tarso Genro, para não constranger o governo, mas isso não foi aceito pelo petista (eu entendi que Tarso lavou as mãos para não perder a base).
Legal é que nessas horas aparecem as verdadeiras preocupações dos políticos. Moraes criticou a sigla por se vender por meia dúzia de cargos, mas exigia que fosse melhor dividido. Jogou todos na frigideira porque sentiu que foi passado para trás. Ideologia, que é bom, está em último lugar na lista de prioridades. Alguém diria que Vargas se remexeu no caixão. Um circo! E pior é que não dá pra deixar escapar a piada de que os petebistas realmente se preocupam com o trabalhismo (dos CC`s).
Antes de terminar, peço que o pessoal do PTB na fiquem bravos comigo, porque isso acontece em todas as siglas, e amanhã ou depois será a vez dos demais. É apenas uma questão de sobrevivência na política atual, que infelizmente pouquíssimas vezes chegam ao nosso conhecimento. Afinal, política é a arte de contentar a todos, e por isso ser impossível, é uma arte imperfeita. E aí, haja ventilador...
publicado em 23-06-11
Demo(ni)cracia
Uma das frases que mais me fizeram refletir nos últimos anos foi dita não me lembro por quem (no google há muitas referências sobre a frase, mas poucas sobre um possível autor), mas basicamente é a seguinte: a democracia é ruim, mas ainda assim é o melhor sistema democrático. Sempre concordei. Porém, quando acontecem algumas situações, fico na dúvida se é isso mesmo.
Vejamos as últimas notícias. As informações dão conta que a nossa presidente Dilma, para não perder a base, já acena com liberação de emendas parlamentares e nomeações para órgãos federais nos estados. Esta é a maior reivindicação de partidos que teoricamente estão na base do seu governo. Parlamentares de PMDB, PP e PR, insatisfeitos, já começam a cobrar o voto nos projetos de governo de uma forma peculiar: ajude-me a encaixar minhas melancias no caminhão, que eu te deixo governar.
A presidente fica de mãos amarradas, e isso não é uma defesa a ela. Basta perguntar para qualquer prefeito da nossa região para saber o tamanho da pressão para encaixar “colegas” em cargos de confiança na prefeitura. É um dos defeitos da nossa democracia. O que de forma alguma absolve nossa presidente, afinal, quem fez essas alianças heterogêneas, para dizer o mínimo (quem imaginou o PP, da finada Arena, de mãos dadas com o PT?), para se eleger foi ela e seus colegas de partido.
Por mais que nossa presidente relute, não há outra saída. Depois de passar um boi, passa uma. E no fim das contas, penalizados somos nós (eu não canso de bater nessa tecla): se por acaso a nossa guia bater o pé, nada será aprovado no Congresso, e azar o nosso. E se ela for dobrada, azar o nosso também, que teremos de agüentar pessoas incompetentes (a indicação é sempre política, quase nunca por mérito) em cargos de importância, além de ver o dinheiro de nossos impostos ser usado para pagar o salário e as mordomias desses “cidadãos”. O que sai mais caro?
***
Fica muito mais fácil encobrir esse jogo sujo graças a pífia oposição ao governo, que além de ser minoria (a maioria prefere ter como sustentar as próprias bases por meio de cargos e emendas), não consegue promover um discurso que seduza nem os eleitores a se manifestarem, nem a pescar para si parlamentares que se “venderam”ao outro lado.
Sem poder indicar correligionários para cargos nem receber emendas, os parlamentares da oposição ficam obrigados a aparecer na mídia batendo no governo, já que oposição responsável não dá voto. Pior é escutar uma entrevista do senador e ex-governador do Paraná, Álvaro Dias (PSDB), em que diz que o papel da oposição não é propor medidas de governo, porque isso faz parte do projeto da chapa vencedora, mas sim, aprovar o que é importante e discutir o que é polêmico. Em linhas gerais: se a medida é simpática a todos, não se pode ir contra para não perder eleitores; e se é antipática, mas necessária, é a hora de aparecer bastante na mídia demonizando que propôs. Acho que isso explica um pouco porque o PSDB perdeu três eleições presidenciais seguidas. Além de não poder aproveitar a máquina do governo, os líderes tucanos aceitam o papel de antagonistas de forma passiva, como se fosse algo imutável. Tão imutável como são os defeitos da nossa democracia.
publicado em 16-06-11
Vejamos as últimas notícias. As informações dão conta que a nossa presidente Dilma, para não perder a base, já acena com liberação de emendas parlamentares e nomeações para órgãos federais nos estados. Esta é a maior reivindicação de partidos que teoricamente estão na base do seu governo. Parlamentares de PMDB, PP e PR, insatisfeitos, já começam a cobrar o voto nos projetos de governo de uma forma peculiar: ajude-me a encaixar minhas melancias no caminhão, que eu te deixo governar.
A presidente fica de mãos amarradas, e isso não é uma defesa a ela. Basta perguntar para qualquer prefeito da nossa região para saber o tamanho da pressão para encaixar “colegas” em cargos de confiança na prefeitura. É um dos defeitos da nossa democracia. O que de forma alguma absolve nossa presidente, afinal, quem fez essas alianças heterogêneas, para dizer o mínimo (quem imaginou o PP, da finada Arena, de mãos dadas com o PT?), para se eleger foi ela e seus colegas de partido.
Por mais que nossa presidente relute, não há outra saída. Depois de passar um boi, passa uma. E no fim das contas, penalizados somos nós (eu não canso de bater nessa tecla): se por acaso a nossa guia bater o pé, nada será aprovado no Congresso, e azar o nosso. E se ela for dobrada, azar o nosso também, que teremos de agüentar pessoas incompetentes (a indicação é sempre política, quase nunca por mérito) em cargos de importância, além de ver o dinheiro de nossos impostos ser usado para pagar o salário e as mordomias desses “cidadãos”. O que sai mais caro?
***
Fica muito mais fácil encobrir esse jogo sujo graças a pífia oposição ao governo, que além de ser minoria (a maioria prefere ter como sustentar as próprias bases por meio de cargos e emendas), não consegue promover um discurso que seduza nem os eleitores a se manifestarem, nem a pescar para si parlamentares que se “venderam”ao outro lado.
Sem poder indicar correligionários para cargos nem receber emendas, os parlamentares da oposição ficam obrigados a aparecer na mídia batendo no governo, já que oposição responsável não dá voto. Pior é escutar uma entrevista do senador e ex-governador do Paraná, Álvaro Dias (PSDB), em que diz que o papel da oposição não é propor medidas de governo, porque isso faz parte do projeto da chapa vencedora, mas sim, aprovar o que é importante e discutir o que é polêmico. Em linhas gerais: se a medida é simpática a todos, não se pode ir contra para não perder eleitores; e se é antipática, mas necessária, é a hora de aparecer bastante na mídia demonizando que propôs. Acho que isso explica um pouco porque o PSDB perdeu três eleições presidenciais seguidas. Além de não poder aproveitar a máquina do governo, os líderes tucanos aceitam o papel de antagonistas de forma passiva, como se fosse algo imutável. Tão imutável como são os defeitos da nossa democracia.
publicado em 16-06-11
“Lei de Puzo”
Estou finalizando a leitura de um livro do Mario Puzo, o mesmo autor de “O poderoso chefão”. O título, em português, é “Os tolos morrem antes”. Apesar de ser uma obra publicada em 1978, é bastante atual. A história trata de um órfão, que sonha ser um escritor famoso e que descobre que, para subir na vida é preciso ser vigarista. A história se passa entre Nova Iorque, Las Vegas e Hollywood, ambientada especialmente na parte “podre” do serviço público, da política, dos cassinos e da indústria de filmes. Não vou falar mais sobre o enredo. Vá para a biblioteca, a livraria ou o computador mais perto.
O que quero abordar é a clareza com que Puzo expõe certas idéias. A premissa que mais chama a atenção é a de que ninguém consegue enriquecer sem “favores”, sem desviar dinheiro, sem sonegar impostos, sem tirar do caminho alguém que possa atrapalhar determinados planos. A impressão que fica é de que nossa sociedade é sistematizada para privilegiar os vigaristas. Mas não um simples vigarista, daqueles que passa a perna nas pessoas uma só vez. Pelo contrário: segundo o autor, bom vigarista é aquele que consegue ganhar nas costas da mesma pessoa durante a vida inteira. Aqueles que aceitam suborno, aqueles que fazem o trabalho sujo para os mais poderosos, e que parecem sempre estarem prestando auxílios (favores) de forma sem interesse é que são os bons vigaristas.
É um ótimo romance (gênero romance, e não história de amor, apesar de conter muitas passagens sobre relações entre homens e mulheres, e algumas entre mulheres e mulheres, ou homens e homens). O livro provoca mesmo uma reflexão sobre a sociedade, sobre a natureza humana em querer se dar bem (ser virtuoso exige mais esforços e privações), e me faz pensar se vale a pena mesmo ser bonzinho, pagar impostos, ser um bom cidadão, se quem consegue aproveitar os confortos materiais são aqueles de conduta inadequada.
Por outro lado, a obra já adverte no título que não é qualquer um que pode se dar bem o tempo todo. “Os tolos morrem antes”. É um jogo perigoso. E é aqui que eu quero chegar. Vejamos nossa política. Dificilmente algum dos nossos representantes eleitos pelo voto escapa ileso de alguma denúncia. Alguns são mais hábeis do que outros na hora de dar a volta nas suspeitas. Ainda hoje, a maioria escapa. Mas nunca sem ter o currículo manchado. O último grande exemplo que prova que Puzo tinha razão, é o já ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Por mais blindado que tenha sido pelos colegas da base aliada, por mais que o procurador-geral da República tenha arquivado os pedidos de investigação, o estranho aumento de patrimônio em 20 vezes em apenas quatro anos derrubou o ministro. Mesmo que a desculpa do próprio para a saída de um dos mais importantes cargos do país tenha sido a de não prejudicar o governo. Talvez, a intenção tenha sido a de não repetir um ex-ocupante da pasta, o senhor José Dirceu. Talvez, tenha é medo de que saia mais esqueletos do armário. Mas, no fim das contas, o resultado é o mesmo da “Lei de Puzo” (eu quero acreditar que essa lei procede), quase um auto (com fim moralizante): mais cedo ou mais tarde, mesmo que metaforicamente, os tolos morrem antes.
09-06-11
O que quero abordar é a clareza com que Puzo expõe certas idéias. A premissa que mais chama a atenção é a de que ninguém consegue enriquecer sem “favores”, sem desviar dinheiro, sem sonegar impostos, sem tirar do caminho alguém que possa atrapalhar determinados planos. A impressão que fica é de que nossa sociedade é sistematizada para privilegiar os vigaristas. Mas não um simples vigarista, daqueles que passa a perna nas pessoas uma só vez. Pelo contrário: segundo o autor, bom vigarista é aquele que consegue ganhar nas costas da mesma pessoa durante a vida inteira. Aqueles que aceitam suborno, aqueles que fazem o trabalho sujo para os mais poderosos, e que parecem sempre estarem prestando auxílios (favores) de forma sem interesse é que são os bons vigaristas.
É um ótimo romance (gênero romance, e não história de amor, apesar de conter muitas passagens sobre relações entre homens e mulheres, e algumas entre mulheres e mulheres, ou homens e homens). O livro provoca mesmo uma reflexão sobre a sociedade, sobre a natureza humana em querer se dar bem (ser virtuoso exige mais esforços e privações), e me faz pensar se vale a pena mesmo ser bonzinho, pagar impostos, ser um bom cidadão, se quem consegue aproveitar os confortos materiais são aqueles de conduta inadequada.
Por outro lado, a obra já adverte no título que não é qualquer um que pode se dar bem o tempo todo. “Os tolos morrem antes”. É um jogo perigoso. E é aqui que eu quero chegar. Vejamos nossa política. Dificilmente algum dos nossos representantes eleitos pelo voto escapa ileso de alguma denúncia. Alguns são mais hábeis do que outros na hora de dar a volta nas suspeitas. Ainda hoje, a maioria escapa. Mas nunca sem ter o currículo manchado. O último grande exemplo que prova que Puzo tinha razão, é o já ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Por mais blindado que tenha sido pelos colegas da base aliada, por mais que o procurador-geral da República tenha arquivado os pedidos de investigação, o estranho aumento de patrimônio em 20 vezes em apenas quatro anos derrubou o ministro. Mesmo que a desculpa do próprio para a saída de um dos mais importantes cargos do país tenha sido a de não prejudicar o governo. Talvez, a intenção tenha sido a de não repetir um ex-ocupante da pasta, o senhor José Dirceu. Talvez, tenha é medo de que saia mais esqueletos do armário. Mas, no fim das contas, o resultado é o mesmo da “Lei de Puzo” (eu quero acreditar que essa lei procede), quase um auto (com fim moralizante): mais cedo ou mais tarde, mesmo que metaforicamente, os tolos morrem antes.
09-06-11
Mexendo no vespeiro
Notícia bombástica no Fantástico: ex-presidente defende legalização da maconha. Na verdade, não tem nada de bombástico: FHC já havia se manifestado a favor da regulamentação do uso da cannabis sativa (que, para quem não sabe, é prima da alface). Mas foi suficiente para levantar pela enésima vez a discussão do assunto. Debater é sempre positivo, e a vantagem é que parece que a argumentação sobre a legalização – ou regulamentação do uso, termo que eu prefiro - do “cigarro do capeta”, como diria alguns mais experientes, está amadurecendo.
Fernando Henrique Cardoso reconhece que a política anti-drogas adotada pelo próprio governo foi errada. Mas o que mais gostei na entrevista foi que, ao ser perguntado “por que meter a mão nesse vespeiro?”, ele respondeu justamente o seguinte: porque é um vespeiro. Não dá para ficar fugindo eternamente de algumas realidades nacionais que nossos agentes públicos tentam enfiar por baixo do tapete. E o que eu quero é justamente isso: que todos metam a mão no vespeiro, que pesem todos argumentos, que se informem, que não se prendam a preconceitos.
Você pode pensar que, pelo que escrevi aqui, sou favorável. Pois revelo desde já minha posição: não sei. Mas quero saber. Não quero que me digam que não dá para legalizar porque é ruim. Nem que a legalização gerará mais impostos e que acabará com o tráfico (duvido, ainda mais em se tratando de Brasil: será impostos demais sobre a erva, e o pessoal vai buscar nos países vizinhos, tal qual é feito com bebidas, cigarros, azeitonas e alfajor).
Eu quero é saber se a maconha faz mais mal do que o tabaco e do que o álcool. Eu quero saber se ela realmente é a dita porta de entrada para o mundo das drogas. Eu quero saber se é verdade que a substância pode ser utilizada com fins terapêuticos, e se é verdade que os tratamentos que usam maconha para curar a dependência do crack têm tido bons resultados. Quero saber um pouco mais sobre a experiência de outros países. E se a reulamentação vai prever áreas para o cultivo legal da prima do alface (porque regulamentar e as compras continuarem ilegais não tem sentido algum).
Sinceramente? Mais de 80% - jogando por baixo - dos meus conhecidos já usaram a substância pelo menos uma vez. E não são cabeludos, que usam roupas pretas ou esfarrapadas e que não gostam de banho. Alguns nem gostam de Bob Marley. E tem mais: muitos dos que usam com uma certa freqüência são pessoas legais, inteligentes, honestas, de boa família e de conduta exemplar (boa índole). Outros indivíduos que conheço, que nunca usaram, que são ferrenhos opositores do pessoal “verde”, têm caráter bastante duvidável. Conheço policiais, médicos, advogados, professores, jornalistas (estes são tão clássicos como músicos e demais artistas), dentistas, engenheiros e até juizes e promotores que volta e meia queimam um bagulho. E não pensem que são apenas jovens e adolescentes. Tem muito quarentão, cinquentão, e terceira idade a dentro que curte “dar um tapa”. Ou seja: proibida ou não, é fato que a “atividade”, existe em qualquer lugar do mundo, seja em Nova Iorque ou em Nova Hartz. E, se está tão disseminada, por que fugirmos do debate?
02-06-11
Fernando Henrique Cardoso reconhece que a política anti-drogas adotada pelo próprio governo foi errada. Mas o que mais gostei na entrevista foi que, ao ser perguntado “por que meter a mão nesse vespeiro?”, ele respondeu justamente o seguinte: porque é um vespeiro. Não dá para ficar fugindo eternamente de algumas realidades nacionais que nossos agentes públicos tentam enfiar por baixo do tapete. E o que eu quero é justamente isso: que todos metam a mão no vespeiro, que pesem todos argumentos, que se informem, que não se prendam a preconceitos.
Você pode pensar que, pelo que escrevi aqui, sou favorável. Pois revelo desde já minha posição: não sei. Mas quero saber. Não quero que me digam que não dá para legalizar porque é ruim. Nem que a legalização gerará mais impostos e que acabará com o tráfico (duvido, ainda mais em se tratando de Brasil: será impostos demais sobre a erva, e o pessoal vai buscar nos países vizinhos, tal qual é feito com bebidas, cigarros, azeitonas e alfajor).
Eu quero é saber se a maconha faz mais mal do que o tabaco e do que o álcool. Eu quero saber se ela realmente é a dita porta de entrada para o mundo das drogas. Eu quero saber se é verdade que a substância pode ser utilizada com fins terapêuticos, e se é verdade que os tratamentos que usam maconha para curar a dependência do crack têm tido bons resultados. Quero saber um pouco mais sobre a experiência de outros países. E se a reulamentação vai prever áreas para o cultivo legal da prima do alface (porque regulamentar e as compras continuarem ilegais não tem sentido algum).
Sinceramente? Mais de 80% - jogando por baixo - dos meus conhecidos já usaram a substância pelo menos uma vez. E não são cabeludos, que usam roupas pretas ou esfarrapadas e que não gostam de banho. Alguns nem gostam de Bob Marley. E tem mais: muitos dos que usam com uma certa freqüência são pessoas legais, inteligentes, honestas, de boa família e de conduta exemplar (boa índole). Outros indivíduos que conheço, que nunca usaram, que são ferrenhos opositores do pessoal “verde”, têm caráter bastante duvidável. Conheço policiais, médicos, advogados, professores, jornalistas (estes são tão clássicos como músicos e demais artistas), dentistas, engenheiros e até juizes e promotores que volta e meia queimam um bagulho. E não pensem que são apenas jovens e adolescentes. Tem muito quarentão, cinquentão, e terceira idade a dentro que curte “dar um tapa”. Ou seja: proibida ou não, é fato que a “atividade”, existe em qualquer lugar do mundo, seja em Nova Iorque ou em Nova Hartz. E, se está tão disseminada, por que fugirmos do debate?
02-06-11
Código Florestal eleitoreiro
A votação do Código Florestal ocorrida na Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira prova o que o senso comum já sabia: cada um só quer defender o seu. Há vários pontos que comprovam como atuam nossos digníssimos representantes.
O primeiro ponto interessante, é que a votação aconteceu de madrugada. Não pensem que foi espontaneamente. Na Câmara, isso ocorre com certa frequência. E certamente não é por dever cívico. Pelo contrário: é o chamado matar no cansaço. Quando o projeto é polêmico, os parlamentares esticam a corda ameaçando votar o projeto com alterações que não interessam ao governo. Assim, cozinham em banho maria enquanto esperam concessões – leia-se promessas de liberação de emendas, negociações por cargos, etc...
Apesar de ultimamente quase sempre o governo ganhar a queda de braço em pontos de interesse da nação – como por exemplo quando o requerimento de Antonio Carlos Magalhães Neto para que o Ministro-Chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, fosse a Câmara explicar seu considerável aumento patrimonial foi rejeitado-, desta vez Dilma sofreu um revés. O principal ponto do Código Florestal, que dava ao Governo Federal a prerrogativa de decidir o que é ou não Área de Preservação Permanente, foi rejeitado pelos parlamentares e passado aos Estados, decisão que deve ser mantida no Senado. Assim, a bomba deve cair no colo da presidente Dilma, que pode vetar integral ou parcialmente o projeto – e se isso ocorrer, vai criar um desgaste natural com as pessoas ligadas à agricultura.
A presidente perdeu a queda de braço mesmo concedendo modificações anteriores ao projeto, como a isenção de recomposição de mata nativa por parte de pequenos produtores. E essa derrota mostra duas coisas: a primeira é de que a base aliada não é tão coesa assim, mantém-se muito mais por interesse eleitoreiro do que por ideologia. A segunda, bastante ligada à primeira, é de que parlamentar nenhum vai arriscar “queimar o filme” com o eleitorado, principalmente os deputados que tem como base eleitoral municípios dependentes da agricultura.
Se o que foi aprovado foi bom ou não, cabe a cada um se informar e responder. Até porque não é isso o que realmente interessa. As votações no Congresso seguem muito mais o montante de pessoas de cada lado (“há mais agricultores do que ambientalistas, logo vou defender os agricultores”). E aqui está o problema mais grave: raros são os políticos que tentam votar leis com neutralidade, pensando única e exclusivamente no bem da população. Mesmo a presidente, ao escolher entre vetar ou sancionar o projeto, pensará no próprio desgaste. E não venham me dizer que não: se isso não pesasse, o projeto já teria ido para a Câmara sem concessão alguma. Infelizmente é assim: o jogo político é todo montado a partir de vencedores e perdedores, sem pensar em outras conseqüências além do resultado das urnas.
publicada em 26-05-11
O primeiro ponto interessante, é que a votação aconteceu de madrugada. Não pensem que foi espontaneamente. Na Câmara, isso ocorre com certa frequência. E certamente não é por dever cívico. Pelo contrário: é o chamado matar no cansaço. Quando o projeto é polêmico, os parlamentares esticam a corda ameaçando votar o projeto com alterações que não interessam ao governo. Assim, cozinham em banho maria enquanto esperam concessões – leia-se promessas de liberação de emendas, negociações por cargos, etc...
Apesar de ultimamente quase sempre o governo ganhar a queda de braço em pontos de interesse da nação – como por exemplo quando o requerimento de Antonio Carlos Magalhães Neto para que o Ministro-Chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, fosse a Câmara explicar seu considerável aumento patrimonial foi rejeitado-, desta vez Dilma sofreu um revés. O principal ponto do Código Florestal, que dava ao Governo Federal a prerrogativa de decidir o que é ou não Área de Preservação Permanente, foi rejeitado pelos parlamentares e passado aos Estados, decisão que deve ser mantida no Senado. Assim, a bomba deve cair no colo da presidente Dilma, que pode vetar integral ou parcialmente o projeto – e se isso ocorrer, vai criar um desgaste natural com as pessoas ligadas à agricultura.
A presidente perdeu a queda de braço mesmo concedendo modificações anteriores ao projeto, como a isenção de recomposição de mata nativa por parte de pequenos produtores. E essa derrota mostra duas coisas: a primeira é de que a base aliada não é tão coesa assim, mantém-se muito mais por interesse eleitoreiro do que por ideologia. A segunda, bastante ligada à primeira, é de que parlamentar nenhum vai arriscar “queimar o filme” com o eleitorado, principalmente os deputados que tem como base eleitoral municípios dependentes da agricultura.
Se o que foi aprovado foi bom ou não, cabe a cada um se informar e responder. Até porque não é isso o que realmente interessa. As votações no Congresso seguem muito mais o montante de pessoas de cada lado (“há mais agricultores do que ambientalistas, logo vou defender os agricultores”). E aqui está o problema mais grave: raros são os políticos que tentam votar leis com neutralidade, pensando única e exclusivamente no bem da população. Mesmo a presidente, ao escolher entre vetar ou sancionar o projeto, pensará no próprio desgaste. E não venham me dizer que não: se isso não pesasse, o projeto já teria ido para a Câmara sem concessão alguma. Infelizmente é assim: o jogo político é todo montado a partir de vencedores e perdedores, sem pensar em outras conseqüências além do resultado das urnas.
publicada em 26-05-11
Mais sobre o mesmo assunto
Na semana passada, escrevi sobre a demissão em massa ocorrida em uma empresa calçadista de Parobé, cuja direção justificou o fechamento das portas por causa da guerra fiscal, entre outras coisas...
Pois nessa semana, foi eleito para presidir a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul o empresário Heitor Müller. Decorem esse nome, pois nos próximos anos ouviremos falar muito nele assim como ouvimos muito o nome de Paulo Tigre, já ex-presidente da entidade.
Bom, trouxe o assunto à tona porque fiquei bastante interessado no discurso de posse do novo presidente da Fiergs. Citou que seu trabalho será norteado por ações para garantir o fortalecimento do setor produtivo gaúcho, tais como ampliação do Fundopem, condições tributárias igualitárias entre os Estados, melhor infraestrutura e juros menores. É claro que, como presidente da Fiergs, Muller quer o melhor para a Indústria, sem pensar muito no resto. Prova disso é a frase: "É o mercado que determina o preço do produto, por isso precisamos resolver as questões que impactam nos custos", direcionada exclusivamente ao salário mínimo regional que, segundo ele, vem desequilibrando a competitividade gaúcha. Mas suas preocupações deveriam ter todo nosso apoio.
***
Há um outro fato dessa semana que chamou minha atenção: um grupo organizado de arrozeiros gaúchos foram para Uruguaiana para trancar a ponte que liga o Brasil e a Argentina. Entre as medidas reivindicadas é a suspensão da entrada de arroz de outros países do Mercosul em terras tupiniquins por seis meses e a suspensão das dívidas de custeio e investimento até 31 de outubro. Isso porque a competitividade está sendo nociva, pois o preço da saca do grão caiu 67,9% em relação ao ano passado, sendo comercializada por R$ 18,79 (dados da Emater).
***
Esses são dois exemplos de como nosso Estado está sendo prejudicado pela atual política econômica. Um Estado com vocação exportadora quebra com uma moeda tão valorizada. E o pior é que, já que o real está forte, nossos empresários poderiam adquirida tecnologia estrangeira para novas indústrias, cujos produtos tivessem um valor agregado superior ao que se vê hoje (ainda exportamos majoritariamente matérias primas), algo que fizesse diferença na balança comercial. Mas não acontece, suspeito que por causa dos (da falta de) incentivos governamentais.
A chia é grande e vem de todos os setores, especialmente do primário e do secundário. É claro que, enquanto consumidor, adoro o fato de a inflação ser mínima, de comer arroz mais barato, de tomar um Carménère chileno ou um Malbec argentino a preços mais acessíveis, ou de comprar um calçado de origem chinesa a preços muito mais baixos do que encontramos nas lojas.
O problema disso tudo é o impacto causado na nossa economia. São menos empregos, é menos atração de empresas para o Estado, o comércio deixa de ganhar porque não há incremento na economia, são menos impostos entrando nos cofres do governo e, consequentemente, é menos dinheiro para investir nas mais diversas áreas, sobretudo as sociais. E, quem sobra, fica instalado em regiões mais ricas. As mais pobres, pra variar, é que pagam o preço...
publicada em 19-05-11
Pois nessa semana, foi eleito para presidir a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul o empresário Heitor Müller. Decorem esse nome, pois nos próximos anos ouviremos falar muito nele assim como ouvimos muito o nome de Paulo Tigre, já ex-presidente da entidade.
Bom, trouxe o assunto à tona porque fiquei bastante interessado no discurso de posse do novo presidente da Fiergs. Citou que seu trabalho será norteado por ações para garantir o fortalecimento do setor produtivo gaúcho, tais como ampliação do Fundopem, condições tributárias igualitárias entre os Estados, melhor infraestrutura e juros menores. É claro que, como presidente da Fiergs, Muller quer o melhor para a Indústria, sem pensar muito no resto. Prova disso é a frase: "É o mercado que determina o preço do produto, por isso precisamos resolver as questões que impactam nos custos", direcionada exclusivamente ao salário mínimo regional que, segundo ele, vem desequilibrando a competitividade gaúcha. Mas suas preocupações deveriam ter todo nosso apoio.
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Há um outro fato dessa semana que chamou minha atenção: um grupo organizado de arrozeiros gaúchos foram para Uruguaiana para trancar a ponte que liga o Brasil e a Argentina. Entre as medidas reivindicadas é a suspensão da entrada de arroz de outros países do Mercosul em terras tupiniquins por seis meses e a suspensão das dívidas de custeio e investimento até 31 de outubro. Isso porque a competitividade está sendo nociva, pois o preço da saca do grão caiu 67,9% em relação ao ano passado, sendo comercializada por R$ 18,79 (dados da Emater).
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Esses são dois exemplos de como nosso Estado está sendo prejudicado pela atual política econômica. Um Estado com vocação exportadora quebra com uma moeda tão valorizada. E o pior é que, já que o real está forte, nossos empresários poderiam adquirida tecnologia estrangeira para novas indústrias, cujos produtos tivessem um valor agregado superior ao que se vê hoje (ainda exportamos majoritariamente matérias primas), algo que fizesse diferença na balança comercial. Mas não acontece, suspeito que por causa dos (da falta de) incentivos governamentais.
A chia é grande e vem de todos os setores, especialmente do primário e do secundário. É claro que, enquanto consumidor, adoro o fato de a inflação ser mínima, de comer arroz mais barato, de tomar um Carménère chileno ou um Malbec argentino a preços mais acessíveis, ou de comprar um calçado de origem chinesa a preços muito mais baixos do que encontramos nas lojas.
O problema disso tudo é o impacto causado na nossa economia. São menos empregos, é menos atração de empresas para o Estado, o comércio deixa de ganhar porque não há incremento na economia, são menos impostos entrando nos cofres do governo e, consequentemente, é menos dinheiro para investir nas mais diversas áreas, sobretudo as sociais. E, quem sobra, fica instalado em regiões mais ricas. As mais pobres, pra variar, é que pagam o preço...
publicada em 19-05-11
Mais uma vítima da guerra fiscal
Imagine você sendo morador de um município de 51.500 habitantes que, do dia para noite, viu uma das principais empresas local fechar as portas e demitir 840 trabalhadores. Para piorar, os cofres públicos deixarão de arrecadar 30% de ICMS. Foi o que aconteceu nesta semana em Parobé, município do Vale do Paranhana, distante 70 km de Porto Alegre e 120 km de Caxias do Sul.
Os 53 anos de história não foram suficientes para segurar a Azaléia, uma das maiores fábricas de calçados do país, no local. Após abrir fábricas na Argentina e no Nordeste brasileiro, unidades maiores do que a unidade gaúcha (a primeira da empresa), seus diretores não tiveram dúvidas em fechar as portas. Entre as justificativas, a guerra fiscal e o preço do calçado fabricado na China.
Não adiantou o município aprovar leis e mais leis ao longo dos anos para beneficiar a empresa e garantir o emprego dos parobenses. O mundo capitalista não é tão nostálgico e sentimental como gostariam os habitantes mais antigos da cidade, que é uma das maiores do eixo calçadista gaúcho (que envolve também Novo Hamburgo, São Leopoldo, Campo Bom, Sapiranga, Taquara). Este eixo, inclusive, que já foi o líder do país, mas hoje está atrás de São Paulo (pela localização e infraestrutura) e perdendo cada vez mais posição para o Nordeste (onde a mão-de-obra é bem mais barata).
Frederico Westphalen já viveu dias tão nebulosos quanto estes de Parobé após o fechamento do frigorífico Sadia, nos anos 90. Para os mais experientes, não preciso relembrar as dificuldades enfrentadas pela região. Por mais que outras empresas absorvam a mão-de-obra qualificada, os menos preparados – tanto da empresa que fechou como das demais – vão para a rua. Drama principalmente para os mais jovens e para os mais velhos.
Não estou aqui condenando a direção da Azaléia. A atitude é uma forma de sobrevivência. Eles não têm culpa da nossa política econômica. Não foram favoráveis quando o presidente Fernando Henrique Cardoso trocou as técnicas calçadistas brasileiras pelo projeto de Itaipu. Eles não gostariam de ter que se mudar – toda mudança é sempre um incômodo. Mas, se é mais barato fazer a mudança do que pagar alguns meses dos altos impostos gaúchos, fazer o quê? No futuro, é possível que a Azaléia se mude para Índia, para a China ou qualquer outro país que não cobre taxas abusivas que encarecem o valor do par de calçado.
Quando se fala da necessidade de reforma tributária de forma urgente, nossos “lideres” fingem se sensibilizar, mas empurram com a barriga. O fato é que um dos Estados mais prejudicados por tudo isso é o Rio Grande do Sul, porque não é central, ou seja, próximo das mais variadas unidades da federação (o que exige uma logística maior), porque o seu porto (em Rio Grande) é especializado em exportações (e o real valorizado impede isso), porque seus trabalhadores têm vencimentos em patamares superiores ao da maioria dos demais Estados, e porque o ICMS, entre outros impostos, é mais caro.
Agora vamos pensar o seguinte: o problema todo se deu em Parobé, cuja posição geográfica e cuja infraestrutura e logística é muito melhor do que a da nossa região. Como incentivar empresas a se instalar aqui sem uma reforma tributária, que torne os impostos em todos os estados mais equivalentes? Não tem terraplenagem, pagamento de aluguel ou cessão de terreno em distrito industrial que ajude...
12-05-11
Os 53 anos de história não foram suficientes para segurar a Azaléia, uma das maiores fábricas de calçados do país, no local. Após abrir fábricas na Argentina e no Nordeste brasileiro, unidades maiores do que a unidade gaúcha (a primeira da empresa), seus diretores não tiveram dúvidas em fechar as portas. Entre as justificativas, a guerra fiscal e o preço do calçado fabricado na China.
Não adiantou o município aprovar leis e mais leis ao longo dos anos para beneficiar a empresa e garantir o emprego dos parobenses. O mundo capitalista não é tão nostálgico e sentimental como gostariam os habitantes mais antigos da cidade, que é uma das maiores do eixo calçadista gaúcho (que envolve também Novo Hamburgo, São Leopoldo, Campo Bom, Sapiranga, Taquara). Este eixo, inclusive, que já foi o líder do país, mas hoje está atrás de São Paulo (pela localização e infraestrutura) e perdendo cada vez mais posição para o Nordeste (onde a mão-de-obra é bem mais barata).
Frederico Westphalen já viveu dias tão nebulosos quanto estes de Parobé após o fechamento do frigorífico Sadia, nos anos 90. Para os mais experientes, não preciso relembrar as dificuldades enfrentadas pela região. Por mais que outras empresas absorvam a mão-de-obra qualificada, os menos preparados – tanto da empresa que fechou como das demais – vão para a rua. Drama principalmente para os mais jovens e para os mais velhos.
Não estou aqui condenando a direção da Azaléia. A atitude é uma forma de sobrevivência. Eles não têm culpa da nossa política econômica. Não foram favoráveis quando o presidente Fernando Henrique Cardoso trocou as técnicas calçadistas brasileiras pelo projeto de Itaipu. Eles não gostariam de ter que se mudar – toda mudança é sempre um incômodo. Mas, se é mais barato fazer a mudança do que pagar alguns meses dos altos impostos gaúchos, fazer o quê? No futuro, é possível que a Azaléia se mude para Índia, para a China ou qualquer outro país que não cobre taxas abusivas que encarecem o valor do par de calçado.
Quando se fala da necessidade de reforma tributária de forma urgente, nossos “lideres” fingem se sensibilizar, mas empurram com a barriga. O fato é que um dos Estados mais prejudicados por tudo isso é o Rio Grande do Sul, porque não é central, ou seja, próximo das mais variadas unidades da federação (o que exige uma logística maior), porque o seu porto (em Rio Grande) é especializado em exportações (e o real valorizado impede isso), porque seus trabalhadores têm vencimentos em patamares superiores ao da maioria dos demais Estados, e porque o ICMS, entre outros impostos, é mais caro.
Agora vamos pensar o seguinte: o problema todo se deu em Parobé, cuja posição geográfica e cuja infraestrutura e logística é muito melhor do que a da nossa região. Como incentivar empresas a se instalar aqui sem uma reforma tributária, que torne os impostos em todos os estados mais equivalentes? Não tem terraplenagem, pagamento de aluguel ou cessão de terreno em distrito industrial que ajude...
12-05-11
Cabo de guerra de gênero
Às vezes passo um tempão pensando se realmente devo escrever sobre determinado tema. São aqueles que mexem com paixões, com idéias, com religião, etc. É complicado escrever sobre homossexualidade, porque, se eu tentar ser imparcial (nunca se consegue, mas sempre se tenta), conseguirei desagradar os dois lados. Contudo, como eu não nasci de susto, vou tentar de novo.
Nos próximos dias, estaremos em meio a (mais) uma grande polêmica sobre homofobia. Mais precisamente sobre a PEC 122, já entitulada no Congresso Nacional e nos meios de comunicação como Lei da Homofobia (vocês já notaram que toda lei precisa de um título para dar ibope? É Lei Pelé, Lei Maria da Penha, Lei da Ficha Limpa, Lei Seca, Lei Áurea, etc..). O Projeto de Emenda Constitucional, que tramita no Congresso desde 2001 (!!!), amplia as leis que já proíbem a discriminação de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional, para também tornar crime o preconceito por “gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.
O que poderia parecer, pelo menos para boa parte da população, uma lei normal, que já deveria estar em vigor, levanta polêmica especialmente porque mexe com dogmas religiosos. Basta entrar em sites e blogs, ou assistir ao Silas Malafaia, para ver que isso é latente. O medo de pastores e bispos é não poder mais pregar aquilo que crêem sem correr o risco de parar atrás das grades. Falam de censura, de amordaçamento. E acusam ongs e alguns deputados de estarem patrocinando uma “ditadura gay”.
Pelo que acompanhei, em breve teremos ardentes capítulos: no dia 17 de maio, ocorre a segunda marcha nacional contra homofobia e pela aprovação da PEC 122. Como toda a ação trás consigo uma reação, no final do mês se reúnem em Brasília pastores, líderes religiosos e pessoas que costumeiramente são enquadradas no termo “extrema direita” para berrar contra o projeto.
De um lado, as Ongs lutando contra o preconceito, a perseguição, a violência contra homossexuais. Com razão: numa rápida pesquisa pela internet, é possível encontrar alguns dados alarmantes, todos de Ongs voltadas para a causa LGBT, que indicam o crescente aumento de crimes ditos homofóbicos. Por exemplo: nos últimos 5 anos, o número de assassinatos motivados pelo ódio a esta minoria teve um crescimento de 113%, com o ano de 2010 vendo a morte de pelo menos 260 gays, travestis e lésbicas. Em 2009, foram 198 homicídios com motivação homofóbica. Outros dados cuja fonte é o google indicam que o Brasil é o campeão mundial de assassinatos de homossexuais: nos Estados Unidos, com 100 milhões a mais de habitantes que nosso país, foram registrados 14 assassinatos de travestis em 2010, enquanto no Brasil, foram 110 homicídios (não achei dados do mundo árabe).
Do outro lado, pessoas que discordam da referida opção sexual com argumentos de que a lei fere princípios constitucionais de liberdade de expressão, de culto, de fé e de opinião. Vai dar pano para a manga...
Vai. E o pior é que nenhuma parte admite fazer acordos quanto à causa. A impressão que tenho é de que ninguém, na realidade, está pensando em resolver o problema da discriminação. O que vejo é atores brincando de cabo de guerra. E muitos parlamentares se aproveitando eleitoralmente disso. E se a lei for aprovada tão longe das eleições, quais serão as novas bandeiras? Para mim, o fato de termos tantas leis proibindo, proibindo, proibindo demonstra como ainda estamos longe de sermos plenamente civilizados. Ainda mais em se tratando de preconceito, o que de forma alguma existiria se cada um soubesse conviver em seu quadrado, cuidando do próprio nariz.
05-05-11
Nos próximos dias, estaremos em meio a (mais) uma grande polêmica sobre homofobia. Mais precisamente sobre a PEC 122, já entitulada no Congresso Nacional e nos meios de comunicação como Lei da Homofobia (vocês já notaram que toda lei precisa de um título para dar ibope? É Lei Pelé, Lei Maria da Penha, Lei da Ficha Limpa, Lei Seca, Lei Áurea, etc..). O Projeto de Emenda Constitucional, que tramita no Congresso desde 2001 (!!!), amplia as leis que já proíbem a discriminação de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional, para também tornar crime o preconceito por “gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.
O que poderia parecer, pelo menos para boa parte da população, uma lei normal, que já deveria estar em vigor, levanta polêmica especialmente porque mexe com dogmas religiosos. Basta entrar em sites e blogs, ou assistir ao Silas Malafaia, para ver que isso é latente. O medo de pastores e bispos é não poder mais pregar aquilo que crêem sem correr o risco de parar atrás das grades. Falam de censura, de amordaçamento. E acusam ongs e alguns deputados de estarem patrocinando uma “ditadura gay”.
Pelo que acompanhei, em breve teremos ardentes capítulos: no dia 17 de maio, ocorre a segunda marcha nacional contra homofobia e pela aprovação da PEC 122. Como toda a ação trás consigo uma reação, no final do mês se reúnem em Brasília pastores, líderes religiosos e pessoas que costumeiramente são enquadradas no termo “extrema direita” para berrar contra o projeto.
De um lado, as Ongs lutando contra o preconceito, a perseguição, a violência contra homossexuais. Com razão: numa rápida pesquisa pela internet, é possível encontrar alguns dados alarmantes, todos de Ongs voltadas para a causa LGBT, que indicam o crescente aumento de crimes ditos homofóbicos. Por exemplo: nos últimos 5 anos, o número de assassinatos motivados pelo ódio a esta minoria teve um crescimento de 113%, com o ano de 2010 vendo a morte de pelo menos 260 gays, travestis e lésbicas. Em 2009, foram 198 homicídios com motivação homofóbica. Outros dados cuja fonte é o google indicam que o Brasil é o campeão mundial de assassinatos de homossexuais: nos Estados Unidos, com 100 milhões a mais de habitantes que nosso país, foram registrados 14 assassinatos de travestis em 2010, enquanto no Brasil, foram 110 homicídios (não achei dados do mundo árabe).
Do outro lado, pessoas que discordam da referida opção sexual com argumentos de que a lei fere princípios constitucionais de liberdade de expressão, de culto, de fé e de opinião. Vai dar pano para a manga...
Vai. E o pior é que nenhuma parte admite fazer acordos quanto à causa. A impressão que tenho é de que ninguém, na realidade, está pensando em resolver o problema da discriminação. O que vejo é atores brincando de cabo de guerra. E muitos parlamentares se aproveitando eleitoralmente disso. E se a lei for aprovada tão longe das eleições, quais serão as novas bandeiras? Para mim, o fato de termos tantas leis proibindo, proibindo, proibindo demonstra como ainda estamos longe de sermos plenamente civilizados. Ainda mais em se tratando de preconceito, o que de forma alguma existiria se cada um soubesse conviver em seu quadrado, cuidando do próprio nariz.
05-05-11
Uma peça de teatro chamada greve
Os juízes federais de todo o país paralisaram as atividades durante 24 horas. E nisso achei o tema da coluna de hoje. Porque, já há algum tempo, eu tenho dúvidas quanto a eficácia das greves. Normalmente, pelo que percebo, as greves geram mais ônus do que bônus para os próprios trabalhadores. Seria esta a forma como a categoria deveria chamar a atenção para suas reivindicações?
As primeiras greves do Brasil datam da década de 30. Não faz cem anos. E já acho que deveria estar em desuso. Minha experiência com manifestações como esta, ao menos, indica que sim. Há alguns anos, liderei uma greve. E senti na pele as consequências. Era meu primeiro trabalho após conseguir meu registro (e após ser diplomado). Eu era movido por pura ideologia e sentimento de defesa da classe. Berrei muito contra atrasos salariais, contra o excesso de carga horária extras não remuneradas e algumas outras coisas. Foi uma das raras greves de jornalistas dos últimos 15 anos do país. Recebemos apoio de colegas do Brasil todo. Alguns chegaram a oferecer a criação de um fundo para manter nossa resistência. Fomos à Prefeitura, à Câmara de Vereadores, e verbalmente recebemos apoio de todos. Fomos à Justiça do Trabalho, que tratou de contemporizar os ânimos. Se na frente das autoridades os patrões pareciam conscientes dos problemas, na empresa provocaram o caos. Tudo o que os chefes queriam era ver cabeças rolando. Precisavam de motivos que, se não existiam, poderiam ser criados. A primeira medida foi pegar um pra cristo. Sobrou para o mais novo, com menos tempo de trabalho, que também era o mais reclamão e o mais inconseqüente. Acharam uma desculpa e fui demitido por justa causa, tarja que reverti na Justiça tempos depois. Até hoje os atrasos salariais persistem.
Também cobri algumas greves, de todas as classes que você possa imaginar: professores (estaduais, municipais e federais), bancários, do transporte público, da segurança, da saúde. Percebi algumas coincidências: as categorias não se mobilizavam. Eram sempre as mesmas lideranças, quase sempre amparadas por estatutos que garantem estabilidade de emprego, e todos ligados a partidos políticos, que faziam barulho.
A principal desculpa de uma greve é sempre chamar a atenção do público para uma necessidade. É bonito de ver meia dúzia tomando chimarrão em frente aos postos de trabalho, faixas penduradas, enquanto os outros trabalhadores se preocupam com qualquer outra coisa que não seja a manifestação. Conheci alguns que já contavam com a greve para poder passar uma semana visitando a família. Entrevistei também os usuários dos serviços que estavam paralisados e nunca ouvi ninguém entre os “civis” apoiar a iniciativa de classe. Ou seja: ao invés de sensibilizar, os grevistas provocavam raiva em todos os que sofrem com a não prestação dos serviços.
O mais engraçado é que todas as autoridades, ou mesmo representantes do patronato, falam em respeito aos direitos dos trabalhadores e, por trás dos panos, buscam maneiras caçar as bruxas. E os dirigentes sindicais sempre falam em repressão, em não baixar a cabeça, em seguir em frente, em resistência, até que todas as ameaças tenham feito os trabalhadores voltarem ao batente sem nenhum pio, e o movimento acaba esvaziado. Aí, essas mesmas lideranças sindicais vão a imprensa declarar a vitória porque “muito” foi conquistado. É um grande teatro!
Sei não. Ou eu que fiquei muito desiludido com as utopias que me venderam, ou está na hora das organizações sindicais adotarem posturas um pouco mais simpáticas à sociedade e que não coloquem em risco os colegas. As greves hoje são mais nocivas aos trabalhadores do que a qualquer outro. A não ser que o estatuto garanta a estabilidade no emprego por alguns anos, ninguém mais me pega para paralisação alguma.
publicada em 29-04-11
As primeiras greves do Brasil datam da década de 30. Não faz cem anos. E já acho que deveria estar em desuso. Minha experiência com manifestações como esta, ao menos, indica que sim. Há alguns anos, liderei uma greve. E senti na pele as consequências. Era meu primeiro trabalho após conseguir meu registro (e após ser diplomado). Eu era movido por pura ideologia e sentimento de defesa da classe. Berrei muito contra atrasos salariais, contra o excesso de carga horária extras não remuneradas e algumas outras coisas. Foi uma das raras greves de jornalistas dos últimos 15 anos do país. Recebemos apoio de colegas do Brasil todo. Alguns chegaram a oferecer a criação de um fundo para manter nossa resistência. Fomos à Prefeitura, à Câmara de Vereadores, e verbalmente recebemos apoio de todos. Fomos à Justiça do Trabalho, que tratou de contemporizar os ânimos. Se na frente das autoridades os patrões pareciam conscientes dos problemas, na empresa provocaram o caos. Tudo o que os chefes queriam era ver cabeças rolando. Precisavam de motivos que, se não existiam, poderiam ser criados. A primeira medida foi pegar um pra cristo. Sobrou para o mais novo, com menos tempo de trabalho, que também era o mais reclamão e o mais inconseqüente. Acharam uma desculpa e fui demitido por justa causa, tarja que reverti na Justiça tempos depois. Até hoje os atrasos salariais persistem.
Também cobri algumas greves, de todas as classes que você possa imaginar: professores (estaduais, municipais e federais), bancários, do transporte público, da segurança, da saúde. Percebi algumas coincidências: as categorias não se mobilizavam. Eram sempre as mesmas lideranças, quase sempre amparadas por estatutos que garantem estabilidade de emprego, e todos ligados a partidos políticos, que faziam barulho.
A principal desculpa de uma greve é sempre chamar a atenção do público para uma necessidade. É bonito de ver meia dúzia tomando chimarrão em frente aos postos de trabalho, faixas penduradas, enquanto os outros trabalhadores se preocupam com qualquer outra coisa que não seja a manifestação. Conheci alguns que já contavam com a greve para poder passar uma semana visitando a família. Entrevistei também os usuários dos serviços que estavam paralisados e nunca ouvi ninguém entre os “civis” apoiar a iniciativa de classe. Ou seja: ao invés de sensibilizar, os grevistas provocavam raiva em todos os que sofrem com a não prestação dos serviços.
O mais engraçado é que todas as autoridades, ou mesmo representantes do patronato, falam em respeito aos direitos dos trabalhadores e, por trás dos panos, buscam maneiras caçar as bruxas. E os dirigentes sindicais sempre falam em repressão, em não baixar a cabeça, em seguir em frente, em resistência, até que todas as ameaças tenham feito os trabalhadores voltarem ao batente sem nenhum pio, e o movimento acaba esvaziado. Aí, essas mesmas lideranças sindicais vão a imprensa declarar a vitória porque “muito” foi conquistado. É um grande teatro!
Sei não. Ou eu que fiquei muito desiludido com as utopias que me venderam, ou está na hora das organizações sindicais adotarem posturas um pouco mais simpáticas à sociedade e que não coloquem em risco os colegas. As greves hoje são mais nocivas aos trabalhadores do que a qualquer outro. A não ser que o estatuto garanta a estabilidade no emprego por alguns anos, ninguém mais me pega para paralisação alguma.
publicada em 29-04-11
Tecnologia 10x0 Eu
Não sei se alguém aí percebeu mas, pela primeira vez em quase dois anos, na semana passada minha coluna não foi publicada. Não, ainda não fui censurado pelos nobres diretores da Folha, nem quando mereci. Mas acabei enrolado em um pequeno problema técnico, que serviu ao menos para uma coisa: ser objeto da coluna desta semana (nada se ganha, nada se perde, tudo se transforma, diria um tal de Lavoisier – isto segundo o Google).
Mas voltamos aos fatos: meu notebook resolveu dar pau bem na hora de enviar a coluna. Isso não é desculpa de aluno, embora em outras ocasiões já tenha utilizado deste estratagema. Escrevi a coluna e, enquanto navegava pela internet pensando num título, travou tudo. Reiniciei a máquina, apareceu a mensagem para que eu entrasse no modo de segurança. Não adiantou. Tentei o modo normal. Nada. Após várias outras tentativas, que foram desde desligar o notebook durante um tempo para observar se o problema na era apenas aquecimento até orações a Santo Expedito, joguei a toalha. Pela primeira vez na vida, perdi um deadline!
Depois e tentar avisar a equipe do jornal e pedir desculpas de forma (des)envergonhada, lembrei do que mais havia no Jarbas (este é o nome do meu notebook). Pelo menos dez anos de fotos (coleção que já estava incompleta por causa de outras panes em outros computadores). Cerca de cinco mil músicas. Vídeos, inclusive o de minha formatura. Todas as colunas escritas até agora na Folha (ainda não são dignas do prêmio Pulitzer, mas são quase cem e ao menos eu tenho carinho por elas). Minhas duas monografias, a de conclusão da graduação e a da pós-graduação. Jogos (o que fazer para curar a insônia ou o formigamentos nos meus joelhos?).
Não é a primeira vez que blasfemo a tecnologia. Antigamente, eu só perderia minhas fotos se pegasse fogo na casa. Nem se a residência de meus pais fosse roubada ficaria sem os meus lindos retratinhos, afinal, qual bandido me levaria para casa de recordação? E além de tudo, haveria os negativos, era só levar rapidinho ali no Chapa e pronto. Nem havia essas máquinas digitais, na base do filme mesmo. Até sei de histórias de roubos de discos de vinil e de CD’s, mas nada se compara a perde tantas músicas, algumas raras e de bandas desconhecidas, de uma só vez. E, se fosse há 20 anos atrás, e eu teria uma caixa de sapato com minhas colunas datilografadas e corrigidas a caneta, com observações de todos os tipos. E os filmes não seriam perdas, já que eu só pegava na locadora mesmo.
Agora, de volta ao zero. É claro que boa parte das informações perdidas podem ser recuperadas no próprio ciberespaço. Assim como eu já havia baixado um monte de filmes e músicas – e até livros -, posso repetir a dose. Boa parte das fotos também, é só passar pelos perfis dos meus amigos nas redes sociais que ainda conseguirei lembrar da minha cara alguns anos mais moço, mais magro e com mais cabelos). Mas só de pensar nesse trabalhão, prefiro cruzar os dedos e colocar um trabalhinho em um cruzamento para que o técnico que está examinando o Jarbas recupere tudo.
Pois é. Dizem que a tecnologia é desenvolvida para facilitar nossa vida. É certo que em grande parte sim, não há a menor dúvida. Por outro lado, acho que ela tira um pouco o romantismo das coisas (tema para uma próxima coluna, ok?) e também escraviza um pouco. A tecnologia faz a gente ganhar tempo, torna tudo mais ágil. Mas também nos prende durante horas em frente a um computador. Ao mesmo tempo em que nos conecta ao mundo, desliga-nos de tudo o que acontece num raio superior a dois metros. E ainda por cima, volta e meia obriga-nos a reescrever páginas e mais páginas não salvas...
publicada em 08-04-11
Mas voltamos aos fatos: meu notebook resolveu dar pau bem na hora de enviar a coluna. Isso não é desculpa de aluno, embora em outras ocasiões já tenha utilizado deste estratagema. Escrevi a coluna e, enquanto navegava pela internet pensando num título, travou tudo. Reiniciei a máquina, apareceu a mensagem para que eu entrasse no modo de segurança. Não adiantou. Tentei o modo normal. Nada. Após várias outras tentativas, que foram desde desligar o notebook durante um tempo para observar se o problema na era apenas aquecimento até orações a Santo Expedito, joguei a toalha. Pela primeira vez na vida, perdi um deadline!
Depois e tentar avisar a equipe do jornal e pedir desculpas de forma (des)envergonhada, lembrei do que mais havia no Jarbas (este é o nome do meu notebook). Pelo menos dez anos de fotos (coleção que já estava incompleta por causa de outras panes em outros computadores). Cerca de cinco mil músicas. Vídeos, inclusive o de minha formatura. Todas as colunas escritas até agora na Folha (ainda não são dignas do prêmio Pulitzer, mas são quase cem e ao menos eu tenho carinho por elas). Minhas duas monografias, a de conclusão da graduação e a da pós-graduação. Jogos (o que fazer para curar a insônia ou o formigamentos nos meus joelhos?).
Não é a primeira vez que blasfemo a tecnologia. Antigamente, eu só perderia minhas fotos se pegasse fogo na casa. Nem se a residência de meus pais fosse roubada ficaria sem os meus lindos retratinhos, afinal, qual bandido me levaria para casa de recordação? E além de tudo, haveria os negativos, era só levar rapidinho ali no Chapa e pronto. Nem havia essas máquinas digitais, na base do filme mesmo. Até sei de histórias de roubos de discos de vinil e de CD’s, mas nada se compara a perde tantas músicas, algumas raras e de bandas desconhecidas, de uma só vez. E, se fosse há 20 anos atrás, e eu teria uma caixa de sapato com minhas colunas datilografadas e corrigidas a caneta, com observações de todos os tipos. E os filmes não seriam perdas, já que eu só pegava na locadora mesmo.
Agora, de volta ao zero. É claro que boa parte das informações perdidas podem ser recuperadas no próprio ciberespaço. Assim como eu já havia baixado um monte de filmes e músicas – e até livros -, posso repetir a dose. Boa parte das fotos também, é só passar pelos perfis dos meus amigos nas redes sociais que ainda conseguirei lembrar da minha cara alguns anos mais moço, mais magro e com mais cabelos). Mas só de pensar nesse trabalhão, prefiro cruzar os dedos e colocar um trabalhinho em um cruzamento para que o técnico que está examinando o Jarbas recupere tudo.
Pois é. Dizem que a tecnologia é desenvolvida para facilitar nossa vida. É certo que em grande parte sim, não há a menor dúvida. Por outro lado, acho que ela tira um pouco o romantismo das coisas (tema para uma próxima coluna, ok?) e também escraviza um pouco. A tecnologia faz a gente ganhar tempo, torna tudo mais ágil. Mas também nos prende durante horas em frente a um computador. Ao mesmo tempo em que nos conecta ao mundo, desliga-nos de tudo o que acontece num raio superior a dois metros. E ainda por cima, volta e meia obriga-nos a reescrever páginas e mais páginas não salvas...
publicada em 08-04-11
Justiça seja feita
Eu juro que não queria escrever sobre isso. Mas não tem remédio. Mesmo porque eu já sabia que iria dar nisso. Você também sabia. Eles iriam dar um jeito de se livrarem dessa. E os fichas sujas que concorreram nas eleições de 2010, estão liberados para assumir os cargos.
Será que é só no Brasil que o vilão sempre vence no final? Esperamos um tempão até que a vaga deixada pelo ministro Eros Grau fosse ocupada, já que a discussão sobre valer ou não a Ficha Limpa estava empatada em cinco a cinco no Supremo Tribunal Federal (relembrando a todos: a Lei de Ficha Limpa impede que políticos condenados pela Justiça possam concorrer a cargos eletivos). O ex-presidente Lula deixou a indicação de um novo ministro para sua sucessora. Dilma escolheu o então juiz do Superior Tribunal de Justiça, Luis Fux. Recomposto o Tribunal, todos os holofotes foram ligados. Até a audiência da TV Justiça aumentou. Mas não deu em nada. O novo ministro acompanhou aqueles que defendem que a Lei da Ficha Limpa só vale para o ano que vem. Azar é nosso.
Não posso discutir leis com ninguém. Sou leigo no assunto. Sei pouco mais do que o básico. No final do ano passado já havia acompanhado durante horas a fio pela tv as argumentações de cada um dos ministros. Fico admirado com o grau de inteligência de todos. Facilmente qualquer um me convenceria. Mas como metade do Tribunal dava parecer favorável a validade da lei, creio que não é nenhum absurdo reivindica-lo. É coisa de gente maluca, mas assisti a sessão como se fosse uma partida de futebol, e torci como um doido pelos “jogadores” Ellen Gracie, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Carlos Ayres Britto. Cada vez que o relator Gilmar Mendes falava, embrulhava-me o estômago (tenho uma implicância com ele desde a história da não obrigatoriedade do diploma para jornalista). Dias Toffoli, César Peluso, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello idem. E aquele empate me fez sentir como se o Grêmio tivesse perdido uma final (para o Inter).
Consegui chegar apenas a seguinte conclusão: cada um consegue fazer o que quer com a lei, depende apenas com que ângulo se debruça sobre os Códigos. E daí que fica difícil de entender porque não acabar com os “cidadãos” que, comprovadamente, utilizaram do dinheiro público – entre outros delitos. Por que dar mais quatro anos (oito, no caso dos senadores) de imunidade parlamentar?
Agora vamos temos que esperar ainda mais para que esse “filtro” (sim, é uma forma de tirar algumas personalidades de conduta duvidosa do cenário político) passe a funcionar. O que também, justiça seja feita (irônica essa expressão, não?) também não vai nos salvar de políticos sem escrúpulos. Mas ainda fico com a sensação de que os juizes se divertem muito com a nossa cara. É como se lavassem as mãos. Sim, porque se Jader Barbalho, Paulo Maluf, João Alberto Capiberibe, etc, conquistaram votos o suficiente para se eleger, a culpa realmente não é dos ministros. Justiça seja feita...
publicada em 25-03-11(meu aniversário!)
Será que é só no Brasil que o vilão sempre vence no final? Esperamos um tempão até que a vaga deixada pelo ministro Eros Grau fosse ocupada, já que a discussão sobre valer ou não a Ficha Limpa estava empatada em cinco a cinco no Supremo Tribunal Federal (relembrando a todos: a Lei de Ficha Limpa impede que políticos condenados pela Justiça possam concorrer a cargos eletivos). O ex-presidente Lula deixou a indicação de um novo ministro para sua sucessora. Dilma escolheu o então juiz do Superior Tribunal de Justiça, Luis Fux. Recomposto o Tribunal, todos os holofotes foram ligados. Até a audiência da TV Justiça aumentou. Mas não deu em nada. O novo ministro acompanhou aqueles que defendem que a Lei da Ficha Limpa só vale para o ano que vem. Azar é nosso.
Não posso discutir leis com ninguém. Sou leigo no assunto. Sei pouco mais do que o básico. No final do ano passado já havia acompanhado durante horas a fio pela tv as argumentações de cada um dos ministros. Fico admirado com o grau de inteligência de todos. Facilmente qualquer um me convenceria. Mas como metade do Tribunal dava parecer favorável a validade da lei, creio que não é nenhum absurdo reivindica-lo. É coisa de gente maluca, mas assisti a sessão como se fosse uma partida de futebol, e torci como um doido pelos “jogadores” Ellen Gracie, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Carlos Ayres Britto. Cada vez que o relator Gilmar Mendes falava, embrulhava-me o estômago (tenho uma implicância com ele desde a história da não obrigatoriedade do diploma para jornalista). Dias Toffoli, César Peluso, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello idem. E aquele empate me fez sentir como se o Grêmio tivesse perdido uma final (para o Inter).
Consegui chegar apenas a seguinte conclusão: cada um consegue fazer o que quer com a lei, depende apenas com que ângulo se debruça sobre os Códigos. E daí que fica difícil de entender porque não acabar com os “cidadãos” que, comprovadamente, utilizaram do dinheiro público – entre outros delitos. Por que dar mais quatro anos (oito, no caso dos senadores) de imunidade parlamentar?
Agora vamos temos que esperar ainda mais para que esse “filtro” (sim, é uma forma de tirar algumas personalidades de conduta duvidosa do cenário político) passe a funcionar. O que também, justiça seja feita (irônica essa expressão, não?) também não vai nos salvar de políticos sem escrúpulos. Mas ainda fico com a sensação de que os juizes se divertem muito com a nossa cara. É como se lavassem as mãos. Sim, porque se Jader Barbalho, Paulo Maluf, João Alberto Capiberibe, etc, conquistaram votos o suficiente para se eleger, a culpa realmente não é dos ministros. Justiça seja feita...
publicada em 25-03-11(meu aniversário!)
Ação e reação
Com tsunami e terremotos no Japão, fatos que resultaram em quatro mil e lá vai mortos, não tive como não pensar em certas coisas. Não me refiro ao sofrimento de tantas famílias, às perdas materiais, às destruições nos sistemas viários, etc... (óbvio que isso é importante, eu ainda tenho coração, mas não é o foco da coluna). Ao escrever estas linhas estou pensando no mutirão para reerguer o país que veremos em breve.
Para quem cabulou as aulas de história, eu relembro: o Japão saiu da Segunda Guerra Mundial bem pior do que se encontra agora. Lembram das ditas bombas atômicas? Pois é. Em poucos anos, o país do sol nascente reergueu-se e tornou-se uma das maiores potências mundiais. O que provocou essa transformação? Certamente houve ajuda externa de vários países (especialmente daqueles interessados em criar um comércio forte com os japas, e principalmente dos Estados Unidos, que competiam com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas pela dianteira do planeta), mas o que fez realmente a diferença foi o sentido de cooperação entre os habitantes do país.
Outros países devastados pela Segunda Guerra também deram a volta rapidinho, como a França e a Itália (diferentemente dos EUA, eles tiveram muitas batalhas em seu território). Mas o melhor exemplo que conheço por ouvir falar foi a Alemanha de Hitler, quebrada e destroçada após a Primeira Guerra, foi reorganizada pelo pai dos nazistas (calma novamente: não estou dizendo que o cara estava certo, mas que fez um baita trabalho, ah se fez! Pena que era louco, preconceituoso, etc...) a partir da mobilização nacional. Pense nisso: em 1918, a Alemanha era apenas um monte de cacos; em 1939, foi a potência que assombrou o mundo e que por pouco não ganhou a guerra. E sabe como? Unindo e motivando os alemães.
No Brasil mesmo, vimos recentes comoções que indicaram uma certa preocupação do nosso povo com os compatriotas, como por exemplo os deslizamentos de Santa Catarina, que teve tantas doações que a Defesa Civil do Estado estava implorando para que nada mais fosse mandado por que não havia como estocar e distribuir os donativos.
Enfim, não sei se me fiz entender, mas o que quero dizer é que, movidos como somos todos os humanos pela emoção, acontecimentos tristes como esses provocam uma mobilização enorme, apontada quase sempre para a melhora na qualidade de vida de todo o país. É como aquela ponte capenga, que ninguém se importa de trocar, a menos que caia e leve consigo algumas vidas inocentes (lembram de um certo fato ocorrido no RS no ano passado? A ponte está pronta em tempo recorde!). Eu mesmo presenciei alguns fatos interessante: foi quando ocorreram episódios do mesmo quilate que vi alguns políticos trabalhando realmente de maneira séria e voltada para a população, como sempre deveria ser.
Diante do problema, vem a solução. Disseram-me na escola que, para toda a ação, tem-se uma reação. Passei a duvidar. Não temos tsunami, ou terremotos (uma enchentezinha aqui, um deslizamento ali), dificilmente teremos acidente nuclear com as usinas Angras, estamos bem longe de entrar em guerra, somos o país invejado pela alegria, pelo carnaval, pelo futebol. Ao invés de crescermos por não ter que enfrentar problemas de grandes proporções, parece-me que é justamente isso que nos tapa os olhos e nos mantém estáticos, sem cobrar nada das autoridades ou sem mexer um dedo pelo próximo. Hoje estou convicto de que pequenas injustiças, mini-tragédias, pelo menos para a maioria, não causa reação alguma. Será que só vamos conseguir desenvolver esse espírito próximo do final do mundo?
18-03-11
Para quem cabulou as aulas de história, eu relembro: o Japão saiu da Segunda Guerra Mundial bem pior do que se encontra agora. Lembram das ditas bombas atômicas? Pois é. Em poucos anos, o país do sol nascente reergueu-se e tornou-se uma das maiores potências mundiais. O que provocou essa transformação? Certamente houve ajuda externa de vários países (especialmente daqueles interessados em criar um comércio forte com os japas, e principalmente dos Estados Unidos, que competiam com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas pela dianteira do planeta), mas o que fez realmente a diferença foi o sentido de cooperação entre os habitantes do país.
Outros países devastados pela Segunda Guerra também deram a volta rapidinho, como a França e a Itália (diferentemente dos EUA, eles tiveram muitas batalhas em seu território). Mas o melhor exemplo que conheço por ouvir falar foi a Alemanha de Hitler, quebrada e destroçada após a Primeira Guerra, foi reorganizada pelo pai dos nazistas (calma novamente: não estou dizendo que o cara estava certo, mas que fez um baita trabalho, ah se fez! Pena que era louco, preconceituoso, etc...) a partir da mobilização nacional. Pense nisso: em 1918, a Alemanha era apenas um monte de cacos; em 1939, foi a potência que assombrou o mundo e que por pouco não ganhou a guerra. E sabe como? Unindo e motivando os alemães.
No Brasil mesmo, vimos recentes comoções que indicaram uma certa preocupação do nosso povo com os compatriotas, como por exemplo os deslizamentos de Santa Catarina, que teve tantas doações que a Defesa Civil do Estado estava implorando para que nada mais fosse mandado por que não havia como estocar e distribuir os donativos.
Enfim, não sei se me fiz entender, mas o que quero dizer é que, movidos como somos todos os humanos pela emoção, acontecimentos tristes como esses provocam uma mobilização enorme, apontada quase sempre para a melhora na qualidade de vida de todo o país. É como aquela ponte capenga, que ninguém se importa de trocar, a menos que caia e leve consigo algumas vidas inocentes (lembram de um certo fato ocorrido no RS no ano passado? A ponte está pronta em tempo recorde!). Eu mesmo presenciei alguns fatos interessante: foi quando ocorreram episódios do mesmo quilate que vi alguns políticos trabalhando realmente de maneira séria e voltada para a população, como sempre deveria ser.
Diante do problema, vem a solução. Disseram-me na escola que, para toda a ação, tem-se uma reação. Passei a duvidar. Não temos tsunami, ou terremotos (uma enchentezinha aqui, um deslizamento ali), dificilmente teremos acidente nuclear com as usinas Angras, estamos bem longe de entrar em guerra, somos o país invejado pela alegria, pelo carnaval, pelo futebol. Ao invés de crescermos por não ter que enfrentar problemas de grandes proporções, parece-me que é justamente isso que nos tapa os olhos e nos mantém estáticos, sem cobrar nada das autoridades ou sem mexer um dedo pelo próximo. Hoje estou convicto de que pequenas injustiças, mini-tragédias, pelo menos para a maioria, não causa reação alguma. Será que só vamos conseguir desenvolver esse espírito próximo do final do mundo?
18-03-11
Oficialmente, feliz ano novo!
Costumam dizer por aí que o ano começa somente depois que o carnaval acaba. Eu disconcordo – concordo e discordo ao mesmo tempo, sem medo de parecer incoerente. Mas já me aconteceu de perceber que a boiada já estava passando quando ouvi “Estação Primeira de Mangueira... Dez”...
Dá para entender. O calor começa a diminuir, dá até vontade de pensar de novo. Há menos pessoas na casa do BBB, as empresas começam a ficar completas, com a volta de todos os funcionários; não há mais recesso tão cedo no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras de Vereadores; as secretarias em todos os âmbitos e os órgãos públicos agora estão (ou deveriam) operar normalmente (o que muda até o noticiário, que passa dois meses preocupado com previsão do tempo, acidentes e esportes); as aulas recomeçam e os pais não se sentem mais constrangidos ao verem os filhos em casa sem fazer absolutamente nada ou, pior, apenas fazendo barulho.
Parece que tudo o que vinha antes era de brincadeirinha, uma espécie de ensaio, e agora a coisa começa a pegar para valer. Mas, pelo menos para as estatísticas, o ano começou mesmo em janeiro. Sobretudo no que se refere a afogamentos, mortes no trânsito, mortes em tragédias, entrada de dólares, superávit, déficit, balança comercial, cotações da bolsa, desabrigados por causa de fenômenos climáticos, perdas na lavoura por causa da estiagem. (Sempre tive a impressão de que as estatísticas servem às forças do mal!). Tem o futebol também que, apesar de os primeiros jogos – por qualquer competição – terem ritmo mais lento, já tem campeões.
A verdade – aquilo que eu tomo como verdade, no fim das contas – é de que cada pessoa tem seu próprio tempo como paralelo ao tempo de todos. O cara que chegou semana passada depois de um mês em Camboriú encara tudo um pouco diferente de quem não teve direito a férias, ou então, que tirou férias lá em novembro último. Porém, entre todos – os de minha relação – uma coisa faz com que os cronômetros sejam ajustados, que caia a ficha geral de que sim, estamos em 2011. Chama-se março. É incrível como 98,7% das pessoas chegam ao terceiro mês do ano quebrado, apertando o cinto, choramingando por causa das contas. O índice só não é maior porque alguém tem que estar satisfeito com isso, é impossível que todos percam. E, para piorar, é um mês com 31 dias, o que dá a impressão de que o dinheiro levará uma eternidade para entrar no bolso. É IPTU, IPVA, até a declaração do Imposto de Renda já está sendo recolhida. Se você se enquadra nesta categoria, desejo, agora oficialmente, feliz 2011!
***
Deveria ser uma coluna inteira, mas como o meu ano está começando, não queria aborrecimento total nestes 3 mil caracteres geralmente extrapolados. Mas está relacionado à Educação do nosso povo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, os materiais escolares carregam em seu valor em torno de 50% de impostos. A cada caneta esferográfica comprada, paga-se 47,49% de impostos. Uma régua carrega consigo 44,65%, enquanto as colas mandam 42,71%. Imaginem, pai e mãe de dois, três filhos, que iniciaram as aulas nos últimos dias, quão mais tranqüilo seria o mês se houvesse a redução dessas taxas. Na minha concepção, o material escolar é tão básico quanto o alimento consumido e, de forma alguma, poderia recolher aos cofres mais do que 10%. A redução seria quase uma bolsa educação para cada família brasileira, um incentivo a mais (dentre os poucos que são dados) para a melhoria dos nossos índices.
publicada em 11-03-11
Dá para entender. O calor começa a diminuir, dá até vontade de pensar de novo. Há menos pessoas na casa do BBB, as empresas começam a ficar completas, com a volta de todos os funcionários; não há mais recesso tão cedo no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras de Vereadores; as secretarias em todos os âmbitos e os órgãos públicos agora estão (ou deveriam) operar normalmente (o que muda até o noticiário, que passa dois meses preocupado com previsão do tempo, acidentes e esportes); as aulas recomeçam e os pais não se sentem mais constrangidos ao verem os filhos em casa sem fazer absolutamente nada ou, pior, apenas fazendo barulho.
Parece que tudo o que vinha antes era de brincadeirinha, uma espécie de ensaio, e agora a coisa começa a pegar para valer. Mas, pelo menos para as estatísticas, o ano começou mesmo em janeiro. Sobretudo no que se refere a afogamentos, mortes no trânsito, mortes em tragédias, entrada de dólares, superávit, déficit, balança comercial, cotações da bolsa, desabrigados por causa de fenômenos climáticos, perdas na lavoura por causa da estiagem. (Sempre tive a impressão de que as estatísticas servem às forças do mal!). Tem o futebol também que, apesar de os primeiros jogos – por qualquer competição – terem ritmo mais lento, já tem campeões.
A verdade – aquilo que eu tomo como verdade, no fim das contas – é de que cada pessoa tem seu próprio tempo como paralelo ao tempo de todos. O cara que chegou semana passada depois de um mês em Camboriú encara tudo um pouco diferente de quem não teve direito a férias, ou então, que tirou férias lá em novembro último. Porém, entre todos – os de minha relação – uma coisa faz com que os cronômetros sejam ajustados, que caia a ficha geral de que sim, estamos em 2011. Chama-se março. É incrível como 98,7% das pessoas chegam ao terceiro mês do ano quebrado, apertando o cinto, choramingando por causa das contas. O índice só não é maior porque alguém tem que estar satisfeito com isso, é impossível que todos percam. E, para piorar, é um mês com 31 dias, o que dá a impressão de que o dinheiro levará uma eternidade para entrar no bolso. É IPTU, IPVA, até a declaração do Imposto de Renda já está sendo recolhida. Se você se enquadra nesta categoria, desejo, agora oficialmente, feliz 2011!
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Deveria ser uma coluna inteira, mas como o meu ano está começando, não queria aborrecimento total nestes 3 mil caracteres geralmente extrapolados. Mas está relacionado à Educação do nosso povo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, os materiais escolares carregam em seu valor em torno de 50% de impostos. A cada caneta esferográfica comprada, paga-se 47,49% de impostos. Uma régua carrega consigo 44,65%, enquanto as colas mandam 42,71%. Imaginem, pai e mãe de dois, três filhos, que iniciaram as aulas nos últimos dias, quão mais tranqüilo seria o mês se houvesse a redução dessas taxas. Na minha concepção, o material escolar é tão básico quanto o alimento consumido e, de forma alguma, poderia recolher aos cofres mais do que 10%. A redução seria quase uma bolsa educação para cada família brasileira, um incentivo a mais (dentre os poucos que são dados) para a melhoria dos nossos índices.
publicada em 11-03-11
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