Já ouvi mais de um articulista falando que, se o brasileiro se preocupasse com política como se preocupa com futebol, o país seria a maior potência do mundo. Pois isso não é verdade. A preocupação do brasileiro em relação ao futebol é bem semelhante a que tem com a política.
Não basta ficar irritado com os quatro pênaltis perdidos pela seleção no último domingo, ou xingar Mano Menezes, Ganso, Pato e a Granja Comary toda. Essa é a parte “menos pior” do que ocorre no futebol brasileiro, sobretudo envolvendo a CBF. Perdoem-me a generalização, mas bons entendedores sabem do que estou falando. O mundo do futebol consegue ser tanto quanto ou mais corrupto que o da política (se é que existe mais ou menos corrupto; corrupção é corrupção). A massa se preocupa com os três pontos conquistados ou perdidos no campo, com troca de técnico, não quer nem saber do que há por trás disso tudo (falo com a autoridade de quem, em dias de jogos, enquadra-se nessa turma: esqueço dos bastidores e corro para o Olímpico). Assim como na política: de dois em dois anos, os cidadãos lembram que são eleitores e, na hora de votar, preferem não saber o que ocorreu durante tudo o que aconteceu durante o mandato.
O que já se sabia ficou ainda mais evidente com a declaração de guerra por parte da TV Record contra a CBF e seu presidente vitalício, Ricardo Teixeira. Insatisfeitos por serem preteridos pela entidade, que desde sempre protegeria e seria protegida pela Globo, os diretores da emissora da Universal resolveram descarregar a metralhadora. O que estava mascarado por uma fina cortina quase transparente, foi noticiado de maneira clara e cheia de comprovações. Quem ainda não viu as reportagens, divulgadas há mais de um mês, pode procurar no youtube.
Não vai caber tudo nestes 3 mil caracteres. Mas há denúncias de corrupção para mais de metro, em nível tupiniquim e em nível Fifa; há ameaças e demonstrações de arrogância, prepotência e certeza de impunidade por parte do ex-genro de João Havelange que eu achava incapaz de caber numa pessoa só.
Agora, porque a Record está divulgando tudo isso? Embora tente fazer parecer que é por “puro jornalismo”, sabe-se que o furo é mais embaixo. Mesmo oferecendo mais dinheiro do que a Globo, a emissora não consegue se incluir no grupo de amiguinhos de Teixeira. Tentou ganhar os direitos de transmissão do Brasileirão. Não fez proposta, pois sabia que ira perder. Apenas a RedeTV participou da “licitação” do Clube dos 13. A CBF contornou, e os clubes, um por um, venderam os direitos de transmissão para a Globo, fragilizando a entidade liderada por Fábio Koff. O mesmo ocorreu na disputa pela Copa do Mundo e pelos jogos da Seleção. Só deu Globo. A Record vai transmitir o Pan-Americano, mas a CBF decidiu colocar em campo, ao invés da seleção pré-olímpica com estrelas como Neymar, apenas o selecionado sub-17.
Quando se pensa nisso, dá vontade de jogar vôlei! Pior ainda é saber que a verdade vem à tona não porque a Record é boazinha, mas apenas porque está de beiço com a CBF; e que a Globo e as outras emissoras não fazem nada porque senão perdem as regalias. Tem muita coisa no armário que não é exposta porque queimaria muita, mas muita gente mesmo. É tudo bem mais feio do que a cobrança do Elano...
22-07-11
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