Já é algum tempo a moda entre jovens de ir para Europa, Estado Unidos e
Austrália para aprender uma nova língua e novos costumes. Entre meus amigos, uma
boa parcela já teve essa experiência, e outros estão se programando para tê-la. Não
fui um deles, portanto a opinião que se tem aqui é de alguém que apenas ouviu várias
narrativas a respeito.
Acho bastante válida a ida para o exterior. Especialmente porque conta muito no
currículo. Mas vejo alguns probleminhas aí, especialmente no que se refere no momento
certo para ir. Vou citar o exemplo de uma colega de faculdade. Ela esperou se formar
para ir para Londres. Não pensava em mais nada, só estudava inglês e italiano para
conseguir se comunicar lá fora enquanto freqüentasse os cursos de inglês e italiano.
Não queria saber nem de estágio. Pois bem. Ela foi. Passou dois anos e meio no Velho
Continente. Quando voltou, ao invés de ter mais mercado, não conseguiu se encaixar
porque faltava experiência na área. O que ela ouviu da maior parte dos veículos que
procurou: “ter essa experiência no Exterior é bastante importante, mas preferimos
alguém que já tenha atuado na área, até porque pouco utilizamos os conhecimentos
em língua estrangeira”. Ou seja, esses conhecimentos seriam ótimos para mídias de
circulação nacional e internacional. Que exigem muita experiência na área. Hoje ela
é professora de inglês (sem deméritos para isso, possivelmente ganhe mais hoje do
que como jornalista, mas não chegou a usar um diploma que levou quatro anos para
conquistar).
Por outro lado, outros conhecidos que foram mais cedo, que trancaram a
faculdade por um tempo e depois retomaram, tiveram resultados bem melhores. Tenho
dois amigos no Estadão e um em a Folha de São Paulo. Outros, que foram mais tarde,
estão no Exterior fazendo mestrados, doutorado. Construíram uma carreira sólida aqui,
e completaram lá fora.
Pode até ser recalque, e dos grandes, mas tem uma coisa que não agüento nesse
povo que debanda para lá. É que tudo lá parece melhor do que aqui. Especialmente
vindo daqueles que moraram em muquifos, que sofreram preconceito por serem
brasileiros, que trabalharam em subempregos - alguns trabalharam em dois
subempregos ao mesmo tempo -, e que acham que isso é muito melhor do que qualquer
coisa que exista no Brasil. Pessoas de famílias com poder aquisitivo considerável, que
sempre tiveram de tudo, que nunca precisaram colocar a mão na massa, se sujeitam a
algo que não estavam acostumadas e chamam de grande experiência de vida.
Olha, para ter experiência de vida no Brasil, basta tentar sustentar uma família
com R$ 545,00. Basta ter que pegar três, quatro ônibus por dia em horário de rush. Ou
então reconstruir um lar destruído por alagamentos. Ou pelo menos se envolver em
trabalhos sociais, que também conta como currículo.
Aprender outras línguas e conhecer novas culturas ainda fazem parte dos
meus planos, e invejo (inveja branca) quem teve essa oportunidade. Só não tentem me
convencer que se sentir só, lavar pratos, ser considerado mão-de-obra barata, sofrer
preconceito por ser estrangeiro, enfim, que isso tudo é uma maravilha. Pra mim não
cola.
publicada em 18-02-11
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