É chato bater na mesma tecla, repetir o assunto e até certas frases. Mas, ao acompanhar o que aconteceu no PTB gaúcho no último final de semana, fiquei muito tentado a discorrer novamente sobre o tema. Tem a ver com tudo aquilo que causa repugnância na política: o fisiologismo, popularmente chamado de carguismo.
Durante um seminário da sigla, o deputado federal Sérgio “to melixando para a opinião pública” Moraes fez um discurso criticando o sistema de divisão de cargos que o PTB ocupa no governo do Estado (uma “recompensa” por fazer parte da base de Tarso Genro). A reclamação não foi no sentido de que isso é errado, mas sim porque um grupo estava sendo privilegiado. O deputado estadual, Ronaldo Santini, por sua vez, rebateu. Depois disso, as informações dão conta que Moraes acertou o colega com uma bofetada.
Enfim, foi um barraco dos grandes, e que acabou com o ex-prefeito de Santa Cruz do Sul atirando todo aquele produto não muito nobre no ventilador. E chegou à imprensa alguns dados interessantes. Moraes teria dito que o total de cargos de confiança do PTB no governo ganhariam juntos por mês cerca de R$ 2 milhões (digamos que, por baixo, cada CC contribua com 10% para o partido e podemos ter idéia do caixa que é feito já visando as próximas eleições). Santini, por sua vez, teria deixado escapar que, por deputado, a soma dos salários dos indicados por cada parlamentar não poderiam ultrapassar R$ 80 mil. Moraes completou depois dizendo que os cargos vão para uma “listinha de amigos”, e não para técnicos. O presidente estadual da sigla, Luis Augusto Lara (com quem Moraes teria realmente problemas) deu entrevistas que o que foi mencionado pelos parlamentares são critérios, que dito daquela maneira parecia errado, mas não era bem assim. Pouca água para apagar o tamanho do fogo.
Na segunda-feira, todos os caciques do PTB gaúcho se reuniram (quase todos, na verdade) e decidiram colocar os cargos à disposição de Tarso Genro, para não constranger o governo, mas isso não foi aceito pelo petista (eu entendi que Tarso lavou as mãos para não perder a base).
Legal é que nessas horas aparecem as verdadeiras preocupações dos políticos. Moraes criticou a sigla por se vender por meia dúzia de cargos, mas exigia que fosse melhor dividido. Jogou todos na frigideira porque sentiu que foi passado para trás. Ideologia, que é bom, está em último lugar na lista de prioridades. Alguém diria que Vargas se remexeu no caixão. Um circo! E pior é que não dá pra deixar escapar a piada de que os petebistas realmente se preocupam com o trabalhismo (dos CC`s).
Antes de terminar, peço que o pessoal do PTB na fiquem bravos comigo, porque isso acontece em todas as siglas, e amanhã ou depois será a vez dos demais. É apenas uma questão de sobrevivência na política atual, que infelizmente pouquíssimas vezes chegam ao nosso conhecimento. Afinal, política é a arte de contentar a todos, e por isso ser impossível, é uma arte imperfeita. E aí, haja ventilador...
publicado em 23-06-11
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