Essa época de vestibulares fez eu lembrar que, há dez anos, fiz minhas primeiras
maratonas de provas. Depois de três anos de José Cañellas, eu sabia que não estava
pronto para testes mais difíceis. Justiça seja feita, muito mais por culpa minha do que
por qualquer outro fator. Contudo, ainda assim, passei em duas das três tentativas.
Infelizmente, havia reprovado exatamente na prova da instituição que eu gostaria de
estudar, a UFSM. Um longo ano de cursinho pré-vestibular (algo como o purgatório)
me obrigou a compensar em 12 meses o que eu havia deixado de fazer em 36.
Durante a faculdade, acompanhei algumas modificações no sistema educacional
brasileiro. Pouco mudou em termos de disciplinas. Porém, vi surgirem diversas
universidades federais pelo estado, dando oportunidade para que mais pessoas
pudessem cursar uma instituição pública e de qualidade. Por outro lado, acompanhei
também uma certa crise em universidades particulares tradicionais, que perderam alunos
para a enxurrada de cursos a distância que surgiram, com preços mais acessíveis e
menor prazo para a conquista do diploma.
Sei que estou entrando num campo delicado, porque podem pensar que estou
recriminando a existência destes cursos. Não é bem assim. Acho que eles facilitaram o
aperfeiçoamento de pessoas ou com menos condições de pagar mensalidades mais
caras, ou com indisponibilidade de tempo por motivos de trabalho ou familiar. Porém
creio que – e as mensalidades numa comparação indicam isso -, o contato mais íntimo
com a faculdade, com os colegas, com professores, é um diferencial a mais.
Claro que há uma infinidade de benefícios em haver mais instituições. Seria
loucura dizer que a instalação das mais diversas faculdades por todo o Brasil foram
de alguma forma ruim (desconsiderando as caça-níqueis, claro). O que houve foi bom
até para o bolso dos estudantes, por a concorrência freou um pouco o aumento em
mensalidades. Mas...
Mas como eu estava dizendo, faz dez anos dos meus primeiros vestibulares. Bate
aquela nostalgia do ano de 2001. Porque tive que lidar com a frustração de não ter sido
aprovado. Pelos meses de apreensão (alternando euforia e depressão), acordando às 6h
para ir ao cursinho. Pela superação. E, finalmente, pela sensação de dever cumprido
após a divulgação do listão. Meu nome estava lá, apesar do índice de trocentos por
vaga!
Eu gostaria que todos tivessem a oportunidade de passar por isso. Garanto que
amadureci muito mais do que se tivesse sido aprovado de cara na faculdade que queria.
Certamente teria menos conhecimento. E também teria valorizado menos meu período
acadêmico. Só que o boom de faculdades reduziu a concorrência. Os estudantes não
precisam se preparar tanto, dependendo da opção. Estudar muito para ser aprovado,
em determinados casos, é preciosismo. Por outro lado, cada vez menos estudantes se
arriscam a buscar uma vaga entre os cursos mais cobiçados. Tudo é, cada vez, mais para
ontem. É compreensível. E talvez eu esteja errado. Possivelmente, esta é uma posição
compartilhada apenas por quem teve a mesma experiência.
publicada em 07-01-11
Sem comentários:
Enviar um comentário