Costumam dizer por aí que o ano começa somente depois que o carnaval acaba. Eu disconcordo – concordo e discordo ao mesmo tempo, sem medo de parecer incoerente. Mas já me aconteceu de perceber que a boiada já estava passando quando ouvi “Estação Primeira de Mangueira... Dez”...
Dá para entender. O calor começa a diminuir, dá até vontade de pensar de novo. Há menos pessoas na casa do BBB, as empresas começam a ficar completas, com a volta de todos os funcionários; não há mais recesso tão cedo no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras de Vereadores; as secretarias em todos os âmbitos e os órgãos públicos agora estão (ou deveriam) operar normalmente (o que muda até o noticiário, que passa dois meses preocupado com previsão do tempo, acidentes e esportes); as aulas recomeçam e os pais não se sentem mais constrangidos ao verem os filhos em casa sem fazer absolutamente nada ou, pior, apenas fazendo barulho.
Parece que tudo o que vinha antes era de brincadeirinha, uma espécie de ensaio, e agora a coisa começa a pegar para valer. Mas, pelo menos para as estatísticas, o ano começou mesmo em janeiro. Sobretudo no que se refere a afogamentos, mortes no trânsito, mortes em tragédias, entrada de dólares, superávit, déficit, balança comercial, cotações da bolsa, desabrigados por causa de fenômenos climáticos, perdas na lavoura por causa da estiagem. (Sempre tive a impressão de que as estatísticas servem às forças do mal!). Tem o futebol também que, apesar de os primeiros jogos – por qualquer competição – terem ritmo mais lento, já tem campeões.
A verdade – aquilo que eu tomo como verdade, no fim das contas – é de que cada pessoa tem seu próprio tempo como paralelo ao tempo de todos. O cara que chegou semana passada depois de um mês em Camboriú encara tudo um pouco diferente de quem não teve direito a férias, ou então, que tirou férias lá em novembro último. Porém, entre todos – os de minha relação – uma coisa faz com que os cronômetros sejam ajustados, que caia a ficha geral de que sim, estamos em 2011. Chama-se março. É incrível como 98,7% das pessoas chegam ao terceiro mês do ano quebrado, apertando o cinto, choramingando por causa das contas. O índice só não é maior porque alguém tem que estar satisfeito com isso, é impossível que todos percam. E, para piorar, é um mês com 31 dias, o que dá a impressão de que o dinheiro levará uma eternidade para entrar no bolso. É IPTU, IPVA, até a declaração do Imposto de Renda já está sendo recolhida. Se você se enquadra nesta categoria, desejo, agora oficialmente, feliz 2011!
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Deveria ser uma coluna inteira, mas como o meu ano está começando, não queria aborrecimento total nestes 3 mil caracteres geralmente extrapolados. Mas está relacionado à Educação do nosso povo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, os materiais escolares carregam em seu valor em torno de 50% de impostos. A cada caneta esferográfica comprada, paga-se 47,49% de impostos. Uma régua carrega consigo 44,65%, enquanto as colas mandam 42,71%. Imaginem, pai e mãe de dois, três filhos, que iniciaram as aulas nos últimos dias, quão mais tranqüilo seria o mês se houvesse a redução dessas taxas. Na minha concepção, o material escolar é tão básico quanto o alimento consumido e, de forma alguma, poderia recolher aos cofres mais do que 10%. A redução seria quase uma bolsa educação para cada família brasileira, um incentivo a mais (dentre os poucos que são dados) para a melhoria dos nossos índices.
publicada em 11-03-11
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