Eu juro que não queria escrever sobre isso. Mas não tem remédio. Mesmo porque eu já sabia que iria dar nisso. Você também sabia. Eles iriam dar um jeito de se livrarem dessa. E os fichas sujas que concorreram nas eleições de 2010, estão liberados para assumir os cargos.
Será que é só no Brasil que o vilão sempre vence no final? Esperamos um tempão até que a vaga deixada pelo ministro Eros Grau fosse ocupada, já que a discussão sobre valer ou não a Ficha Limpa estava empatada em cinco a cinco no Supremo Tribunal Federal (relembrando a todos: a Lei de Ficha Limpa impede que políticos condenados pela Justiça possam concorrer a cargos eletivos). O ex-presidente Lula deixou a indicação de um novo ministro para sua sucessora. Dilma escolheu o então juiz do Superior Tribunal de Justiça, Luis Fux. Recomposto o Tribunal, todos os holofotes foram ligados. Até a audiência da TV Justiça aumentou. Mas não deu em nada. O novo ministro acompanhou aqueles que defendem que a Lei da Ficha Limpa só vale para o ano que vem. Azar é nosso.
Não posso discutir leis com ninguém. Sou leigo no assunto. Sei pouco mais do que o básico. No final do ano passado já havia acompanhado durante horas a fio pela tv as argumentações de cada um dos ministros. Fico admirado com o grau de inteligência de todos. Facilmente qualquer um me convenceria. Mas como metade do Tribunal dava parecer favorável a validade da lei, creio que não é nenhum absurdo reivindica-lo. É coisa de gente maluca, mas assisti a sessão como se fosse uma partida de futebol, e torci como um doido pelos “jogadores” Ellen Gracie, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Carlos Ayres Britto. Cada vez que o relator Gilmar Mendes falava, embrulhava-me o estômago (tenho uma implicância com ele desde a história da não obrigatoriedade do diploma para jornalista). Dias Toffoli, César Peluso, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello idem. E aquele empate me fez sentir como se o Grêmio tivesse perdido uma final (para o Inter).
Consegui chegar apenas a seguinte conclusão: cada um consegue fazer o que quer com a lei, depende apenas com que ângulo se debruça sobre os Códigos. E daí que fica difícil de entender porque não acabar com os “cidadãos” que, comprovadamente, utilizaram do dinheiro público – entre outros delitos. Por que dar mais quatro anos (oito, no caso dos senadores) de imunidade parlamentar?
Agora vamos temos que esperar ainda mais para que esse “filtro” (sim, é uma forma de tirar algumas personalidades de conduta duvidosa do cenário político) passe a funcionar. O que também, justiça seja feita (irônica essa expressão, não?) também não vai nos salvar de políticos sem escrúpulos. Mas ainda fico com a sensação de que os juizes se divertem muito com a nossa cara. É como se lavassem as mãos. Sim, porque se Jader Barbalho, Paulo Maluf, João Alberto Capiberibe, etc, conquistaram votos o suficiente para se eleger, a culpa realmente não é dos ministros. Justiça seja feita...
publicada em 25-03-11(meu aniversário!)
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