terça-feira, 30 de agosto de 2011

Salário cebola

Parei de acompanhar as discussões por um novo salário mínimo. É muito
revoltante ver uma briga por dez, vinte reais. Dilma quer dar R$ 545,00, alguns
deputados de oposição “brigam”por R$ 600, as centrais sindicais almejam R$ 580,
mas a tendência é que fique em R$ 560,00. Não agüento mais ouvir falar em impactos
que alguns reais podem causar nos cofres públicos, na previdência, etc... E ainda por
cima é horrível ver muitos deputados tirando vantagens, tentando ganhar publicidade,
por causa de R$ 15,00. Por que, na hora de aparecer por aumentar o próprio salário em
62,5%, variando de em torno de R$ 20 mil para quase R$ 27 mil, ninguém se habilita?
O que é que dá para fazer com R$ 560? Cadê aquela história (lenda?) de que o
salário precisa ser o mínimo para suprir as necessidades do trabalhador e de sua família,
conforme a constituição brasileira? Estariam cientes esses parlamentares que estudos
indicam que o mínimo hoje deveria ser de R$ 2.194,76 para atender a lei que muitos dos
que estão aí hoje ajudaram a criar?
Claro que não é interesse do governo dar um aumento significativo para a
massa. Ainda mais faltando quase quatro anos para a próxima eleição. O discurso é
sempre o mesmo: “se fosse possível, aumentaríamos muito mais, porque o povo
brasileiro merece, mas não podemos ser irresponsáveis, não podemos comprometer as
contas públicas, isso geraria desemprego” e um monte de ameaças a mais. Nem parece
que um valor mais alto não iria aquecer ainda mais a economia, que aumentaria o
acesso a bens de consumo, o que exigiria aumentar a produção. Ops, esqueci que esse
também é um dos medos, porque não há energia para aumentar a produção, e também
não há mão de obra qualificada o bastante. Além disso, um aumento decente faria com
que muitos saíssem da faixa econômica que precisa de bolsas assistencialistas, o que
realmente garante votos. Mas... essas bolsas não dão impacto aos cofres?
Bom, independentemente do valor, será o chamado salário cebola: o cidadão
pega, olha e chora...
***
O goleiro do Palmeiras, Marcos, deu declarações fantásticas após a derrota para
o Corinthians, no final de semana. Deixou claro (não com essas palavras) que futebol
é só um jogo, que cenas de agressões como as que aconteceram após a prematura
eliminação do rival na Libertadores eram lamentáveis e que - essa parte foi a que mais
gostei - as pessoas deveriam voltar a própria indignação para cuidar do que é feito nas
salas fechadas dos Executivos, Legislativos e Judiciários espalhados por aí.
Imagina se a moda pega? A torcida do Corinthians inteira nas portas do
Congresso com ovos, pedras e faixas, tudo isso durante a votação que aumentou os
salários dos deputados? Ou a Geral do Grêmio organizada em frente ao Piratini logo
depois as denúncias de corrupção envolvendo o governo Yeda? Iria faltar ovos, paus e
pedras...

publicada em 11-02-11

Sem comentários:

Enviar um comentário