terça-feira, 30 de agosto de 2011

O lado B da TV

Nos últimos tempos, contrai a mania de zapear com o controle remoto pelos canais mais obscuros da televisão. Mesmo não tendo tv a cabo, em Porto Alegre há uma gama de canais dos quais nunca havia ouvido falar (quem tem Parabólica pode fazer o mesmo em qualquer lugar). E descobri que, tirando o futebol, gosto mais desses pequenos canais.
Sem recursos para fazer novelas ou para adquirir direitos de transmissão de jogos ou de blockbusters, a programação geralmente oferece longas entrevistas com especialistas em todas as áreas (sobretudo professores universitários) e documentários que nunca serão mostrados em nenhum dos cinco poderosos canais. Graças a esse zapear, já aprendi desde o ciclo de vida da vespa até as grandes construções do mundo antigo, de como funciona o esôfago até as causas da apnéia, acompanhei discussões sobre aquecimento global e sobre a geração pós-moderna, etc... Na minha opinião (talvez não conte muito, porque já perdi horas assistindo as sessões das tvs Senado, Câmara, Assembleia e Justiça), tudo isso é bem mais interessante do que novelas ou fofocas de celebridades.
E tem também a sucateada TVE, que luta firmemente para ter uma programação de qualidade. Embora mantida pelo Estado, creio que por não ter tanta audiência, a emissora é de certa forma independente. E, de quebra, ainda retransmite os melhores programas da TV Cultura.
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E foi numa dessas que, no último domingo, acabei assistindo a uma entrevista com o ex-governador Germano Rigotto. Era a reprise do programa da quinta-feira anterior (essas reprises são outra vantagem desses canais com menor audiência). Confesso que nunca fui um grande admirador do governo Rigotto, mas tive que dar o braço a torcer e reconhecer que o ex-chefe do Piratini deu um banho de conhecimento e inteligência política.
Sem ocupar cargos públicos, Rigotto atualmente ministra palestras e é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Ele deu explicações muito convincentes dos motivos pelos quais as reformas mais urgentes do país não saem do chão (Tributária, da Previdência, Política). “Sem a reforma política, nenhuma das outras vai acontecer”. Por quê? Porque há uma série de questões externas (como por exemplo a forma de arrecadação de verbas para campanha) que criam choque de interesses. Outro ponto interessante: Rigotto afirma que a Justiça toma decisões pelos parlamentares em vários casos, e citou o casamento entre homossexuais. “A Justiça acaba decidindo sobre o que o Congresso não dá conta por interesses políticos. A regulamentação de leis é responsabilidade de quem faz leis”, acrescenta.
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A entrevista do ex-governador foi uma das tantas gratas surpresas que tive zapeando por vários outros canais. E cheguei a uma conclusão (ou fiz uma descoberta que para mim é grandiosa, por mais óbvia que pareça): essas pequenas emissoras informam mais do que as grandes redes. Você pode tirar a prova disso: assista no mesmo dia todos os principais telejornais de cada uma das emissoras e compare. As notícias são as mesmas, seja com o Boris, com o Willian ou com a Ana. Para as pessoas que gostam de estar bem informadas, fica essa dica.

publicada em 15-07-11

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