Na semana passada, escrevi sobre a demissão em massa ocorrida em uma empresa calçadista de Parobé, cuja direção justificou o fechamento das portas por causa da guerra fiscal, entre outras coisas...
Pois nessa semana, foi eleito para presidir a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul o empresário Heitor Müller. Decorem esse nome, pois nos próximos anos ouviremos falar muito nele assim como ouvimos muito o nome de Paulo Tigre, já ex-presidente da entidade.
Bom, trouxe o assunto à tona porque fiquei bastante interessado no discurso de posse do novo presidente da Fiergs. Citou que seu trabalho será norteado por ações para garantir o fortalecimento do setor produtivo gaúcho, tais como ampliação do Fundopem, condições tributárias igualitárias entre os Estados, melhor infraestrutura e juros menores. É claro que, como presidente da Fiergs, Muller quer o melhor para a Indústria, sem pensar muito no resto. Prova disso é a frase: "É o mercado que determina o preço do produto, por isso precisamos resolver as questões que impactam nos custos", direcionada exclusivamente ao salário mínimo regional que, segundo ele, vem desequilibrando a competitividade gaúcha. Mas suas preocupações deveriam ter todo nosso apoio.
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Há um outro fato dessa semana que chamou minha atenção: um grupo organizado de arrozeiros gaúchos foram para Uruguaiana para trancar a ponte que liga o Brasil e a Argentina. Entre as medidas reivindicadas é a suspensão da entrada de arroz de outros países do Mercosul em terras tupiniquins por seis meses e a suspensão das dívidas de custeio e investimento até 31 de outubro. Isso porque a competitividade está sendo nociva, pois o preço da saca do grão caiu 67,9% em relação ao ano passado, sendo comercializada por R$ 18,79 (dados da Emater).
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Esses são dois exemplos de como nosso Estado está sendo prejudicado pela atual política econômica. Um Estado com vocação exportadora quebra com uma moeda tão valorizada. E o pior é que, já que o real está forte, nossos empresários poderiam adquirida tecnologia estrangeira para novas indústrias, cujos produtos tivessem um valor agregado superior ao que se vê hoje (ainda exportamos majoritariamente matérias primas), algo que fizesse diferença na balança comercial. Mas não acontece, suspeito que por causa dos (da falta de) incentivos governamentais.
A chia é grande e vem de todos os setores, especialmente do primário e do secundário. É claro que, enquanto consumidor, adoro o fato de a inflação ser mínima, de comer arroz mais barato, de tomar um Carménère chileno ou um Malbec argentino a preços mais acessíveis, ou de comprar um calçado de origem chinesa a preços muito mais baixos do que encontramos nas lojas.
O problema disso tudo é o impacto causado na nossa economia. São menos empregos, é menos atração de empresas para o Estado, o comércio deixa de ganhar porque não há incremento na economia, são menos impostos entrando nos cofres do governo e, consequentemente, é menos dinheiro para investir nas mais diversas áreas, sobretudo as sociais. E, quem sobra, fica instalado em regiões mais ricas. As mais pobres, pra variar, é que pagam o preço...
publicada em 19-05-11
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