terça-feira, 30 de agosto de 2011

Redução de danos para 2011

Não foi nenhuma nem duas pessoas mais, digamos, experiente, que me disse que,
quanto mais velho, mais rápido o tempo passa. Fiquei preocupado. Ainda nem cheguei
aos 30 e nem vi este ano passar direito. Talvez porque, quanto mais velho, mais nos
distraímos com as coisas ao redor.
Há alguns anos, o tempo não passava. Durante o período letivo, as férias pareciam
não chegar nunca. Durante as férias, a hora de rever os colegas sempre estava distante.
Páscoa, aniversário e Natal tinham a distância da próxima aparição do cometa Harlley.
Já 2010... O que houve mesmo?
Acho que me perdi no tempo entre o BBB, o carnaval, a Copa do Mundo, o resgate dos
33 mineiros do Chile e as eleições. Quando tudo isso passou, o Campeonato Brasileiro
entrou em sua fase decisiva. E quando acabou, já estava na hora dos presentes de Natal.
Hum... Lembro também das contas que tive que pagar, que sempre chegaram em dia.
É que, definitivamente, a única coisa que demorou para passar neste ano foram os
dias entre um salário e outro... Acho que o fato de procurar assunto para estas colunas
semanalmente também colaborou para que tudo passasse rapidinho. Acabei esquecendo,
novamente, de cumprir com minhas promessas de ano novo. Como um político, farei
outro aditivo no contrato com o tempo de vida, prorrogando o prazo para cumprir tudo
aquilo que sei que dificilmente farei.
E para 2011? Vou bancar o vidente. A sensação de que tudo fica meio parecido com
o ano anterior me dá a pretensão de tomar o lugar do Walter Mercado e da Mãe Diná.
Nosso ano novo continuará parecido com os anos anteriores. Nós continuaremos
a descontar nossa frustração em jogos de futebol e novelas das oito. Nenhuma
grande reforma política será feita. No RS, a política será parecida com a brasileira,
reprisando o modo Lula de governar. Os ambientalistas seguirão esperneando muito
e sendo pouco ouvidos. O preconceito de gênero, de classe social e de cor de pele
continuará mascarado. A educação oferecida pelas escolas públicas não melhorarão em
quantidade suficiente para transformar o Brasil do futuro numa potência. Os salários dos
professores e policiais não serão aumentados em 70% como foi o salário dos deputados
e senadores. Teremos mortes nas estradas como em todos os outros anos. E casos de
violência como sempre. E alguma tragédia para o ano não passar em branco. Só não
arriscarei palpites econômicos porque tudo vai depender dos países mais poderosos. E,
futebolisticamente falando, prefiro não me pronunciar (mas acho que será um ano azul).
Mas há luz no fim do túnel. Especialmente se considerarmos o fato de eu ser um cara
bastante pessimista e niilista. E, melhor ainda, de não ter poderes paranormais. Vou
tentar eu mesmo me contrariar, fazendo a minha parte. Conto com tua colaboração para
este plano improvisado de redução de danos. Buscarei não prejudicar os semelhantes
ou a natureza. E, se possível, ainda tentarei ficar longe de novelas e outras drogas que
fazem o tempo passar mais rápido. Menos do futebol claro. Acho que conseguirei
estender aos mais próximos um pouco mais de alegria. No fim das contas, é o que
importa.

Um forte abraço a todos e um feliz 2011!

publicada em 30-12-10

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