terça-feira, 30 de agosto de 2011

Bola pro mato, Dilma!

Está no www.folha.com de quarta-feira, mais especificamente no blog do Josias de Souza. Dirigentes do PMDB e do PT (“os dois sócios majoritários da aliança governista”, segundo o colunista) já começam a dar como certa a volta de Lula em 2014. Dirigentes de ambas as siglas, que pediram para não ter o nome publicado para não se incomodarem, citaram uma série de motivos para isso.
Apesar de Lula negar que vá concorrer e garantir que é a favor de que Dilma concorra à reeleição, ninguém parece levar isso a sério. Alguns apontaram as constantes aparições de Lula (cedo demais, na opinião de alguns), como comportamento de candidato. Um governador petista alega, inclusive, que em 2018 Lula estará 73 anos, e seria melhor antecipar seu retorno ao comando do país. Outro entrevistado apontam que o comportamento de Dilma faz com que os partidos que apóiam o governo exijam Lula, sob a ameaça de trocar de lado.
Este é o ponto: porque estão incomodados com o comportamento da presidente? Como adiantei ainda no ano passado, Dilma está mais para a ex-governadora Yeda Crusius do que para Lula, ou seja, é muito mais técnica do que política. O estilo “zagueirão” como a presidente agiu no escândalo do Ministério dos Transportes, por exemplo, passando o rodo, está sendo criticado por muitos aliados. O medo é que isso volte a acontecer, não afetando apenas o PR. Diferentemente de Lula, que segurou seus ministros o máximo que pode em cada escândalo, Dilma atendeu a opinião pública e fez uma limpa. E já tem gente com medo de que isso volte a se repetir.
Outro fato – isso não está na matéria referida - que vai contra a presidente é que os aliados ainda não digeriram a escolha de Gleisi Hoffman para substituir Palocci na Casa Civil. Isso porque Gleisi também é vista como “cintura dura” devido a sua atuação quando secretaria no Mato Grosso do Sul. Só para constar: como secretária extraordinária da Reforma Administrativa no governo Zeca do PT, no final dos anos 90, Gleisi foi exonerada por ser considerada “sargentão”. Em pouco menos de dois anos, ela cortou 30% dos cargos em comissão (cerca de 1.500 funcionários), extinguiu quatro secretarias (de 15 para 11), extinguiu e fundiu empresas públicas e controlou as despesas do governo. Diga-se de passagem que a situação do Estado exigia pulso firme no controle de gastos. Mas o trabalho desenvolvido, considerado administrativamente como muito bom, foi seu pecado. Mexeu com quem não devia.
No momento, a ministra estaria instruída pela presidente a nem receber os deputados e senadores que passam o pires atrás de emendas para não se dar o trabalho de dizer não. E adivinha: o povo da base não está satisfeito...
***
Pois, se é assim, torço muito para que Dilma fique indignada com os boatos de uma possível volta de Lula e haja com ainda mais firmeza. Que venham mais “faxinas” nos órgãos federais, tanto em Brasília como nos estados. Que ocorra controle nos gastos públicos. Com certeza ela vai perder muitos cabos eleitorais, e pode ser que nem concorra. Mas ficaria grato se ela moralizasse um pouco essa zona. E endossaria meu pensamento de que um bom gestor não consegue se reeleger. Bola pro mato, Dilma!

29-07-11

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