Com tsunami e terremotos no Japão, fatos que resultaram em quatro mil e lá vai mortos, não tive como não pensar em certas coisas. Não me refiro ao sofrimento de tantas famílias, às perdas materiais, às destruições nos sistemas viários, etc... (óbvio que isso é importante, eu ainda tenho coração, mas não é o foco da coluna). Ao escrever estas linhas estou pensando no mutirão para reerguer o país que veremos em breve.
Para quem cabulou as aulas de história, eu relembro: o Japão saiu da Segunda Guerra Mundial bem pior do que se encontra agora. Lembram das ditas bombas atômicas? Pois é. Em poucos anos, o país do sol nascente reergueu-se e tornou-se uma das maiores potências mundiais. O que provocou essa transformação? Certamente houve ajuda externa de vários países (especialmente daqueles interessados em criar um comércio forte com os japas, e principalmente dos Estados Unidos, que competiam com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas pela dianteira do planeta), mas o que fez realmente a diferença foi o sentido de cooperação entre os habitantes do país.
Outros países devastados pela Segunda Guerra também deram a volta rapidinho, como a França e a Itália (diferentemente dos EUA, eles tiveram muitas batalhas em seu território). Mas o melhor exemplo que conheço por ouvir falar foi a Alemanha de Hitler, quebrada e destroçada após a Primeira Guerra, foi reorganizada pelo pai dos nazistas (calma novamente: não estou dizendo que o cara estava certo, mas que fez um baita trabalho, ah se fez! Pena que era louco, preconceituoso, etc...) a partir da mobilização nacional. Pense nisso: em 1918, a Alemanha era apenas um monte de cacos; em 1939, foi a potência que assombrou o mundo e que por pouco não ganhou a guerra. E sabe como? Unindo e motivando os alemães.
No Brasil mesmo, vimos recentes comoções que indicaram uma certa preocupação do nosso povo com os compatriotas, como por exemplo os deslizamentos de Santa Catarina, que teve tantas doações que a Defesa Civil do Estado estava implorando para que nada mais fosse mandado por que não havia como estocar e distribuir os donativos.
Enfim, não sei se me fiz entender, mas o que quero dizer é que, movidos como somos todos os humanos pela emoção, acontecimentos tristes como esses provocam uma mobilização enorme, apontada quase sempre para a melhora na qualidade de vida de todo o país. É como aquela ponte capenga, que ninguém se importa de trocar, a menos que caia e leve consigo algumas vidas inocentes (lembram de um certo fato ocorrido no RS no ano passado? A ponte está pronta em tempo recorde!). Eu mesmo presenciei alguns fatos interessante: foi quando ocorreram episódios do mesmo quilate que vi alguns políticos trabalhando realmente de maneira séria e voltada para a população, como sempre deveria ser.
Diante do problema, vem a solução. Disseram-me na escola que, para toda a ação, tem-se uma reação. Passei a duvidar. Não temos tsunami, ou terremotos (uma enchentezinha aqui, um deslizamento ali), dificilmente teremos acidente nuclear com as usinas Angras, estamos bem longe de entrar em guerra, somos o país invejado pela alegria, pelo carnaval, pelo futebol. Ao invés de crescermos por não ter que enfrentar problemas de grandes proporções, parece-me que é justamente isso que nos tapa os olhos e nos mantém estáticos, sem cobrar nada das autoridades ou sem mexer um dedo pelo próximo. Hoje estou convicto de que pequenas injustiças, mini-tragédias, pelo menos para a maioria, não causa reação alguma. Será que só vamos conseguir desenvolver esse espírito próximo do final do mundo?
18-03-11
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