terça-feira, 30 de agosto de 2011

MEC manda não reprovar

O MEC acatou o que disse o Conselho Nacional de Educação e recomendou aos educadores, tanto da rede pública quanto da privada, a não reprovação de alunos em séries iniciais. Na prática, isso já acontece em muitos estados brasileiros. Mas não é lei, até onde se sabe ninguém será preso caso algum aluno seja reprovado.
Uma série de razões foi apontada para que a medida passasse a vigorar: possibilita a formação continuada dos alunos, não há risco de elevar o analfabetismo funcional. Há ainda uma pesquisa realizada no ano passado pela Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), que diz que chegar ao final do ensino fundamental com pelo menos um ano de atraso em relação à idade esperada aumenta em 20% as chances de o aluno não se matricular no ensino médio. (Não sei o quanto isso influencia, afinal a mesma pesquisa diz que aproximadamente 30% dos estudantes com notas ruins no ensino fundamental não se matriculam no ensino médio).
Olha, não sou especialista em Educação, e acredito que seja bastante difícil colocar em ordem uma área que é tida em discursos como a mais importante, mas que não recebe os aportes necessários. Mas, como não faz nem 25 anos que eu estive no ensino fundamental, ainda lembro de algumas coisas que, ao me deparar com notícias como essas, fazem-me refletir.
No Roncalli, havia pelo menos uns oito alunos nos turnos da manhã ou da tarde que eram conhecidos pela gurizada por já terem reprovado quatro, cinco, seis vezes. O que acontecia era que eles chegavam à adolescência primeiro que os outros, cresciam antes, trocavam de voz enquanto alguns recém deixavam a mamadeira. Geralmente eram aqueles que davam problemas, que passavam constantemente pela secretaria, que se revoltavam por qualquer coisa (lembrem que ele chegava na aborrescência antes dos demais), etc... Eram casos perdidos, e por mais ajuda que os professores oferecessem, não adiantava. Houve uma situação que um sujeito que prometeu “pegar na saída” um pirralho quatro anos mais novo porque havia tirado o dobro da nota dele.
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Reconheço todos esses problemas. Alunos que reprovam uma, duas vezes, realmente perdem o estímulo. Mas como se sente alguém que sempre recebe as notas mais baixas de uma turma? Como fica auto-estima do aluno estigmatizado como o “mais burro” da sala (crianças são cruéis nessas horas). Alguém empurrado, que não conseguiu aprender o mínimo exigido, tem condições de aprender o mesmo que os demais no ano seguinte? E o rendimento da turma como um todo? O trabalho que não anda por causa dos retardatários? Os professores que precisam repetir inúmeras vezes a mesma coisa ao invés de tocar a aula adiante? Seria esse o caminho?
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Já respondendo a pergunta anterior, não creio que empurrar os alunos no final do ano seja o melhor. Acho, sim, que tem que empurrar desde o início, distinguir aqueles com mais dificuldades de aprendizado e tocar aulas de reforço.
Sim, ministrar aulas de reforço é uma baita medida. Mas a melhor ainda, no meu leigo julgamento, é a assistência que os filhos recebem em casa, dos pais. A cobrança, o acompanhamento, a participação são decisivos. Para a criança é importante saber que o pai, que a mãe, valorizam e apóiam o esforço dela. Tanto que pode-se medir o interesse dos pais pelo aprendizado dos filhos de uma forma bem simples, pela cara que as crianças fazem ao receber a nota de uma prova: aqueles que receberem um sete e ficarem feliz, é porque não são muito cobrados. Já aqueles que tiram nove e ainda assim esboçam uma certa indignação, podem ter certeza, estão no caminho.

publicada em 25-02-11

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