quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Seja o que Deus quiser!

Quando você estiver lendo essa coluna, faltarão menos de três dias para que sejam conhecidos quem serão nossos senadores e deputados federais e estaduais. Quiçá, o(a) governador(a) e o(a) presidente (embora eu torça para que isso não aconteça, pura e simplesmente por achar que o segundo turno é a melhor maneira de se decidir quem deve mandar, com três semanas com tempos de publicidade destinados igualitariamente entre os candidatos e debates apenas com a participação dos dois mais votados).

O que isso quer dizer? Mesmo não sendo uma pessoa muito otimista, ainda acho que significa muito. O perfil dos eleitos indica o que podemos esperar da próxima legislatura. Assim, é bom que nossa parte seja feita antes do pleito. Proponho pensar quais são os motivos que nos levam a votar em alguém.

Em primeiro lugar, de uma perspectiva local. Lembro que, quando morava em Santa Maria, algumas entidades empresariais faziam campanha aberta para que os moradores optassem pelos candidatos egressos do município. A intenção era buscar, depois da eleição, o comprometimento destes com o povo local. Pela lógica, quem é da casa, preocupa-se mais com a terrinha, é identificado com ela. E isso é uma atitude dos políticos que eu percebo que realmente acontece. Todos tentam proteger os seus. Os mais entusiastas, buscam o máximo de recursos pela sua região. Já os mais Sarneys, de uma forma politicamente distorcida, buscam um abrigo para a própria família...

Outro ponto de vista está focado nas discussões nacionais. Sempre entrarão em pauta questões como o aumento do salário mínimo, o aumento de repasses para a saúde, para a educação e para os municípios, a união homossexual, a regulamentação do aborto, o endurecimento da lei penal, a preservação dos direitos humanos, a defesa do meio ambiente, etc... É preciso atenção para não escolher um candidato com posições diferentes das tuas. Depois não adianta esbravejar. Este é o perigo de ser desinformado...

Quanto aos candidatos ao Executivo. Quem eleger? Também vejo sob dois pontos de vistas. O primeiro é a liderança, o carisma, a capacidade política de aglutinar forças para desenvolver um projeto nacional. Quero um candidato assistencialista? Populista? Alguém focado no ajuste de contas? Que se preocupa com a política externa? Que busca o continuísmo? Ou alguém que quer virar o Brasil de ponta cabeças? Qual a história dessa pessoa? Esteve metida em escândalos?

Por outro lado, o que considero o principal, reflete aquele velho deitado do tempo da nona. “Diga-me com quem andas, que te direi quem és”. Num país onde a maioria diz “não voto no partido, voto na pessoa”, é preciso buscar saber quem está com quem. Afinal, escolhe-se o presidente, mas não seus ministros e cargos de confianças. E, se isso passar despercebido, teremos que engolir frases como “eu não sabia de nada” bem quietinhos.

***

Acompanhando nas ruas a reação das pessoas durante a campanha, leio o que escrevi acima e caio na real. Senso crítico ainda é algo para poucos. Quase tudo o que se ouve são generalidades. Outro tanto, daqueles que sabem menos ainda do que as generalidades, são facilmente influenciados por pessoas que repetem discursos feitos. Aquilo que considero um dever cívico, a consciência de que se escolheu o melhor, na verdade, é apenas a representação de uma queda de braço ganha por quem tem mais gente na rua pedindo voto. É nessas horas que encho meu peito, olho acima do horizonte e exclamo: “Deus nos acuda”.

(Publicada em 01-10-10)

Sem comentários:

Enviar um comentário