A falta de noção da maior parte dos eleitores sobre as regras eleitorais brasileiras reflete exatamente qual o grau de preocupação das pessoas em relação à política nacional. Enquanto quase todos sabem tudo sobre a fórmula do Brasileirão, raros são os que não têm dúvidas sobre o processo eleitoral. E por mais didáticas que sejam as propagandas do TSE – capazes de instruir crianças de três anos -, o povo ainda não entende alguns detalhes de nosso sistema político. Tentarei ajudar...
1) Senadores: cada estado é representado por três, cujos mandatos são de oito anos. Assim, são eleitos, alternadamente um e dois. Na eleição passada, por exemplo, o Simon foi reeleito. Há oito anos, foram Zambiasi e Paim. Ah, cada eleitor tem direito a votar duas vezes, mas não pode ser duas vezes no mesmo candidato;
2) Deputados Federais: embora eles discutam projetos para o país inteiro e trabalhem em Brasília, são representantes de um Estado. Sendo assim, são eleitos apenas por pessoas com domicílio eleitoral na mesma Unidade Federativa onde eles concorrem. Não adianta alguém daqui fazer campanha em Chapecó! Nestes dois meses, ouvi dezenas de pessoas de outros estados se oferecerem para votar em candidatos gaúchos. Vai ver porque por lá os postulantes são Tiririca, Mulher Pêra, etc...
3) Governo ou Presidência: para não ter segundo turno, um candidato precisa de metade dos votos válidos mais um – descontados brancos e nulos. Ou seja: se alguém não quiser uma vitória do líder das pesquisas já no dia 3 de outubro, não precisa votar no segundo colocado. Votar no Levy Fidelix tem o mesmo valor do que votar no Serra ou na Marina – em se tratando de ter ou não segundo turno, claro.
4) Voto de protesto: é uma baita bobagem, porque como são descontados dos votos válidos os brancos e nulos, mostrar descontentamento com a política dessa maneira apenas “dá uma mão” para o mais bem votado a ganhar em primeiro turno (no caso de Governo e Presidência), ou facilita a vida de alguns candidatos aos cargos parlamentares. Recomendo aos eleitores que deixem de preguiça e escolham alguém – um deles é o menos pior.
5) Pesquisas apontam uma tendência de resultado para a eleição, mas em hipótese alguma refletem com 100% de certeza o resultado final. Essa história de deixar de votar em C, que é em quem você acredita, para escolher B porque está melhor colocado é bobagem. Até porque, em caso em segundo turno, haverá a oportunidade de votar no oponente do determinado candidato A, que você rejeita. E há inúmeros exemplos de pleitos em que os institutos de pesquisa erraram redondamente. Na última eleição ao Governo do Estado, por exemplo, era dado como praticamente certo um segundo turno entre Rigotto e Olívio Dutra. Mas muitos que votariam no peemedebista apostaram em Yeda para evitar que o petista fosse ao segundo turno. O restante da história, todos conhecem...
6) Cuidado com candidatos celebridades. Campeões de votação, eles são um engodo que os partidos apresentam ao eleitor. Estima-se que Tiririca faça, em São Paulo, cerca de um milhão de votos. Com isso, outros sete candidatos do PR ganharão uma vaga na Câmara dos Deputados com número bem menos expressivos. Isso já aconteceu quando Éneas puxou outros cinco candidatos do Prona ao fazer 1,5 milhão de votos.
7) A ideia desta coluna não é ser prepotente, embora pareça. Apenas quero alertar sobre os possíveis efeitos de “brincadeiras” com o voto para os próximos quatro anos.
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