sexta-feira, 30 de julho de 2010

As vantagens do horário político

Quando era pequeno, lembro que uma das coisas que menos gostava era do Horário Eleitoral Gratuito. Além de não entender bulhufas do que aqueles personagens cômicos diziam, odiava o fato de passar o dia cantando aquelas musiquinhas extremamente criativas e que grudam no cérebro (de “Lulalá”, a “juntos chegaremos lá, fé no Brasil, com Afif juntos chegaremos lá” até “dois patinhos na lagoa”, aquela do hoje extinto PL...). Veja só: passados praticamente 21 anos da eleição de 1988 – eu tinha cinco na época – e eu ainda lembro dessas grandes pérolas da MPB (Música Publicitária Brasileira)...Bom, voltando ao assunto: eu tinha pavor do horário político. E também das inserções que enchiam a grade da programação nos intervalos de qualquer programa. Isso sempre atrasava a novela (hoje, por ironia, divirto-me mais com as propagandas de candidatos do que com os enredos da Rede Globo. É terapêutico!). A vantagem disso, pelo menos, é que aquelas meia-horas depois do meio-dia e no meio da noite era o tempo que eu tirava para fazer os temas (não na campanha de 88, que eu estava na pré-escola, mas nas posteriores). Na época, os meus colegas diziam fazer o mesmo...Pois atenção pais: nestes novos tempos, em que as crianças substituíram a TV e as demais atividades pela internet, nossos sábios políticos resolveram ajudar vocês. Na verdade, pensando em se ajudar, acabaram ajudando vocês. Isso porque foi aprovado na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira (9), uma lei que libera o uso da internet campanha eleitoral. O que isso significa? Tranquilidade! Explico: garanto que, pelo menos por três meses, vossos rebentos fugirão da internet por não aguentar a acintosidade das mensagens. Duvidam? Vale uma caixa de ovos brancos! Embora ainda não tenham inventado horário político obrigatório nem A Voz do Brasil para transmissão na internet, o uso que imagino que os candidatos farão via sites próprios e por orkut, msn, twitter, facebook, blogs, e-mails – que é aquilo que os adolescentes usam – será de enlouquecer de tanta carinha sorridente e de números (ou seriam código de barras).***Em tempo: nossos queridos parlamentares ainda tomaram outra atitude benéfica para todos: proibiu o aluguel de muros para a campanha – sem contar que os out-doors também já estava proibido. Assim, jogamos a sujeira visual para as telas de computador (vai ser um pandemônio!) e deixamos a cidade menos suja. Pois bem: como sei que os marqueteiros não têm noção do que significa a palavra excesso, estou apostando que, no período eleitoral, a gurizada vai, no mínimo, reduzir as horas passadas na internet. Daí vai ficar fácil: é só “danificar” o vídeo game, que é capaz de eles até acharem mais interessante dialogar com a família! Um viva a quem inventou essa lei, independentemente se o bem causado foi intencional ou não!***Novela à gaúcha
Estava saindo da Assembleia Legislativa na quarta, quando vejo uma senhora até que bonita dando entrevista para uma emissora local. Reconheci na hora: era a Magda Koenigkan, empresária brasiliense que entrou para a história gaúcha por ser a esposa do falecido ex-assessor da Yeda, Marcelo Cavalcante. Estava feito o alvoroço em torno dela! As mulheres colocaram defeito na roupa, nas plásticas, nos sapatos e disseram que ela veio achar um marido. Os homens, disfarçando, perguntavam-se se ela iria realmente falar o que prometeu (fatos novos sobre falcatruas da campanha ao Governo do Estado) ou não.Infelizmente, tenho que terminar essa coluna antes de saber o que vai acontecer até o final dessa quinta-feira (senão o Adelar vai ter um infarto esperando a coluna). Assim, deixo minha aposta: mesmo tendo prometido falar, acho que a dona Magda vai ficar quieta (ok, a constatação não é minha, é do Guerreiro, com a qual eu concordo). A rádio corredor da AL está anunciando que o advogado que ela contratou na quarta-feira teria dito para que evitasse apagar incêndio com gasolina. Isso porque ela pretende processar Yeda Crusius, então era melhor tomar cuidado para não pisar na própria língua.No fim das contas, essa história cujo protagonista é o lobista Lair Ferst, virou um diz que me disse, em que nada se confirma, e em que todos os que começam pilhando tiram o seu da reta. São tantos flashes que virou joguinho de celebridades. Já estou achando que Magda e Yeda vão acbar amigas íntimas. Assim, é certo que as próximas denúncias não partirão da Veja, mas da Caras. Já imaginou? Governadora, acompanhada de sua “amiga de infância”, abre as portas de sua polêmica casa com exclusividade e garante: o Lair não é tão mau assim”... Vai saber...

publicado em FN no dia 10-07-09

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