quinta-feira, 29 de julho de 2010

Yeda, CPI, reeleição...

Poucas coisas no mundo geram tanto debate quanto futebol. Ainda mais em um Estado onde dois times polarizam as preferências. Em épocas de campanha, principalmente para prefeito e vereador, a política chega próximo. Hoje, há mais de um ano do próximo pleito, entretanto, o assunto está efervescendo. Houve desvio ou não dos recursos doados na campanha da governadora? Ela comprou uma casa com dinheiro de doações não contabilizadas na campanha? E o melhor: vai ter ou não CPI?
Não se fala em outra coisa nos arredores da Praça Marechal Deodoro além da chegada do Paulo Autuori, do Colorado na Copa do Brasil e do dilema entre formação ou não da CPI. É possível ouvir no fumódromo da AL, nos restaurantes e bares da redondeza apostas sobre a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Cada um tem suas motivações: a oposição - leia-se PT, PCdoB e PSOL (este sem representação de bancada) – quer desgastar a imagem da governadora e faz o possível para conseguir as assinaturas de 19 parlamentares, mas estão amarrados pelo tecido político. Até que não pareçam evidências mais fortes do que diz o contraditório vice-governador, a base aliada não vai querer deixar o governo e correr o risco de perder alguns cargos de confiança distribuídos em estatais e secretarias. Alguns até tem vontade de investigar, mas temem que o produto, depois de jogado no ventilador, acerte muito mais pessoas do que apenas a governadora.
E fica a pergunta: qual CPI formada até hoje apresentou algum resultado eficaz, além de colocar a oposição na mídia? Alguém lembra quantos deputados foram “condenados” no Congresso nacional pela CPMI Mensalão? (ouvi um apoiador da governadora dizendo que, mesmo que seja verdade as acusações, a Yeda é uma trombadinha comparada ao que já houve).
Não sei se vai sair essa CPI. Embora seja um mecanismo previsto em lei que dá aos deputados o direito de investigar irregularidades. E uma coisa é conseguir um terço das assinaturas para montar a comissão; outra, bem diferente, é fazer com que mais da metade dos parlamentares envolvidos na investigação aprovem as diligências, audiências externas e convocações de depoimentos.
Penso que o ideal para esclarecer isso de uma vez é que o Ministério Público Federal encerre o silêncio e torne público as provas que suspeita-se que existam.

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Um funcionário do Piratini me contou: enquanto isso, encerrada em seu gabinete, fugindo dos jornalistas, a governadora faz as contas para saber se vai ou não concorrer à reeleição. Os números em si são animadores: pagou as consultas populares deixadas para trás por Rigotto, ampliou o montante a ser distribuído neste ano, acabou com o déficit do Estado – o que conseguiu por meio de políticas não muito simpáticas, diga-se de passagem. Porém, o sacrifício hoje está contando pontos, já que está conseguindo investir nos tais projetos reestruturantes. Além disso, está distribuindo viaturas para a Brigada Militar, anunciou a contratação de três mil soldados militares para este ano e está fazendo dúzias de acessos asfálticos nos municípios menores. Não fosse o descontentamento do Cpers com a enturmação, com a tentativa de modificação no plano de carreira e agora com o agrupamento de disciplinas em áreas afins, as manifestações em frente ao Palácio seriam bem mais brandas. Ou seja: não tivesse o jogo de cintura de um zagueiro central, nem uma oposição decidida desde o início do mandato a sangrar o governo, Yeda estaria mais tranquila.

(Parte da coluna publicada no dia 22-05-10 na Folha do Nororeste)

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