Poucas coisas no mundo geram tanto debate quanto futebol. Ainda mais em um Estado onde dois times polarizam as preferências. Em épocas de campanha, principalmente para prefeito e vereador, a política chega próximo. Hoje, há mais de um ano do próximo pleito, entretanto, o assunto está efervescendo. Houve desvio ou não dos recursos doados na campanha da governadora? Ela comprou uma casa com dinheiro de doações não contabilizadas na campanha? E o melhor: vai ter ou não CPI?
Não se fala em outra coisa nos arredores da Praça Marechal Deodoro além da chegada do Paulo Autuori, do Colorado na Copa do Brasil e do dilema entre formação ou não da CPI. É possível ouvir no fumódromo da AL, nos restaurantes e bares da redondeza apostas sobre a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Cada um tem suas motivações: a oposição - leia-se PT, PCdoB e PSOL (este sem representação de bancada) – quer desgastar a imagem da governadora e faz o possível para conseguir as assinaturas de 19 parlamentares, mas estão amarrados pelo tecido político. Até que não pareçam evidências mais fortes do que diz o contraditório vice-governador, a base aliada não vai querer deixar o governo e correr o risco de perder alguns cargos de confiança distribuídos em estatais e secretarias. Alguns até tem vontade de investigar, mas temem que o produto, depois de jogado no ventilador, acerte muito mais pessoas do que apenas a governadora.
E fica a pergunta: qual CPI formada até hoje apresentou algum resultado eficaz, além de colocar a oposição na mídia? Alguém lembra quantos deputados foram “condenados” no Congresso nacional pela CPMI Mensalão? (ouvi um apoiador da governadora dizendo que, mesmo que seja verdade as acusações, a Yeda é uma trombadinha comparada ao que já houve).
Não sei se vai sair essa CPI. Embora seja um mecanismo previsto em lei que dá aos deputados o direito de investigar irregularidades. E uma coisa é conseguir um terço das assinaturas para montar a comissão; outra, bem diferente, é fazer com que mais da metade dos parlamentares envolvidos na investigação aprovem as diligências, audiências externas e convocações de depoimentos.
Penso que o ideal para esclarecer isso de uma vez é que o Ministério Público Federal encerre o silêncio e torne público as provas que suspeita-se que existam.
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Um funcionário do Piratini me contou: enquanto isso, encerrada em seu gabinete, fugindo dos jornalistas, a governadora faz as contas para saber se vai ou não concorrer à reeleição. Os números em si são animadores: pagou as consultas populares deixadas para trás por Rigotto, ampliou o montante a ser distribuído neste ano, acabou com o déficit do Estado – o que conseguiu por meio de políticas não muito simpáticas, diga-se de passagem. Porém, o sacrifício hoje está contando pontos, já que está conseguindo investir nos tais projetos reestruturantes. Além disso, está distribuindo viaturas para a Brigada Militar, anunciou a contratação de três mil soldados militares para este ano e está fazendo dúzias de acessos asfálticos nos municípios menores. Não fosse o descontentamento do Cpers com a enturmação, com a tentativa de modificação no plano de carreira e agora com o agrupamento de disciplinas em áreas afins, as manifestações em frente ao Palácio seriam bem mais brandas. Ou seja: não tivesse o jogo de cintura de um zagueiro central, nem uma oposição decidida desde o início do mandato a sangrar o governo, Yeda estaria mais tranquila.
(Parte da coluna publicada no dia 22-05-10 na Folha do Nororeste)
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