“Eu até sou favorável a esse tal de feminismo. Desde que não atrapalhe o trabalho da nega véia em casa”, diria o xiru tão grosso (e machista) quanto um parafuso de patrola. A piadinha é batida, mas é oportuna. Pelo menos eu achei oportuna. Não por concordar com ela, mas por ter achado a provocação do gaudério válida depois de ler uns artigos em revistas e pela internet, que dizem que homens nunca foram tão satisfeitos como agora.
Pois isso é o que aponta uma pesquisa que é realizada desde 1972 nos Estados Unidos. O nível de felicidade masculino só cresceu desde então. Por outro lado, assim como uma gangorra, a satisfação feminina trocou de ponta. A pesquisa diz que antes eram mais felizes que os homens. Hoje já não são mais. A tal pesquisa não leva em consideração classes sociais ou estado civil, carreiras bem sucedidas ou desemprego, existência de filhos ou não. Nem indica a possibilidade de ser uma TPM coletiva. Mas talvez seja, motivada não por hormônios, mas pelo momento histórico vivido pelo sexo frágil.
Digamos que o berço disso tudo tenha sido os anos 60, mais especificamente 1968 e a chamada revolução sexual. Elas não imaginavam que a luta por “liberdade”, “igualdade de gêneros” e por aí vai – valores que foram potencializados pelos meios de comunicação, ainda mais, no caso do Brasil, depois do fim da censura do Regime Militar - causaria tantos transtornos.
Pelo que parece, depois da intensidade dos anos 70 e 80, quando a mulherada se atirou de cabeça no mercado de trabalho e conseguiu, de certa forma, libertar-se socialmente, ficou uma sensação de vazio nessas adoráveis criaturas. Hoje, elas não têm mais uma prioridade, mas trocentas. Não é a toa que reclamamos que elas são umas insatisfeitas (a pesquisa está aí para comprovar!). O que é que elas querem?
Cito o que diz a reportagem da revista Época desta semana, que mostra o que elas querem: “maternidade - quer ter cuidado, atenção e intimidade com os filhos; casa - detém a responsabilidade última por organização, compras, refeições e administração das empregadas domésticas; trabalho - quer mostrar eficiência e igualar-se aos homens no que diz respeito a salário e dedicação; marido - luta por relacionamento emocionalmente equilibrado e divisão das tarefas domésticas; sexo: busca a sedução e o prazer, quantidade e qualidade; beleza - está tomada pelos ideais de juventude e beleza”.
Pois uma avaliação feita agora não lembro por quem que consta no livro “1968: o que fizemos de nós”, de Zuenir Ventura, pode levar a reflexão. A sede por ruptura com os antigos valores (que colocavam elas em segundo plano) foi tão radical, que os bons valores foram deixados para trás. Na tentativa de provar para os homens que são capaz, acabaram se sujeitando a uma certa masculinização. E os homens, por sua vez, cederam território, mas não competiram para ocupar o espaço que antes era delas...
Mas, como a história da evolução humana, tudo sempre está sujeito à mudanças. A chave para isso é entender que os dois sexos não são concorrentes, que cada um tem um tipo de necessidade, que há diferenças entre proteção e conservadorismo. Isso me lembra do comentário feito por uma amiga sempre que está estressada: “se eu descubro quem foi a desgraçada que resolveu fazer essa revolução”... Revolução que nada mais, nada menos, foi uma vitória, ao que parece, masculina...
24-10-09
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