sexta-feira, 30 de julho de 2010

Patriotismo às avessas

Sete de Setembro. Data alegre. Um feriado de prestar homenagens à pátria! Desfile. Atraso para começar o desfile. Professores enlouquecidos com os preparativos. Crianças esperando por duas horas sob o sol até chegar a vez de desfilar. Banda marcial. Integrantes da banda com roupas pesadas sob o sol. Pais e parentes das crianças que vão desfilar no Centro. Sob o sol. Marchinhas ufanistas a lá Médici e o Regime Militar (se um dia eu montar uma banda de rock, será chamada de “Medi C e os Mil Icos”). Professores mandam as crianças ficar em fila. Alguma alma bondosa aparece com uma garrafa pet cheia de água (morna). Não tem para todos. Procura-se uma torneira. As crianças saíram da fila. Alguém da banda não sabe onde deixou o instrumento. Rasgou uma parte da fantasia do aluno que ia interpretar o Tiradentes. Alguém aí tem linha e agulha? Vem uma profe e dá uma bronca nas crianças porque saíram da fila e foram para a sombra. Começa o desfile. Todo mundo começa marchando. Após cinco passos, já não há mais ritmo na marcha. Antes da metade do desfile, ninguém mais marcha. Bronca da profe porque já não existe alinhamento. A mãe ultrapassa o limite do cordão de isolamento para dar tchauzinho e gritar o nome do filho. O filho não sabe onde enfiar a cara de tanta vergonha. O pai já fica por ali, além do cordão, para ver a filha que desfila umas 18 escolas depois. A tiazona grita o nome da coitada da criança, que não sabe onde enfiar a cara de novo. Demora de horas para chegar duma ponta à outra da avenida. Depois que chega ao fim do trajeto, começa o martírio da volta (sempre há quem insista em fazer trocentas vezes o trajeto). As profes mandam as crianças para a fila de novo e ameaçam tirar pontos. A criança anda com a cabeça baixa e quase enterrada entre os ombros para se esconder de mais uma tiazona que com certeza vai gritar o nome e abanar para ela...
É por essas e por outras que sempre gostei de 7 de Setembro. Com chuva...
Os: tenho a sensação que vou ser massacrado pelas profes...
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CPI. Oposição protocola requerimento para chamar “pessoas chaves” para ouvir o que todo mundo já ouviu. A bancada governista vota contra. A bancada governista quer chamar um membro da oposição para oitiva. Presidente da CPI, que é da Oposição, não coloca em votação. Bancada governista se retira da sessão para não ter quórum e não ocorrer a votação proposta pela Oposição. Presidente procura brechas no regimento para conseguir fazer alguma coisa sem depender de convencer a maioria dos integrantes, que são governistas. Começam os ataques pessoais. Sobre para o Lula. Sobra para os caças do Lula. Sobra para o Fernando Henrique. Para o Ministério Público. Para o vice-governador, que anda bem quietinho. Para a mãe do badanha. Cada palavra é contestada. Oposição tenta sangrar a dona Yeda. Governistas tentam fazer com que o sangue respingue nos bigodes do Olívio. “Questão de ordem”, grita um. “O senhor está aqui para atrapalhar os trabalhos”, retruca outro.
É por essas e por outras que adoro CPI. Pela TV, com pipoca e cerveja...


FN - 10-09-09

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