Quando estudava no Roncalli e no Cañellas, sempre tentava fugir por alguns minutos da aula para perambular no corredor. No meio das atividades, pedia para ir ao banheiro, mas na verdade só queria ver quem estava também se algo havia acontecido. “Quanto tu tirou na prova?”, “É verdade que o João gosta da Maria?”. “Tu viu como está bonita a irmã do Paulo?”. “Tu sabia que o Carlos, a Cris e o Pedro foram para a secretaria?”. Sempre tinha novidades.
Na faculdade, em Santa Maria, a história se repetiu. Em poucos minutos era possível fazer graça para as veteranas e bixos, saber das fofocas das festas, especular sobre a possibilidade de greve e reclamar do preço das passagens de ônibus. Foi assim, nos corredores, que aprendi uma das mais importantes atividades do jornalismo, que é a de conseguir fontes, de ter acesso a informações que de outra forma não chegariam a mim. Conversas aparentemente inocentes, a maioria iniciadas por meio dos resultados da dupla Gre-Nal, renderam valiosas notícias. Hoje, como assessor de imprensa, não é diferente. Basta entrar no elevador da Assembleia Legislativa e fazer um comentário sobre o tempo, que alguém chega com um “tu viu” e a conversa evolui até pautas mais interessantes.
Assim como na vida colegial, o papo de corredor permanece sendo um fator importante de informação, que vai dos comentários estéticos (tu viu a morena que trabalha no terceiro andar?), a assuntos de economia e política. Esta é mais ou menos a linha desta coluna, que passo a assinar a partir desta edição. A premissa é comentar um pouco do que ouço nos corredores por onde passo. Mais ou menos como fazia, nos tempo do colégio, ao voltar do “banheiro”, com uma novidade na ponta da língua para distribuir entre os colegas.
* parte da coluna de 01-05-09 (a primeira publicada na Folha do Noroeste)
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