É uma briga antiga. E ocorre em qualquer parte do funcionalismo público. Suponho que a guerra entre ocupantes de cargos de confiança e funcionários concursados nunca vá terminar. Câmaras de vereadores, prefeituras, governos de estados, assembléias legislativas, Congresso Nacional... Não importa. A briga sempre será a mesma.
O último capítulo aconteceu nesta quinta-feira. A mesa diretora da AL rejeitou uma minuta sugestão do sindicato dos funcionários da casa que previa a redução de CC`s e a contratação de mais efetivos. O que poderia era para virar um PL foi rejeitado por unanimidade.
Por quê? É simples. Qual deputado quer reduzir o número dos seus funcionários, identificados com seu trabalho e que carregam o piano em horários aleatórios, que cuidam de assuntos pessoais dada a proximidade estabelecida entre empregado e “empregador”, para deixar o trabalho nas mãos de concursados, pessoas capacitadas que conquistaram merecidamente um espaço no setor público, mas que, amparados pelas leis trabalhistas, não “vestem a camisa” e ainda não assumem qualquer compromisso com o parlamentar?
Os CC`s invariavelmente são acusados pelos efetivos por não ter horário fixo, por não serem descontados a cada falta, por não terem precisado passar por uma seleção, etc... Por outro lado, os CC`s afirmam que os efetivos são “preguiçosos”, que graças a estabilidade de emprego (ou, em outras palavras, a certeza de não serem demitidos) não se esforçam, que para trabalharem em finais de semana ou além do turno exigem pagamento extra, e blá blá, blá...
Acho essa guerra a senhora das bobagens. Ambos são necessários. Primeiro porque os efetivos também são sujeitos dotados de subjetividade, são eleitores, têm preferências, e como entraram pelo próprio esforço, não precisam “puxar o saco” de ninguém (palavras ouvidas de um funcionário e que não expressam exatamente minha opinião). Parlamentares precisam de gente da própria confiança. Não porque essas pessoas esconderiam as “sujeiras” debaixo do tapete (há corruptos também entre os efetivos – lembram do Macalão?). Mas porque, quando se é uma pessoa pública, fica-se exposto o tempo todo, e os “braços-direitos” amenizam a falta de privacidade. E também não sejamos falsos, são estas as pessoas que mais querem zelar pelo mandato do deputado, afinal o emprego dura quatro anos.
E porque não acabar com os efetivos? Por que uma casa como a AL, diferentemente dos seus ocupantes, sempre vai existir, então precisa de gente que entenda do serviço e dê continuidade (não pode ter um rodízio tão grande de funcionários, senão vira bagunça).
E a moral dessa história? No imaginário das pessoas, funcionário público é vagabundo e CC é mordedor. Culpa dos maus, que a cada escândalo sujam a reputação dos bons. E isso parece ter sido incorporado por cada categoria (embora CC não seja categoria, nesse texto eu trato assim) para encher a outra. Agora, não pensem que eu acho que isso tudo ta perfeito. Na real, eu acho que, não só no caso da AL, todas as casas que cuidam da coisa pública deveriam ter a folha de pagamento enxugada. Se há 800, que baixe pra 700. Se for 700, que baixe para 600. Porque, quanto mais trabalho e menos pessoas para fazê-lo, também menos tempo para ficar com briguinha...
26-03-10
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