Não será desta vez. Por decisão dos deputados federais, o projeto “ficha limpa”, que tenta barrar candidaturas de pessoas condenadas pela justiça que ainda tem processos tramitando devido a recursos, foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça. E não será aprovado em plenário esse ano. Pelo menos não a tempo de ser válido já no pleito de outubro.
O mais curioso é de que, ao serem interrogados, todos os parlamentares são favoráveis. Mas justificam que não pode ser votado às pressas, que é preciso alguns ajustes, que tem que averiguar se é constitucional ou não. E, assim como outras matérias, o projeto vai ficando, ficando e o final da história é esperado. Ou nunca irá a plenário, ou vai sofrer tantas alterações que ficará desfigurado, sem cumprir o papel inicialmente proposto. Menos mal que mais de 1,6 milhão de pessoas assinaram a iniciativa do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o que pode ser um indicativo de mobilização.
Mas falando do projeto: não acho que alguém que está sendo processado por envolvimento em acidente de trânsito tenha que estar entre os impossibilitados. Ser barbeiro no trânsito não quer dizer que o cara é desonesto. Porém, se o vivente já foi condenado por má utilização de recursos públicos, corrupção, formação de quadrilha, etc..., sob hipótese alguma poderia mexer com a coisa pública. Mesmo que ainda haja possibilidade de recurso em outras instâncias. Até que não haja absolvição, não poderia se candidatar.
Agora, o mais engraçado: quem é que legisla o que pode e o que não pode? Justamente aqueles que serão afetados...
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Atendendo ao pedido de um leitor, publicarei o trecho de um e-mail para esclarecer sobre homossexualidade (na edição passada usei “homossexualismo”, termo em desuso): “não usa-se mais o termo HOMOSSEXUALISMO, uma vez que o sufixo ISMO seria representativo de patologia, e se não é do conhecimento do caríssimo colunista em questão, ser homossexual deixou de constar como doença a algum tempo. Se quiser ter uma prova concreta disso, consulte o CID(Cadastro Internacional de Doenças). Portanto, cuidado com os verbetes usados, isso pode influir ao preconceito dos desavisados. HomossexualiDADE, com sufixo de ação, ou seja, SER HOMOSSEXUAL”. (as letras em caixa alta foram escritas pelo leitor).
Realmente foi uma falha do caríssimo colunista aqui, que já sabia à respeito mas não se deu conta enquanto redigia. E digo mais: passou batido porque eu não acho que o termo vá trazer grandes mudanças no tratamento que hoje recebe o terceiro gênero (ou, para não ser criticado por colocar transexuais, gays, lésbicas, bissexuais, travestis no mesmo saco, os demais gêneros).
Quanto ao que o leitor se refere a eu ter chamado de doença, peço atenção, em primeiro lugar, para o que está escrito: “Não entro na discussão se homossexualismo é genético, uma doença ou pecado”. Traduzindo: não quer dizer que penso que é uma doença ou qualquer outra coisa. Entretanto, embora tenha afirmado que “deixou de ser doença há algum tempo”, basta uma passadinha pelo google que poderá ser encontradas pesquisas concluídas e em andamento com as mais variadas explicações para algo que, para mim, não precisa ser explicado. Cada um é o que é, simples assim. O mesmo vale para os demais comentários do e-mail, pois como essa é uma coluna de opinião, que não se propõe ser isenta – pelo contrário, é coberta da subjetividade desse que escreve -, de alguma maneira vai deixar alguns satisfeitos e outros nem tanto. E esse é o espírito. O principal é não passar batido, já que a indiferença é o pior dos sentimentos.
08-08-10
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