Na semana passada, fui assistir num bar ao jogo de ida do Grêmio contra o Goiás pela Copa Sul-Americana. Após a partida, viria Inter e São Paulo. Obviamente, minha pretensão era torcer na primeira partida, e secar na segunda. Como a campanha não é boa, fiquei na minha no primeiro jogo. E como estava no meio de um mar vermelho, fiquei na minha também no segundo jogo. Ainda mais depois que o São Paulo abriu o placar e três gremistas apanharam de metade do bar porque comemoraram. O engraçado é que quem bateu foram os mesmos que fizeram a maior zona depois que o Goiás empatou o jogo com o Tricolor.
Não quero falar sobre futebol. Ultimamente prefiro ignorar o tema. Muito menos para condenar uma torcida, sabendo que a recíproca é verdadeira. Vou falar sobre o que pensei enquanto tive que ficar bem quieto no bar, vendo a classificação do adversário. Sem motivos para comemorar, fiquei pensando sobre conviver com diferenças. O que me levou a isso foi a observação que fiz em meio a briga. Os colorados que assistiam a torcida acompanhados de amigos “secadores” não se envolveram no tumulto. Até ajudaram a separar. Por outro lado, aqueles que estavam em mesas “puras” foram os que se comportaram pior. Daí lembrei que as vezes em que me comportei melhor durante os jogos foi quando tinha comigo pessoas “diferentes”.
Sabe que cheguei à conclusão de que isso é assim em outras circunstâncias? Pessoas que têm amigos, ou colegas, ou conhecidos homossexuais, aparentemente são menos homofóbicos; sujeitos que frequentam ambientes com católicos, ateus, pentecostais, judeus, etc... convivem melhor do que aqueles mergulhados apenas entre “iguais” (geralmente são os mais intolerantes); homens que tem mais contato com mulheres, seja na criação, no trabalho ou onde for, aparentemente são menos machistas do que aqueles que convivem apenas em ambientes masculinos.
Falo aparentemente porque essa é apenas uma observação: não empreguei qualquer método científico. E, obviamente, estou generalizando. Mas penso que a diferença leva a uma mudança de comportamento. Coloca um homem no meio de um salão de beleza para ver se a mulherada não pega mais leve nos comentários...
Além disso, os maiores fofoqueiros que conheço são pessoas dotadas de muito preconceito, que não sabem lidar com diferenças, que acham que são os únicos certos e por isso apontam para os outros (que são os errados, segundo esse raciocínio).
Por isso acho que algumas coisas precisam ser revistas nos grupos de “iguais”. Eu defendo a pluralidade. Por mais que a diferença possa parecer agressiva, é a existência dela em uma sociedade que reduz o preconceito e a violência (os países em guerra são exatamente os que não sabem conviver com isso). Acho que só se chega a uma sociedade mais pacífica e consciente por dois caminhos: ou com a igualdade absoluta, ou com o bom convívio entre as diferenças. Eu prefiro a segunda.
Ps: hoje, sexta-feira 13, em pleno agosto. Dia dos canhotos! Parabéns a todos esses renegados obrigados a abrir refrigerante pet girando a garrafa ao invés da tampa...
13-08-10
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