terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cinema e Política

"Mantenha seus amigos perto, e seus inimigos mais perto ainda." O lema é de Dom Vito Corleone, personagem do livro de Mario Puzo, “The Godfather”, traduzido no Brasil como “O Poderoso Chefão”, transformado nos anos 70 em um dos mais cultuados filmes da história do cinema pelo diretor Francis Ford Coppolla. O personagem é dono de outras frases marcantes. Eu gosto de várias. São os melhores ensinamentos para quem quer transitar na política depois de “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu.
Máfia, depois de O Poderoso Chefão, virou quase um gênero do cinema, especialmente o americano. Além da ação, dos tiroteios, assassinatos, também apresenta dramas vividos pelos personagens. Pois eu sugiro lançar um novo subgênero do cinema nacional. Depois de pornochanchadas, filmes das favelas cariocas, e os históricos sobre as “batalhas” e “glórias” nacionais, acho que seria interessante lançar filmes políticos. Enredos não faltam: o mensalão poderia fazer tanto sucesso quanto o filme sobre o “watergate”. A morte de Celso Daniel poderia ter o título de “Queima de Arquivo”. O mesmo vale para o assassinato de PC Farias e Eliseu Santos. Pedro Collor, que entregou o irmão, poderia render uma película cheia de traições.
Voltando a “O Poderoso Chefão”. É impressionante a força de algumas frases que o autor destinou ao personagem. Simples, na maioria das vezes sem expressar pensamentos muito profundos, mas que quando enunciadas provocam impacto. E o que são grandes líderes senão ótimos frasistas? Alguns presidentes também são. Selecionei os enunciados mais marcantes do personagem e fiquei pensando como poderiam ser utilizados na política nacional. Por exemplo: a frase citada na primeira linha deste texto poderia ser atribuída à governadora Yeda Crusius, quando optou por manter nos cargos do governo lideranças de partidos que apresentaram ou apoiarão outros candidatos à corrida pelo Piratini.
Outro exemplo: o ensinamento “dói mais ter algo e perdê-lo, do que nunca tê-lo” poderia facilmente ter saído da boca do ex-governador do Distrito Federal, que obrigou-se a renunciar para não ser impechado depois de todos os flagrantes de dinheiro nas meias e orações da propina.
Mais um: “Nunca odeie seus inimigos, isso afeta seu julgamento”. Quer frase mais Roberto Jefferson do que esta? O cara que “tirou a roupa do rei” José Dirceu, ao denunciar o suposto mensalão (do qual participava) foi também um dos defensores de Lula, sob a alegação de que ele não sabia de nada.
“Se você tivesse se cercado com um muro de amigos, isto não estaria acontecendo”. Essa frase poderia ter sido direcionada à governadora Yeda pelo presidente Lula durante o episódio das investigações do Detran. (Lula, diga-se de passagem, poderia também ser garoto propaganda de panelas de teflon, em oposição a alguns que são culpados inclusive pelos erros de colegas).
“Homens realmente grandes não nascem grandes, tornam-se grandes”. Essa frase poderia ser utilizada pelo Duda Mendonça nas campanhas do Lula (não foi isso que o filme-publicidade Lula – O Filho do Brasil tentou mostrar?). E nem precisarei comentar sobre aquela: “vou fazer-lhe uma oferta que não poderá recusar”.
Pois é por essas e por outras que acho que esse seria um filão para o cinema nacional. Podem sair disto filmes melhores do que “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. O único ponto delicado seria incluir na trama umas mulheres um pouco mais atraentes do que as nossas atuais líderes. Se bem que sempre há uma que outra amante por aí...

11-06-10

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