Entrei em mais de uma discussão sobre o BBB nos últimos dias. Desconheço alguém que não tenha debatido sobre essa ícone contemporâneo da cultura popular. E não foi apenas sobre a eliminação da fogosa Cacau, a bananice do Eliezer ou a provável vitória do Dourado, aquele gaúcho tão amável como uma leoa no cio. O tema girou, sim, sobre a velha questão da exploração da miséria humana (resumindo: um papinho pseudo-intelectual). Já gostei do BBB, depois odiei, depois tolerei, depois não assisti, depois voltei a ver, e agora acho que gosto. E gosto por implicância. O programa mostra tudo aquilo que as pessoas são capazes de fazer em situação crítica. Os telespectadores ficam escandalizados com as mentiras, inveja, dissimulações, as cenas picantes (como podem fazer isso em rede nacional!), os palavrões, e por aí vai. Todas atitudes que todos sabem que têm, que tentam controlar, mas que preferem negar. Mas é esse “ser escandalizado” que faz com que a maioria dos brasileiros esperem o Bial diariamente sentadinhos no sofá, a assinarem o pay-per-view na tv a cabo, a procurarem informações em sites de fofoca todos os dias e a gastarem dinheiro ligando para eliminar alguém. É mais ou menos a mesma explicação para Ratinho, Datena e companhia fazerem tanto sucesso com programas sensacionalistas. E não botem a culpa nos canais, que lucram com isso, por colocar programas com esses conteúdos, pois é o que dá audiência – incomodados que desliguem a televisão e vão ler um livro.
Essa edição está melhor do que as outras. Para dar sobrevida ao programa, os produtores criaram uma série de armadilhas. Apenas alguns ganham presentes (carros, motos). Enquanto o pessoal da casa come bem, os do puxadinho ficam olhando com água na boca. Poucos podem ver filme no quarto do líder. Todas as provas estimulam a competição. E quem não consegue nada, fica com inveja. Arranja intriga. Remói até ter a oportunidade de se vingar. Talvez por isso mesmo que o bandido da quarta edição, o Dourado, seja o mais cotato para ganhar a bolada nesta décima temporada.
O BBB é como uma novela. O enredo tem o vilão, o mocinho, a princesa, o engraçado. Mas a diferença é que não são personagens. Talvez os participantes até incorporem personagens. O que não vem ao caso. E, em alguns momentos, os papéis se invertem. Morango passou de heroína a escorraçada da casa. É a convivência do bem contra o mal. E não quer dizer que, assim como ocorre com as tramas do Manoel Carlos, o bonzinho ganha no final.
Mas quem aí não trocaria o anonimato por R$ 1,5 milhão? Quem não colocaria a própria reputação à prova para ser convidado para programas globais, para festas com a nata das celebridades, para deixar de ser apenas mais um? Por que mudei de opinião, eu não sei. Mas é possível que essa posição adotada agora dure até a próxima discussão, desta vez com pessoas favoráveis ao programa. Enquanto isso, fico espiando. Quem sabe não mando um vídeo para o Boninho...
05-03-10
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