terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tentativa de falar algo que não seja sobre a Copa

Nesta quinta, bateu o desespero. Em meio a esta overdose de Copa do Mundo, sobre o que mais eu poderia escrever? Até há coisas importantes acontecendo, mas essas informações se perdem diante dos jornais com cadernos especiais da Copa e programas televisivos repetindo lances, gols e comentários de pessoas com um QI altíssimo, como é o caso de Edmundo, Vampeta, Neto, Casagrande, etc... Eu chego a ficar abobado com as demonstrações férteis dos raciocínios deles. Me bate uma coisa assim no peito... Algo do tipo: “porque fui perder tempo estudando, por cinco anos – quatro de faculdade mais um de cursinho, sem contar o ensino médio e séries anteriores que 90% desses jogadores que ganham 50 mil, 80 mil vezes mais do que eu não completaram, se quem vai para a tv são esses @%&*”. Não que eu quisesse estar na tv. Até já me aventurei por esse meio. Não é a minha. O certo é que eu devia ter escutado o professor Ricardo Denti e me esforçado mais na escolinha do Ipiranga, sem matar os exercícios, sem abusar do refrigerante, sem preguiça para treinar...
Do que eu estava falando mesmo? Ah, da Copa. É incrível o que acontece. No elevador, só se fala nisso. Durante as sessões plenárias da Câmara, do Senado e da Assembleia também. Enquanto um bobo discursa para ninguém ouvir, passa alguém propondo a realização de um bolão. Durante o atendimento de um acidente de trânsito em Porto Alegre, um policial que fazia a ocorrência perguntava sobre resultado de Eslováquia e Nova Zelândia (será que ele sabe em que parte do globo ficam essas nações?).
Desculpem o mau humor. Estou descontando na Copa – e em vocês – a falta de assunto. O cérebro está atrofiado até a final para questões importantes, como a votação do novo Código Florestal, o veto do Lula à queda do fator previdenciário, o aumento de 7,7% confirmado pelo presidente como compensação à queda do fator previdenciário, a morte do ex-deputado Bernardo de Souza, a aprovação no Senado do parcelamento de multas de trânsito em até seis vezes no cartão, a opção do PP por entregar o cargo de vice na chapa de Yeda ao PPS, o impasse do PMDB gaúcho entre apoiar ou não apoiar Serra/Dilma, a venda ou não do terreno da Fase (antiga Febem) de Porto Alegre em troca da construção de novas unidades.
Diante disso, consigo apenas fazer algumas constatações: 1) as pessoas que mais gostam de assistir aos jogos da Copa são aquelas que normalmente não acompanham futebol; 2) a renovação de narradores e comentaristas esportivos tem que acontecer logo (chega de Galvão e Milton Neves); 3) ex-jogadores não podem ser comentaristas, sob pena de emburrecer ainda mais a nação; 4) filmes são ótimas opções aos canais de tv aberta para quem já está de saco cheio ainda na primeira rodada; 5) vou incentivar meu filho a estudar menos e a jogar mais futebol...

18-06-10

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