Adoro livros apocalípticos! Durante a faculdade, os que mais li foram de autores que prevêem um futuro dominado pelo entretenimento e o prazer proporcionado pelos canais de TV. E que as pessoas vão emburrecer graças a formatos cada vez menos inteligentes, até que uma força superior que coordena todos os produtores de televisão domine o mundo. Essas ideias são novas: tudo começa lá na década de 20, com a Escola de Frankfurt... O mau dominará por meio dos meios de comunicação, pela busca desenfreada por audiência, que é vendida como mercadoria aos patrocinadores. É de arrepiar!
Já não sei se concordo com os apocalípticos como concordei. Mas há uma certa razão nisso. Olhe para a grade de horários dos canais, especialmente os abertos. Além de novelas e futebol, o que dá audiência são programas de auditório e reality shows. E já que esses profetas afirmam com toda a certeza que esse é o destino final da sociedade, fiquei imaginando como será quando as ideias dos marqueteiros se esgotarem e os candidatos, em busca de visibilidade enxergarem nestes tipos de programas uma oportunidade de conquistar votos.
Peguemos por exemplo a eleição estadual. Ao invés daqueles debates rasos mediados pelo Lasier Martins (dois minutos para responder uma pergunta é pouco tempo), porque não promover um jogo de perguntas e respostas do tipo “Passa ou Repassa” colocando frente a frente Yeda, Fogaça, Tarso, Beto Albuquerque e cia. Um candidato pergunta para o outro, e se a resposta for evasiva ou incorreta, leva torta na cara. Aí sim conheceríamos quem seria mais bem preparado, quais não dependem de assessores para responder a tudo. Que tal um “Show do Milhão”, em que os eleitores enviam perguntas com quatro alternativas. Antes de cada resposta, rufam os tambores...Suspense.... E o Sílvio Santos pergunta: “quer pedir ajuda aos assessores? Você ainda tem direito a usar uma maleta de dinheiro para subornar alguém em troca de uma resposta”...
Ou então, ao invés de eleição, a Globo colocaria Dilma, Serra, Ciro Gomes e Marina Silva numa casa completamente vigiada dia e noite. Para garantir a comida da semana, eles terão de elaborar um plano de educação. Cada proposta inovadora valerão mil estalecas. O líder pode ser decidido em provas de busca ao dinheiro em um porão cheio de ratos. E o povão eliminaria os candidatos votando pelo telefone!
Pensei também em um formato para os candidatos a deputado. Como são muitos, ao invés de debates, poderiam passar por provas do tipo “Olimpíadas do Faustão”. Afinal, para passar o tempo todo de correria pelos corredores do Congresso Nacional e em viagens pelo interior do Estado, é necessário boa vontade e um certo preparo. Imagina se para se elegerem o Vinão e o Milani, ao invés de percorrer a região toda, precisassem apenas atravessar a ponte do rio que cai?
Mas eu acho que, no nível que está o Brasil, o quadro que teria mais audiência seria apresentado pelo Ratinho. Tema do dia: “ele não pagou a propina que prometeu”, com Roberto Jefferson e José Dirceu fazendo barraco. Ou então: “ela não deixa eu mandar”, estrelando Feijó e Yeda, um agarrando o pescoço do outro, com o Datena mediando...
Alucinações à parte, esse fenômeno não está tão longe de acontecer não (agora o apocalíptico sou eu). A California já elegeu o Governator Arnold Schwarzenegger com a crença de que ele vai salvar o mundo como fez em O Exterminador do Futuro II. Mas, cá para nós: tomara que isso demore. Se é pra ver esse tipo de coisa, ainda prefiro a Tessália ou a Cacau de biquini. Bem melhor do que as curvas da Dilma...
20-01-10
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