Entre meus amigos de outros municípios do Rio Grande do Sul virei, quando o assunto é a terra natal, um personagem quase folclórico. A cada vez que digo que vou viajar para Frederico Westphalen, sempre me refiro à Princesa do Alto Uruguai como “ A terra prometida” ou como “A capital do mundo”. Claro que sempre ouço piadas sobre isso. Afinal, boa parte deles apenas ouviu falar da cidade, muitos não têm sequer ideia da localização. Mas, para mim, é a minha capital do mundo.
Cada um tem uma relação muito particular em relação à terra natal. Alguns criaram raízes tão profundas que não conseguem sair. Outros preferem não ter raiz, e tentar a vida em outros locais. Eu estou no meio termo. Ao mesmo tempo que não moro em “Fred”, permaneço informado sobre o que acontece e tento fazer visitas mensais a terra que um amigo batizou de “confins da BR 386”.
A real é que tenho orgulho de ser daqui. Mesmo sendo longe dos grandes centros. Até porque, na falta de uma “potência” próxima, criou-se aqui um centro regional. Tudo bem que ainda não somos uma megalópole, mas o que eu mais admiro é que o discurso das pessoas daqui, quando estão falando com pessoas de outras querências, geralmente é ufanista, no sentido de comprovar que Frederico é o futuro do mundo. É tipo falar do irmão: eu posso xingar ele o quanto eu quiser, mas se alguém tentar fazer o mesmo, arranja bronca comigo.
Uso meus exemplos: pesquisa nenhuma do IBGE disse que Frederico tem mais de 30 mil habitantes, mas eu nunca afirmei para ninguém que tem menos do que isso. Já presenciei conterrâneos declararem que a URI está no nível das universidades de Oxford e Sorbone. Ouvi de pessoas mais velhas que Ipiranga e Itapagé já montaram equipes com atletas locais capazes de disputar em igualdade com a dupla Gre-Nal. O Elton Bortoluzzi já disse que o Integração Varzeano tem jogos muito melhores do que a maioria das partidas do Gauchão. O ponto alto é quando o Vinão garante que o Frederico Rock Show foi um mini Planeta Atlântida. E, ai de quem duvidar que a Catedral é a mais bonita do mundo.
Cada terra tem suas peculiaridades. Muitas palavras que eu uso no meio vocabulário ficam incompreendidas em algumas rodas de conversa. Afinal, que outro município chama pivete de “chebinha”? Ou se refere a militantes do PP, do antigo PDS, de “lacerdão”? Qual outro lugar em que canjica não é apenas o doce de leite com milho?
Muitos dos meus amigos não entendem porque eu gosto tanto daqui. Porque, apesar de estarmos há 435 km de Porto Alegre, há 180 km de Passo Fundo, 300 km de Santa Maria, de a cidade de médio porte menos longe ser catarinense (Chapecó), Frederico é uma cidade arrumada, com gente que quer crescer, que não se contenta em ser apenas uma cidade do interior como muitas que vemos por aí. Cada vez que volto para casa, vejo uma coisa nova. Há menos de um século, esse território todo era só mato. A emancipação veio há apenas 55 anos. Frederico ainda é apenas um guri. Mas um guri daqueles que se nota que tem um diferencial. Acredito que esse diferencial é a cultura que se criou de que o município pode e deve ser um lugar com qualidade de vida. Falta uns ajustes, mas isso são detalhes a serem acertados durante o tempo.
26-02-10
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