quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Os partidos por trás das entidades

Uma vez fiz uma reportagem para um jornal de Santa Maria que causou polêmica entre os colegas de militância política estudantil. Dias antes da eleição do DCE, entrevistei representantes das duas chapas que concorriam com o objetivo de identificar a filiação partidária dos integrantes. Na época, conclui que a situação – que estava já há duas gestões à frente do Diretório – tinha a maior parte dos líderes vinculados ao PT e, em menor número, a partidos como PSB e PcdoB. Do outro lado, a oposição era basicamente uma aliança encabeçada por jovens líderes do PP, PMDB e PDT.
O discurso era até semelhante. Todos diziam que era natural que quem se interessava por política estudantil também se identificassem com partidos políticos, mas todos negaram que estavam ali por causa dos partidos. Quase acreditei. Mas descobri que vereadores e deputados financiavam folders e materiais de campanha para incentivar as “novas lideranças” que surgiam no cenário acadêmico. Claro que essa parte foi suprimida do texto pelo editor, que tinha medo de se envolver em polêmica com alguns caciques.
Assim, depois de publicada a matéria, sofri bombardeio de ambos os lados. Até hoje os opositores juram que eu virei o resultado da eleição contra eles por esclarecer aos acadêmicos que a chapa tinha jovens “de direita” (isso teria “pegava mal” entre a maioria dos estudantes de uma universidade pública)... Do outro lado, a situação ficou insatisfeita por eu ter relacionado eles do partido do então prefeito, o que colocava em dúvida o real empenho desses líderes em protestar contra o preço da passagem do ônibus, entre outros pleitos. Pra resumir: todos consideraram que foram traídos por serem “desmascarados”.
A situação mudou um pouco o que eu pensava sobre as pessoas que se envolvem em diretorias, seja de DCE, de conselhos comunitários, de clubes e de, principalmente, sindicatos. Antes eu até achava que era algo pouco relevante. Mas dentro da entidade, percebi que aqueles que puxam a frente são “aliciados” pelas siglas com promessas de empregos, de apoio financeiro ou político. E os demais, que trabalham na boa vontade, sem preferências muito acentuadas por este ou aquele partido, acabam sendo rotulados de acordo com o meio. Aí eu pergunto: há legitimidade nas decisões de uma pessoa que coloca os interesses partidários acima do que almeja uma categoria?
Acho essa reflexão importante principalmente agora, nessa semana em que os professores estiveram acampados na Praça da Matriz. A presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, e parte da diretoria do sindicato são identificados com partidos que fazem oposição a Yeda Crusius – leia-se PT. Quando chamados para debater sobre a proposta salarial que o governo propunha, exigiram um documento impresso e não aceitaram discutir. E o resto da história a gente já conhece...
Penso que o ideal seria que os sindicatos e demais entidades expressassem em seus estatutos a proibição de ligações entre partidos e dirigentes. Poderia até não adiantar muita coisa, mas pelo menos aliviaria a entidade de rótulos que apenas dificultam as relações com governos.
***
Pergunto aos professores que votaram na Yeda no segundo turno contra o Olívio: vocês concordam com tudo o que pensa a tal Rejane, aquela criatura que extrapolou os limites e foi fazer manifestações em frente a casa da governadora? Pois a impressão que tenho é de que, assim como a governadora é ruim de jogo, certos dirigentes pensam apenas nas eleições de outubro e nos cargos de confiança...

18-12-10

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