É impressionante o momento que vive a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados. Três grandes categorias arregaçaram as mangas e estão fazendo de tudo para defender os próprios interesses. E não estou falando aqui em bandeiraço com carro de som, bandeirinhas e cartazes na Praça da Matriz, em frente ao Piratini. Esse tipo de manifestação, apesar de válida, não assusta nem compromete mais ninguém. Professores, brigadianos e aposentados descobriram o caminho das pedras. Apesar de mais trabalhoso, o que funciona mesmo é o contato direto com os representantes eleitos pelo povo. E é sobre os parlamentares que recai a conta. Ainda mais se levarmos em conta que o momento é propício: falta menos de um ano para as eleições, e já está chegando a hora dos partidos que integram as bases governistas de Yeda e Lula começarem saltar do barco já pensando nas futuras coligações...
O papo nos corredores da AL é unânime: votar favoravelmente aos projetos do aumento da contribuição previdenciária para a Brigada Militar e das modificações no plano de carreira do magistério é suicídio político. Não só porque mexem com duas das maiores categorias do Rio Grande do Sul, que também são grandes formadores de opinião. É pela atitude de quem faz valer o exercício da democracia e chia, esperneia até serem atendidos. Hoje, as caixas de e-mails dos parlamentares estão lotadas de manifestações. Há uma acampamento montado entre o Piratini e a AL, para mobilizar também a opinião pública. Resultado: a pressão feita pelos integrantes de ambas categorias é tão forte, que já há gente do mesmo partido da governadora pensando em derrubar as propostas. Um parlamentar da base aliada já disse que, se o partido não mudar de ideia, não vai aparecer na sessão que votará as matérias.
Em Brasília, a história se repete: por mais que o Governo Federal faça de tudo para atrasar a votação na Câmara do projeto do senador Paulo Paim que extingue o fator previdenciário, a aprovação é dada como certa mesmo pelos deputados petistas mais xiitas. Ninguém quer embarcar na canoa furada de Pepe Vargas, que propõe um projeto alternativo, conhecido como fórmula 85/95 que é um jeito mascarado de manter todo mundo trabalhando por no mínimo 35 anos (30 para as mulheres) para não haver perdas na aposentadoria. Isso porque os aposentados lotam as galerias do Plenário todos os dias, ligam para os parlamentares todos os dias, transitam pelos corredores do Congresso todos os dias, ameaçam contar para todo mundo quem são os que contrários ao projeto todos os dias.
No momento, as três categorias são exemplos para grupos que preferem berrar a céu aberto desorganizadamente, que assistem magoados as propostas de seus interesses tramitarem sem sequer serem discutidas pelos parlamentares...
Mas aposto um corte de cabelo no Hélio que as propostas voltadas ao magistério e à Brigada Militar não passam. E que o fator previdenciário está com os dias.
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PS: Tenho apenas uma preocupação em torno de tudo. A maior parte dos parlamentares são grandes caroneiros: se suas indicações de obras nas que fazem votos são atendidas, vão com o governo; se correm o risco de perder votos, vão contra. Ou seja: pouco refletem sobre quais os rumos serão tomados na política do país. Preferem se equilibrar sobre um muro de lajotas ensaboadas para não se queimarem com batatas quentes.
27-11-10
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