quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Outros carnavais

Há dois anos, fiz uma grande reportagem sobre os antigos carnavais de Frederico Westphalen para um jornal da cidade. Ouvi muitas pessoas que se envolveram nesse processo, desde as primeiras festas do Momo, na década de 40. Ouvi relatos muito interessantes, e na minha cabeça remoí isso várias vezes. Menos pela curiosidade sobre a evolução do carnaval barrilense, e sim pela evolução (?) do comportamento dos foliões.
Tivemos na então freguesia do Barril carnavais animados por gaiteiros, em um galpão que foi a sede do primeiro clube social daquele embrião de município. Somente anos depois surgiram as festas na rua, com desfile de blocos e bailes no clube. Recentemente, houve até disputa de “escolas de samba”. Mas em 2008, a configuração do carnaval frederiquense mudou radicalmente. Rei momo e marchinhas perderam espaço para carros com som alto e shows sem muita ligação com o carnaval. E a explicação para isso é justamente a mudança de comportamento da maioria que participa das festas, que são os jovens. Na avaliação deles, dançar em círculos pelo clube não tem graça, é algo ultrapassado. Marchinhas não tem o mesmo significado para eles como tem para as pessoas que viveram a época das marchinhas. Eles podem naõ saber o que querem, mas com certeza sabem o que não querem.
É lógico que o ideal seria uma festa que permitisse a participação de toda a sociedade, um carnaval popular, com desfiles, etc... Mas, como fazer isso, se não há adeptos? Carnaval de rua equivale ao Sete de Setembro, 90% vai por obrigação ou falta de opção. Ou ninguém lembra dos anos em que o clube ficou deserto? E que os “atrativos” do Centro atraíram pouca gente? Anos em que nos quatro dias de folia, haviam mais frederiquenses em Águas de Chapecó ou São Carlos do que no Barril.
Foi pensando nisso que no final de 2007 um grupo se juntou para organizar a Park Folia de 2008. Eu fui um deles. Lembro de conversar com as pessoas. Os mais velhos não queriam esse modelo atual. Preferiam o carnaval de rua, mais cultural, ideia prontamente rechaçada pela “gurizada”. Não haveria quorum para ter um carnaval semelhante aos do final dos anos 90, início dos 00. Chegamos a conclusão de que, se quiséssemos mesmo um evento com participação maciça, teríamos que mudar, ou estaríamos fadados ao fracasso dos anos anteriores. E pelo jeito o que foi proposto agradou.
Sei que muitos ainda torcem o nariz. Porém, com esse novo formato, evitamos que muitos enfrentassem os perigos da BR 386 e aquelas curvas catarinas bem estreitas propícias a acidentes de trânsito. E, de quebra, o dinheiro do povo ficou circulando na cidade. Tudo bem que não tem o mesmo charme dos carnavais do passado, que dificilmente deixará nos participantes o mesmo sentimento de nostalgia que as antigas competições entre blocos até hoje provocam nos ex-foliões de Cartel, Soesba, Los Cabeças, Crise, Filhos do Barril, Tet’s... Mas qualquer evento só acontece se há participantes. São eles que escolhem como se divertir.

12-02-10

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