quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fofocas ciberespaciais

Políticos, assessores e marqueteiros estão apostando especialmente num ponto como o diferencial desta campanha em relação às eleições passadas. O ciberespaço está sendo disputado à tapa por uma legião de personagens que, por algum interesse, estão de olho no pleito que se aproxima. Sei de pessoas que estão sendo contratadas exclusivamente para passar o dia no Orkut, no Facebook, no Twitter e postando comentários em blogs de renomados colunistas políticos para se promover (esse artifício foi usado por Sarney contrapor a chuva de críticas que recebeu após as sucessivas denúncias recebidas de jornalistas e órgãos da Justiça. Na ocasião, foram seis os contratados).
Comecei a fazer as contas. Segundo o Ibope Nielsen Online, são pouco mais de 36,8 milhões de internautas, que passam, em média, 65 horas e 23 minutos por mês navegando. Num país com aproximadamente 190 milhões de pessoas, não é um número tão expressivo como o percentual de usuários que decidiu as eleições americanas, porém é bastante considerável. Tentei ainda buscar dados sobre quantos eleitores são internautas, mas acho que pedi demais ao oráculo Google.
Essa disputa virtual traz algumas novidades. A parte legal é que boa parte dos candidatos (seja à presidência, ao governo do Estado, ao Senado, à Câmara dos Deputados ou à Assembleia Legislativa) mexem pessoalmente nos próprios perfis, ficando mais próximos dos eleitores. Serra e Dilma são bons exemplos. Enquanto ele já domina muito bem o Twitter e comemorou nesta semana a marca de 200 mil seguidores, Dilma, que começou a twittar há poucos dias, conseguiu 9 mil nas primeiras 24 horas de microblog.
Há, porém, um detalhe que não pode passar batido: todos sempre vão parecer muito bonzinhos. Eles não vão entrar em grandes polêmicas. Vão demostrar preocupação mesmo se você pedir ajuda para combater a calvície. Deixarão recadinhos para você sempre com mensagens positivas. E você vai pensar: bah, que cara legal!
Acho que nem precisa dizer que as funções estão bem divididas: enquanto o candidato se mostrará uma pessoa íntegra, o trabalho sujo ficará a cargo da tropa de choque. Como a internet permite o anonimato, muitos conteúdos - de piadinhas à arquivos de slides, fotografias modificadas à trechos de discursos descontextualizados, acusação sem fundamento à documentos “confidenciais” – serão disponibilizados e utilizados para entupir a sua caixa de e-mail. Contudo, deve-se considerar que, como todos são produtores de conteúdo nesse meio virtual, também são formadores de opinião. De qualquer tipo. Ando, ultimamente, com dificuldade de acreditar no que leio. A não ser por sites de empresas com credibilidade, de colunistas já conhecidos e algum ou outro contato (e isso também não é sinônimo de isenção), fico perdido em meio de todas as informações lançadas de maneira irresponsável. Esta é a versão potencializada das tiazonas dos municípios do interior, que levam e trazem todos os tipos de assuntos tratando adversários pejorativamente. Vale um quilo de mandioca descascada por uma virgem de que, antes mesmo do período eleitoral, você também estará de saco cheio.

16-04-10

1 comentário:

  1. Agora não terei mais o trabalho de abrir o jornal, hehe. Sério, grande ideia, pelo menos a internet tem um alcance maior.
    Parabéns pela coluna, tenho ouvido elogios de outras pessoas, inclusive de um professor.
    Bom, tu não precisa que eu aponte as qualidades dos teus textos, então basta dizer que eu gosto bastante.
    Abraço

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